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Após reunião com a Wada, autoridades brasileiras também aguardam novo credenciamento do Ladetc para 2015, antes das Olimpíadas do Rio

O Ladetec irá realizar os controles de dopagem na Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016
Divulgação
O Ladetec irá realizar os controles de dopagem na Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016

O dilema criado pela revogação das credenciais do Ladetec , laboratório do Rio de Janeiro que fora escolhido pelo governo brasileiro para realizar os exames antidoping durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, aparentemente começa a ter uma solução. Após reunião de mais de dez horas de duração com a Wada (sigla em inglês para Agência Mundial Antidoping), em Montreal, no último dia 6, os representantes brasileiros acertaram o procedimento para o recredenciamento do Ladetec e apresentaram uma proposta para a realização dos exames antidoping na Copa de 2014.

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Durante o Mundial do próximo ano, o Brasil terá a ajuda de um "laboratório-satélite" para fazer os controles de dopagem ao longo do torneio, bem como os exames de sangue para a criação do "passaporte biológico" dos jogadores, uma exigência da Fifa. Para isso, o governo pegará "emprestada" a credencial de um outro laboratório reconhecido pela Wada (a definir), além de montar um plano de trabalho e receber uma equipe deste laboratório para atuar com os técnicos brasileiros. Na prática, os exames serão realizados fisicamente no Ladetec, embora oficialmente seja um outro laboratório que estará no comando da operação.

Veja também: Wada retira credencial de laboratório brasileiro para Copa 2014 e Rio 2016

"Este plano ainda será apresentado à Fifa para a sua aprovação, mas acredito que eles irão aceitá-lo", diz Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), que esteve na reunião na sede da Wada acompanhado do diretor do Ladetec, Francisco Radler. Para a Copa do Mundo, deverão ser realizados cerca de 250 exames antidoping, além de possíveis testes de urina antes da competição, seguindo as normas da Fifa.

E também: Governo não irá recorrer de decisão da Wada e futuro do Ladetec ainda é incerto

Um procedimento semelhante foi usada durante os Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara. Os controles de dopagem estavam previstos para acontecer no laboratório da Cidade do México, que ainda estava em processo de credenciamento. Para não ficar sem realizar os exames durante a competição, os mexicanos utilizaram a credencial e uma equipe do laboratório de Barcelona.

Por enquanto, a preocupação da ABCD será em fiscalizar de perto a conclusão das obras do novo prédio do Ladetec, na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Somente após finalizadas as obras, é que se iniciará o processo de recredenciamento pelo laboratório brasileiro. O Governo, através do Miniestério do Esporte, já repassou R$ 15,7 milhões para obras e projetos de engenharia.

Credencial em 2015

No encontro em Montral, ficou acertado também que o Ladetec entrará com pedido de recredenciamento "fast track" (via rápida), procdimento mais rápido do que os trâmites tradicionais. "Teremos um processo altamente detalhado, com uma série de testes durante cerca de um ano, para mostrarmos nossa capacidade operacional", explica Klein. Desta forma, a expectativa é que o Ladetec receba novamente seu reconhecimento pela Wada até o segundo semestre de 2015.

"Com isso, o laboratório estará em condições operacionais para as Olimpíadas e até mesmo para os futuros eventos-testes que o Rio de Janeiro precisará organizar. Além disso, a partir do primeiro semestre de 2016, diversas delegações virão ao Brasil para iniciar o processo de aclimatação de seus atletas e poderemos ser acionados pelas entidades de cada país para realizar controles de dopagem de surpresa", diz o diretor-executivo da ABCD.

Leia mais sobre o descredenciamento do Ladetec no blog Espírito Olímpico

Segundo Klein, a Wada mostrou-se satisfeita com os procedimentos já adotados pelas autoridades brasileiras para a solução dos problemas que levaram ao descredenciamento e se colocou à disposição para ajudar no que for necessário para o processo de regularização. "Eles têm o maior interesse que o Ladetec recuper suas credenciais, mas ficarão atentos durante todo este período. Teremos muito trabalho pela frente", afirma Marco Aurélio Klein.