Moeses Fiamoncini no cume do Nanga Parbat
Arquivo pessoal
Moeses Fiamoncini no cume do Nanga Parbat

O alpinista Moeses Fiamoncini tem uma meta audaciosa: escalar as 14 maiores montanhas do mundo, feito nunca atingido por nenhum brasileiro na história. Para alcançar o recorde, ele vai ter que superar muitas dificuldades, como aconteceu em sua escalada no Monte Everest.

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Moeses era um dos corajosos que se aventurou no Everest em 2019, uma das temporadas mais polêmicas da história por conta das 381 licenças emitidas pelo governo do Nepal, que causaram engarrafamento e morte de muitos alpinistas na montanha, algumas delas presenciadas pelo brasileiro.

"Este ano foram 11 mortes no Everest. Quando estamos na montanha é impossível prever todos os riscos. A natureza selvagem que está no controle e nunca sabemos quando uma rocha ou um enorme bloco de gelo vai cair na nossa cabeça. Tudo é possível, precisamos ficar atentos, alertas e esse sentimento não tem preço, pois nos prende 100% no presente".

"Vi muitas avalanches e pedras passando a uma velocidade incrível há alguns metros de onde estava. Às vezes, tinha que correr para não ser atingido. Acho que no total foram 6 corpos que encontrei pelo caminho, e acidente só vi o do resgate frustrado do búlgaro que, infelizmente, morreu em nossas mãos", revelou Moeses Fiamoncini .

Monte Everest teve trânsito carregado de alpinistas
Reprodução
Monte Everest teve trânsito carregado de alpinistas

Chamado de louco por se aventurar nos lugares mais altos do mundo, o brasileiro conta que lamentou o tempo ruim ao chegar no topo do Everest, mas descreve a sensação como algo único em sua vida.

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"A primeira sensação foi de lamentação, pois já pensei que teria que voltar lá por conta de estar tudo nublado e por esse motivo não conseguir ver o horizonte como havia sonhado. Ao mesmo tempo, foi um sentimento de muita gratidão e uma sensação única, pois muitas pessoas dizem que sou louco de arriscar minha vida assim e me perguntam se vale tudo isso. Minha resposta é simples: Se você tem esse sonho e conseguir chegar lá, é a única forma de entender a real dimensão desse feito".

Até o momento, Moeses já escalou metade das 14 montanhas acima dos 8 mil metros de altura do mundo, e acumula histórias de dificuldade e superação. Abaixo, ele elenca alguns dos momentos mais complicados que passou em sua trajetória.

Moeses Fiamoncini em uma das partes mais difíceis do Nanga Parbat
Arquivo pessoal
Moeses Fiamoncini em uma das partes mais difíceis do Nanga Parbat


Sem oxigênio no K2

"Escalar o K2 sem usar oxigênio engarrafado foi com certeza um dos momentos mais difíceis que passei nessa temporada de escalada. Do campo 4, que está localizado a 7650 metros até o cume, nos 8611 metros, são quase 1000 metros de ascensão, que levei 10 horas e 30 minutos escalando sozinho".

Ventos de 70 km/h no Lhotse

"Uma outra foi quando peguei ventos a mais de 70km/h a 200 metros do cume do Lhotse, que forçou me tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida, que foi voltar. Não fiz cume, mas pelo menos não faço parte das estatísticas de morte e congelamento".

Companheiros mortos

"Outra situação bem difícil foi ter visto um dos meus companheiros de escalada morto do lado de fora da barraca durante a tempestade no Everest . É o tipo de situação que você nunca espera ter que passar na vida. Dias depois, mais dois companheiros de expedição acabaram morrendo no campo 4 do Everest, a 7950 metros".

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