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Problema acabou sendo um dos marcos do esporte brasileiro em 2013 ao afetar futebol, basquete e vôlei

Não foram raras as demonstrações de insatisfação dos jogadores com a situação do futebol no país durante o último Brasileirão. Faixas, abraço coletivo, braços cruzados e trocas de posse de bola entre as equipes no minuto inicial dos jogos foram algumas das ações de protesto vistas na competição. Todas faziam parte do protesto do Bom Senso F.C., grupo formado por atletas que cobra da CBF uma série de mudanças no futebol. A principal delas é o calendário, problema que afetou também outras modalidades no Brasil em 2013.

Jogadores cruzam os braços antes da partida entre Criciúma e Atlético-PR pelo Brasileirão de 2013
Fernando Ribeiro/Futura Press
Jogadores cruzam os braços antes da partida entre Criciúma e Atlético-PR pelo Brasileirão de 2013

O basquete, por exemplo, viu uma situação parecida no mês de novembro, quando três equipes -- Paschoalotto/Bauru, Vivo/Franca e Pinheiros/Sky -- tiveram dois jogos marcados no mesmo dia. Um pelas semifinais do Campeonato Paulista, outro pela rodada de estreia do NBB. O enrosco foi resultado de uma queda de braço entre FPB (Federação Paulista de Basquete) e LNB (Liga Nacional de Basquete), entidades que organizam as duas competições, na qual ninguém quis ceder. Nenhuma das duas voltou atrás na marcação dos duelos.

A medida encontrada de imediato pelos clubes foi a de usar força máxima nos playoffs do Paulista e recorrer às categorias de base no primeiro jogo do NBB. Mas os atletas se uniram e deram um jeito de deixar bem claro o descontentamento. Assim, as partidas nas duas competições tiveram um protesto curioso: nas duas primeiras posses de bola de cada time, os jogadores gastaram os 24 segundos no relógio sem tentar nenhuma jogada. Os torcedores que compareceram aos jogos entenderam o que estava acontecendo e aplaudiram a ação.

"Na verdade, a ideia veio do futebol", admitiu ao iG  o armador Paulinho, que defende o Pinheiros. "Espero que não tenhamos que passar por isso novamente e que as manifestações surtam algum efeito. Não queremos ter esse tipo de preocupação", afirmou, referindo-se ao fato de uma equipe ter duas partidas marcadas para o mesmo dia.

Guto, ala do Palmeiras
Divulgação
Guto, ala do Palmeiras

A esperança de que as manifestações de novembro façam com que esse tipo de conflito de datas não se repita no futuro é compartilhada pelo ala Guto, do Palmeiras/Meltex. "Espero que exista mais organização, mais união entre as ligas, buscando o melhor para os atletas e para o torcedor, que merece ser respeitado", disse.

O vôlei não teve nenhuma situação tão inusitada quanto essa do basquete. Também não se viu nenhum tipo de manifestação dos jogadores em quadra. Não significa, no entanto, que o calendário da modalidade tenha sido uma perfeição. Longe disso. A Superliga teve início em setembro, algo que os jogadores já desejavam havia algum tempo. Mas entrou em pausa dois meses depois para as seleções brasileiras disputarem a Copa dos Campeões.

O problema não foi só por causa das seleções. As equipes tiveram de dividir as atenções com outras competições no meio do caminho além da Superliga, deixando mais complicada para os torcedores a tarefa de entender o que valia a partida a que estava assistindo e também submetendo os atletas a uma maratona nos últimos meses.

Gustavo, central do Canoas
Divulgação/CBV
Gustavo, central do Canoas

"Devido à necessidade de começar a Superliga antes, parece que ficou um pouco bagunçado. Teve muita interrupção", admitiu o central Gustavo, campeão olímpico nas Olimpíadas de 2004 que atua no Kappesberg Canoas. "Mas foi uma mudança válida, para a Superliga ter o nome divulgado desde setembro. Nos outros anos, começava em dezembro, o calendário ficava apertado, com muitas viagens e jogos sem tanto descanso, o que até fazia o nível técnico cair um pouco. Por tudo isso, tivemos de iniciar antes."

O problema é que essa sequência de jogos continuou acontecendo, já que as competições entre os clubes se acumularam na reta final do ano. De acordo com Gustavo, que também é presidente da comissão de atletas, a intenção inicial com a antecipação da Superliga era justamente a de evitar uma maratona das equipes. Situação que deve ser um pouco melhor em 2014. "As partidas podem ser mais distribuídas, já que em novembro (deste ano) teve essa pausa", afirmou o central.

A luta não para

As manifestações de descontentamento dos jogadores de futebol com o calendário devem ser vistas novamente em 2014. Não é raro ver o zagueiro Paulo André reclamando da falta de atenção da CBF com as questões levantadas pelo Bom Senso F.C. Por isso, ele chegou afirmar nesta semana que os jogadores podem optar por fazer uma greve. "Na minha opinião, é a única coisa que faria as pessoas que dirigem o esporte tomarem alguma providência sobre as nossas reivindicações", disse o zagueiro do Corinthians. 

O sentimento de que é necessário continuar cobrando as entidades que organizam os campeonatos existe também no basquete. Para Paulinho, o ideal seria que as providências em relação ao calendário de 2014 fossem além da não marcação de dois jogos no mesmo dia. "A gente espera ter uma folga maior no calendário do final do ano. Além disso, o ideal seria termos no máximo três jogos por semana, pois assim não nos desgastaríamos tanto fisicamente e psicologicamente", analisou o armador do Pinheiros. 

"Um calendário tem de ser justo e bom para as ligas, torcedores, clubes e atletas. Sem brigas e com muita união, para que o maior beneficiado seja o esporte", afirmou Guto, ala do Palmeiras. 

Com relação ao vôlei, a única coisa que pode-se esperar é que 2014 tenha um problema a menos em relação à atual edição da Superliga. "Essa pausa durante a competição não vai mais acontecer. A próxima temporada vai começar em outubro e não terá interrupções", prometeu Gustavo.

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