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Campeã mundial do salto com vara, musa russa dá declaração homofóbica após receber sua medalha de ouro

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A russa Elena Isinbayeva recebeu sua medalha de ouro pelo título mundial do salto com vara nesta quinta-feira
AP/Alexander Zemlianichenko
A russa Elena Isinbayeva recebeu sua medalha de ouro pelo título mundial do salto com vara nesta quinta-feira

A russa Elena Isinbayeva, que na última terça-feira recuperou o seu título mundial do salto com vara, deu uma declaração polêmica nesta quinta-feira, após receber sua medalha de ouro. A tricampeã mundial apoiou uma nova lei anti-gay da Rússia, que prevê a prisão de homossexuais e que tem sido alvo de protestos de ativistas de direitos humanos, em razão da realização das Olimpíadas de inverno de 2014, na cidade de Sochi.

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"Se permitirmos promover e fazer esas coisas [apoio ao movimento gay] nas nossas ruas, ficaremos com medo de nosso próprio país. Nós nos consideramos pessoas normais, homens com mulheres e mulheres com homens", disse Isinbayeva, em entrevista em inglês, após receber sua medalha de ouro.

"Nós nunca tivemos esses problemas aqui na Rússia e não queremos ter nada disso no futuro. As coisas precisam acontecer normalmente", reafirmou a tricampeã mundial.

Nesta quinta-feira, pelo menos duas atletas suecas competiram no Estádio de Luzhiniki, em Moscou, no sexto dia de disputa do Mundial de atletismo, com as unhas pintadas na cor do arco-íris, simbolizando o apoio ao movimento LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros). Emma Green Tregaro, medalha de bronze no salto em altura no Mundial de 2005, postou fotos no Instagram mostrando as unhas pintadas e com a legenda "unhas pintadas com as cores do arco-íris", seguidas por várias hashtags, incluindo as palavras "orgulho" e "Moscou 2013".

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"A primeira coisa que me aconteceu quando cheguei a Moscou foi abrir as cortinas do meu quarto e ver um arco-íris, o que não deixou de ser irônico", disse a atleta, em vídeo postado no site do jornal "Expressen", da Suécia. "Um amigo então sugeriu que eu poderia pintar minhas unhas com a cor do arco-íris. Sei que é uma coisa simples, mas que poderia fazer as pessoas pensarem", explicou Tregaro.

A velocista Moa Hjelmer, atleta dos 200 m rasos também pintou suas unhas antes de competir. "Outros integrantes da equipe fizeram o mesmo. Não discuitimos essa questão, trata-se de uma decisão dos atletas", afirmou o porta-voz da delegação da Suécia, Frederik Trahn.

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A Iaaf (Federação das Associações Internacionais de Atletismo) preferiu manter uma posição de neutralidade neste caso. "A constitiução da Iaaf  reforça o nosso compromisso de, a princípio, não promover qualquer discriminação  em termos de orientação religiosa, política ou sexual", afirmou à  AP o porta-voz da entidadde, Nick Davies. "Além disso, acreditamos que a liberdade de expressão é um direito básico do ser humano, o que significa que devemos respeitar as opiniões de Isinbayeva e de Tregaro", afirmou.

Já a russa não perdeu tempo e critiou a postura das atletas suecas. "É um desrespeito ao nosso país elas virem aqui e fazerem tal declaração", afirmou. "Talvez sejamos diferentes de outros povos europeus e de outros países. Mas estamos em nossa casa e todos precisam respeitar nossas regras. Quando chegamos a outros países para competir, tentamos respeitar as regras deles", disse a saltadora.

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Mas a polêmica não se restringe apenas às atletas suecas no Mundial de atletismo. O meio-fundista americano Nick Symmonds, medalha de prata nos 800 m em Moscou, chegou a expressar apoio à causa gay em um post em seu blog, antes do Mundial. "Se eu estiver correndo ao lado de um atleta russo, irei apertar sua mãe e agradecer-lhe a hospitalidade. E depois de derrotá-lo, iria silenciosamente dedicar a vitória aos meus amigos gays e lésbicas. Após meu regresso [aos EUA] continuarei minha luta pelos direitos da união entre pessoas do mesmo sexo", escreveu.

Em Moscou, porém, ele se recusou a comentar o assunto com os jornalistas. "Não estamos autorizados a falar sobre isso aqui. Podem me colocar na cadeia por isso", disse Symmonds.

A lei anti gay da Rússia não proíbe explicitamentea participação em paradas do orgulho gay ou promover via online a igualdade dos direitos do movimento LGBTT, mas qualquer pessoa que for parada na rua usando a camiseta com as cores do arco-íris ou escrevendo sobre relacionamentos gays em redes sociais, com o o Facebook por exemplo, poderão ser acusada de fazer propaganda da causa gay.

Tanto o COI (Comitê Olímpico Internacional) quanto a Fifa já pediram ao governo russo maiores esclarecimentos sobre esta lei. Ainda não está definido se ela será aplicada durante os Jogos de Sochi ou durante a Copa do Mundo de 2018.

Veja fotos da carreira de Elena Isinbayeva


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