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Atleta olímpico do salto triplo viaja para os Estados Unidos e se junta à equipe brasileira que começa a competir em busca de uma vaga nas Olimpíadas de Inverno

Jadel Gregório participou de seletiva e foi aprovado para o time do Brasil de bobsled
Divulgação
Jadel Gregório participou de seletiva e foi aprovado para o time do Brasil de bobsled

Jadel Gregório está prestes a se afastar, momentaneamente, da pista de atletismo e seguir para a pista de gelo. Finalista olímpico, três vezes vice-campeão mundial e recordista sul-americano do salto triplo, ele conseguiu uma vaga na equipe brasileira de bobsled e viaja para se juntar aos integrantes do time nos Estados Unidos. O país começa as competições em março, com a Copa América, para tentar uma vaga nas Olimpíadas de Inverno de 2014, em Sochi, na Rússia. E Jadel conta com uma brincadeira da infância para encarar sem medo o novo desafio.

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“Sou do interior de São Paulo e fui criado em Marília. Quando eu era criança, a gente fechava a rua para descer de carrinho de rolimã. E não era pouca coisa. Era uma rua bem inclinada e tinha até uma lombada no meio que a gente rampeava”, lembra o atleta em conversa exclusiva com o iG . “Não tinha como parar e a gente passava com tudo pela lombada”, conta.

“Sei que agora vai ser diferente e mais rápido. No carrinho de rolimã eu era o piloto e no trenó é só empurrar e contar os segundos para chegar lá embaixo. No carrinho eu não tinha medo e acho que não vou ter agora também. Podia ficar meio inseguro, mas eu gostava muito daquilo”, afirma Jadel.

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Segundo o atleta, a chance de participar de mais uma Olímpiada foi o que o motivou a tentar a seletiva e se arriscar em um esporte para ele desconhecido. E Jadel Gregório vê o bobsled até como uma ajuda para o salto triplo.

“Fiquei muito tempo lesionado. Foram dois anos com dores e as operações nos dois joelhos. Perdi um pouco o ritmo de competição e a concentração. O bobsled, até por ser uma novidade, vai me ajudar a recuperar isso, me dar esse ritmo de prova de novo. E depois que operei e voltei, quero aproveitar todas as oportunidades para competir”, explica.

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Jadel não irá trocar um esporte pelo outro. “No atletismo não tem pausa. Vou viajar, treinar no bobsled e, depois, lá nos Estados Unidos, fazer meu treino focado no salto. A ideia é voltar em maio, quando começa o circuito de meetings, e estar ainda mais em forma e pronto para o atletismo”.

O triplista não é o primeiro olímpico do atletismo a participar do bobsled. Em 2002, nos Jogos de Salt Lake City, o Brasil contou com Matheus Inocêncio, dos 110 m com barreira. Em 2006, nas Olimpíadas de Turim, foi a vez de Claudinei Quirino, prata no revezamento 4x100m nas Olimpíadas de Sydney 2000.

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“Treino pista com o Matheus e ele veio falar comigo. Só comentou que era alto e muito rápido, mas eu não estava nem querendo ouvir. Agora estou querendo pensar em aprender a técnica. Ficar escutando essas coisas não vai ajudar. O medo atrai coisas ruins. Quando chegar lá eu vejo como é. Mas estou muito esperançoso e com vontade que dê certo”, fala.

Jadel Gregório não conhece quase nada do bobsled. Disse ter visto alguns vídeos e também assistido ao filme “Jamaica abaixo de zero”. Mas ele tem uma vantagem em relação a outros novatos da equipe brasileira, formada em janeiro depois de uma seletiva aberta ao público em São Caetano, São Paulo. Atletas do bobsled como Célio da Silva e Esthefânia Ribeiro da Costa disseram ao iG quem nunca tinham sequer visto neve e que não sabiam ao certo como seria treinar e competir em baixas temperaturas. Já o triplista está acostumado com isso.

“Frio não vai ser problema. Eu já sou batizado. Acabei de voltar de uma competição de salto na Rússia e também morei cinco anos na Inglaterra. Lá peguei frio, neve e muita chuva. Acho que consigo me adaptar mais rápido ao frio”.

O atleta teve o melhor desempenho empurrando o trenó na seletiva e já é esperado para formar o time titular do Brasil. O país disputa a Copa América em março na pista de Lake Placid, com os pilotos Edson Bindilatti e Fabiana Santos e os “pushers” (empurradores) Odirlei Pessoni, Esthefânia Ribeiro da Costa, Edson Ricardo Martins, Célio da Silva, Cleiton Dias Sabino e Sally Mayara Siewerdt da Silva. Para tentar a vaga olímpica é preciso descer pelo menos em duas temporadas e em três pistas diferentes.