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Entre as propostas aprovadas, está o barateamento das futuras candidaturas olímpicas e a realização de alguns eventos em outras cidades ou até mesmo países vizinhos da sede dos Jogos

Os membros do COI (Comitê Olímpico Internacional) aprovaram nesta segunda-feira ousadas medidas para reformular a maneira como as cidades vão se candidatar para sediar os Jogos Olímpicos. Grandes mudanças no processo de candidatura foram aprovadas por unanimidade, tornando mais fácil e barato para as cidades sediar as Olimpíadas. 

O presidente do COI, Thomas Bach, fala aos integrantes da entidade na sessão desta segunda-feira, durante a 127ª Assembleia Geral
REUTERS/ERIC GAILLARD
O presidente do COI, Thomas Bach, fala aos integrantes da entidade na sessão desta segunda-feira, durante a 127ª Assembleia Geral


A votação levou a Mônaco os mais de 100 membros do COI, com promessas de estimular mudanças e inovação entre os dirigentes esportivos. As mudanças no processo de candidatura incluem a permissão para que os anfitriões realizem alguns eventos em outras cidades e até mesmo países na mesma Olimpíada.

“A compactação dos Jogos tem que ser avaliada pelo benefício de utilizar os locais já existentes”, disse o australiano John Coates a seus companheiros do COI no Fórum Grimaldi, em Mônaco. 

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“Essas mudanças contemplam cidades e países diferentes para sediar os Jogos, e isso é por motivos de sustentabilidade”, disse Coates, que liderou um grupo de trabalho que analisou o processo.

Preocupado em evitar uma situação como a que aconteceu com a candidatura para os Jogos de Inverno de 2022, quando quatro dos seis candidatos abandonaram a corrida por preocupações financeiras, prejudicando a reputação dos Jogos como um projeto lucrativo, o COI foi unânime na adoção das recomendações.

As mudanças têm como meta reduzir o custo de candidatura e permitir que as cidades integrem os Jogos Olímpicos aos planos da cidade, em vez de adaptar a cidade à competição.

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As mudanças também incluem uma fase de convites em que possíveis candidatos podem primeiramente discutir os planos com o COI antes de decidir se lançarão ou não sua campanha para sediar os Jogos.

Isso evitará uma repetição do fracasso sobre o processo para 2022. 

Veja as principais mudanças aprovadas pelo COI para as Olimpíadas

1) Programação esportiva: será baseada em eventos, e não em esportes, o que significa que mais do que os atuais 28 esportes olímpicos podem ser incluídos em futuras edições, contanto que o número total de atletas (10.500) e eventos (cerca de 310) não aumente.

O beisebol e o softball, que foram eliminados dos Jogos depois da Olimpíada de Pequim em 2008, agora são fortes candidatos a um retorno na edição de Tóquio, em 2020.

O COI também irá estabelecer laços mais estreitos com ligas esportivas profissionais para garantir que os melhores atletas de cada esporte participem dos Jogos. Há tempos o hóquei no gelo luta para convencer sua liga a dividir a temporada de forma que seus melhores jogadores possam competir na Olimpíada.

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2) Candidatura das sedes olímpicas: os pré-requisitos do COI para cidades candidatas a sede serão suavizados, e as pretendentes serão estimuladas a ver como seus planos se ajustam a uma candidatura olímpica em potencial.

O COI ainda irá convidar sedes em potencial, antes de sua candidatura oficial, a discutir seus planos de maneira a evitar que desistam de concorrer, como aconteceu no caso da Olimpíada de Inverno de 2022, no qual quatro das seis concorrentes retiraram suas propostas no meio do processo.

As candidaturas se tornarão mais baratas, já que o COI irá contribuir com o custo da campanha das cidades candidatas, pagar parte das viagens e limitar as apresentações. O custo da candidatura da Olimpíada de Verão pode chegar a 100 milhões de dólares.

3) Competições olímpicas: agora o COI permite que os organizadores realizem algumas competições fora da cidade-sede, rompendo com a antiga tradição de manter os eventos dos Jogos em uma mesma localidade para não diluir seu impacto ou apelo comercial.

Em casos excepcionais, as competições podem até ser transferidas para um país diferente, sobretudo por motivos de sustentabilidade e para evitar ‘elefantes brancos’ que prejudicam a reputação da Olimpíada como evento que deixa legados esportivos importantes.

4) Canal olímpico: o COI irá criar seu próprio canal ‘exclusivamente digital’ ao custo de quase meio bilhão de euros com o objetivo de aumentar a exposição da Olimpíada durante o ano.

Transferir as Olimpíadas da Juventude (de Verão e de Inverno) para anos não-olímpicos garantiria uma competição olímpica por ano no quadriênio, o que daria ao canal a possibilidade de dividir o conteúdo ao longo de quatro anos.

5) Discriminação: o COI reforça seu Princípio 6 contra toda forma de discriminação, acrescentando especificamente de sexo ou de orientação sexual, em uma emenda em sua Carta Olímpica. A medida visa evitar uma repetição da polêmica dos Jogos de Inverno deste ano em Sochi, onde ativistas disseram que uma lei russa antipropaganda gay discriminou homossexuais.

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