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As franquias do quarto maior mercado de mídia dos Estados Unidos estão fracassando na temporada, com seca de cestas, gols e touchdowns. Na NBA, Sixers pode ser o pior da história

Torcedores dos Sixers se vestem a caráter para ver um time que é de matar
Drew Hallowell/Getty Images
Torcedores dos Sixers se vestem a caráter para ver um time que é de matar


A cidade de Filadélfia tem a reputação de ser uma das mais empolgadas dos Estados Unidos quando o assunto é o esporte em geral nos Estados Unidos. O fanatismo, por sinal, faz com que seus torcedores sejam considerados até mesmo dos mais insuportáveis do país. Os famosos "cornetas". 

O comportamento deles é tão ferrenho que a revista "GQ", por exemplo, já elegeu os fãs do Philadelphia Eagles, do futebol americano, e do Philadelphia Phillies, do beisebol, como os mais chatos. E isso vem de longa data. Houve um infame episódio em que, no dia 15 de dezembro de 1968, sofrendo com o frio, neve e ventania, a torcida dos Eagles estava tão frustrada que vaiou um torcedor de 19 anos vestido de Papai Noel que foi levado para o campo na hora do intervalo. Para piorar, quando ele voltou à arquibancada, foi alvo de uma avalanche de bolas de neve, atiradas por todos os lados. Adorável, não? 

Se eles gostam de reclamar e chiar, então, o momento é mais que propício: os times profissionais da cidade vivem uma fase realmente péssima, com acúmulo de derrotas, seca de gols ou cestas e eliminações precoces. Com a crise espalhada por todos os lados e clubes, já devem ter perdido a voz.

Frank Olivo, então com 19 anos, se vestiu de Papai Noel e foi vaiado em Filadélfia
Reprodução
Frank Olivo, então com 19 anos, se vestiu de Papai Noel e foi vaiado em Filadélfia


Recordes negativos na NBA
Tudo começa com o Philadelphia 76ers, o saco de pancadas oficial da NBA, que conheceu nesta quarta-feira sua 16ª derrota seguida na temporada 2015-2016. A verdade é que o time ainda não venceu nenhuma partida no campeonato e, caso perca, as próximas três, vai estabecer o pior início de campanha da todos os tempos da liga de basquete. Ao mesmo tempo, já garantiu a concdição de ser o primeiro a perder os primeiros 16 jogos por dois anos seguidos. Mais: se computada a reta final da temporada passada, já são 26 reveses consecutivos, igualando a pior da história.

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E sabe do que mais? O presidente e gerente geral do clube Sam Hinkie acredita que está tudo normal. Além disso, está com o emprego totalmente seguro. Consegue imaginar esse cenário no esporte brasileiro? Os proprietários da franquia dão respaldo ao plano "maluco" que Hinkie lhes apresentou, à base do "quanto pior, melhor".

Torcedores dos Sixers ficam sem Big Macs grátis e vaiam o time em vitória:

Explicamos: as regras da NBA hoje praticamente incentivam que os times em reformulação formem elencos fracos na esperança de conseguirem uma colocação alta no Draft (recrutamento de calouros) do ano seguinte e, assim, buscar uma futura superestrela. Essa é a principal parte do projeto de Hinkie. Enquanto esse astro não chega, o dirigente tem se envolvido em constantes negociações, procurando acumular diversas escolhas futuras no Draft (que podem aproveitadas ou trocadas por algum jogar que julguem interessante) e investir em jogadores jovens e baratos.

"Não achamos que o sucesso é linear, que a cada ano você vai consguir cinco vitórias a mais e, em dez, chegar a 50. Não é assim que pensamos o mundo. Você tem de estar preparado para se colocar numa posição em que, no futuro, vai dar um grande salto. Estamos concentrados em por os tijolos em seu devido lugar para ter uma chance de competir nos playoffs. Para isso, você precisa de grandes jogadores. É o único meio de conseguir isso", diz o cartola, em rara entrevista coletiva. Entre os torcedores mais fiéis, o plano passou a ser chamado de "O Processo".

O festival de trapalhadas dos Sixers em quadra:

O clube paga, nesta temporada, US$ 57,7 milhões em salários. É a segunda folha mais barata da liga, custando mais apenas que a do Portland Trail Blazers. Mas tem um detalhe aqui: nessa conta, entram os vencimentos do pivô JaVale McGee e Gerald Wallace, que não estão mais vinculados ao time (sim, eles recebem mesmo que tenham sido dispensados). Levando em conta, então, apenas os 15 atletas sob contrato, o valor seria de US$ 35 milhões, menos da metade de outras 21 franquias.

Assumindo uma bomba dessas, o técnico Brett Brown, acostumado com vitórias nos tempos de assistente de San Antonio, se mostra tão estressado na temporada que um grupo de torcedores dos Sixers decidiu fazer uma vaquinha online para lhe dar um kit relaxante.

"Já conseguimos US$ 400. Temos no momento uma cesta de frutas com ervas e chá, uma caixa de trufas de chocolate. Vamos comprar uma garrafa bem cara de Jack Daniels.Uma sessão de spa e massagem... A cada dia, o valor cresce em US$ 50. Talvez eu compre para ele um cachorrinho, ou algo assim", Ronald AngSiy, de 25 anos. Por ora, com uma retrospecto de 37 vitórias e 142 derrotas, o técnico tem o apoio da diretoria.

O técnico Brett Brown precisa de um ombro amigo
Kevin C. Cox/Getty Images
O técnico Brett Brown precisa de um ombro amigo


Em quadra, o Philadelphia tem o pior aproveitamento de arremessos de quadra do campeonato, acertando apenas 41,2% de suas tentativas. A equipe também é aquela que  mais desperdiça a bola, com média de 17,8 por jogo. Não à toa, então, que seu ataque seja o menos produtivo da liga, com 89,8 pontos por partida.

No geral, a média de púlbico do time nesta temporada é a terceira pior, superando apenas as de Minnesota e Denver, com 14.240 pagantes em média.. Na temporada passada, o time teve a pior marca. Em 2013-14, a segunda pior.

Fugir para onde?
Quarto maior mercado de mídia dos Estados Unidos, Filadélpia é uma das nove cidades
do país a abrigar clubes das quatro grandes ligas norte-americanas - NBA, NFL (futebol americano), MLB (beisebol) e NHL (hóquei) e uma das três em que seus quatro clubes jogam dentro de suas fronteiras, em vez de municípios da área metropolitana. São times tradicionais, que estão na metrópole desde os anos 60 e que curiosamente têm seus estados e arenas localizados num mesmo complexo esportivo. Juntos, esses clubes somam dez títulos nacionais.

O complexo esportivo que reúne as principais arenas de Filadélfia
Divulgação
O complexo esportivo que reúne as principais arenas de Filadélfia


Se os Sixers vão mal das pernas, então ao menos os torcedores estão repletos de alternativas para compensar, certo? Em teoria, sim. Na prática, porém, está complicado de escapar da depresssão.

A temporada da MLB já acabou, e o Philadelphia Phillies, acreditem, teve a pior campanha dentre 30 franquias. Foram 99 derrotas no total e um aproveitamento de
38,9%, um pouco abaixo Cincinnati Reds (39,5%). Nem mesmo em casa o time conseguiu uma campanha positiva, terminando com 37 vitórias e 44 derrotas.

No hóquei, a situação não melhora tanto. Os Flyers perderam quatro de seus últimos
cinco jogos e estão na penúltima colocação da Divisão Metropolitana. No geral, é a quinta pior campanha da NHL. Nessa sequência negativa, o time chegou a ficar 141 minutos sem conseguir marcar sequer um gol. Com 36 gols na temporada, eles vivem o pior início ofensivo da franquia e têm também o pior ataque da liga (com média de 1,73, abaixo do 1,91 do Anaheim Ducks).

Torcedores dos Eagles não perdoam e castigam fãs do 49ers com bolas de neve:

Se não deu com essas duas, resta o Philadelphia Eagles, da NFL, como salvação. Até o dia 15 de novembro, a equipe ao menos tinha um aproveitamento de 50%. Mas perdeu os últimos dois jogos e agora, em 11 partidas do calendário 2015-16, já soma sete derrotas, tendo tomado uma surra do Detroit Lions nesta quinta-feira, em pleno feriado de Ação de Graças, por 45 a 14. Restando ainda cinco rodadas pela temporada regular, ainda têm chances de classificação para os playoffs, mas se veem muito complicados na disputa por uma vaga.

Embora esteja vivo na competição, o clima em torno da franquia não é dos melhores. O técnico e gerente geral Chip Kelly, que assumiu a dupla função em janeiro, vem sendo durante criticado pelos torcedores e especialistas locais. Pedindo anonimato, jogadores do time afirmam que há companheiros fazendo corpo mole em campo, com o intuito de derrubá-lo. Diversas lesões também atrapalham seus planos.

Como se não fosse o bastante, o time de futebol -- ou "soccer -- da cidade, o Union, também ficou fora dos playoffs da MLS, com sete vitórias, sete derrotas e três empates, 12 pontos abaixo do Toronto FC, que fechou a zona de classificação da Conferencia Leste. 

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