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Eric Maleson afirma que contas e despesas da Confederação Brasileira de Deporto no Gelo sempre estiveram regulares em sua gestão e reclama de interferência do COB

Eric Maleson, presidente afastado da CBDG
Arquivo pessoal
Eric Maleson, presidente afastado da CBDG

A atual equipe do Brasil de bobsled se prepara para começar a competir e buscar uma vaga nas Olimpíadas de Inverno de Sochi, na Rússia, em 2014. Enquanto isso, o esporte rende polêmica fora das pistas de gelo.

Em resposta à  matéria publicada pelo iG no dia 15 de fevereiro , Eric Maleson, presidente afastado da CBDG (Confederação Brasileira de Desporto no Gelo) rebate afirmações de Edson Bindilatti, atual piloto do time brasileiro sobre a sua gestão à frente da entidade.

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Maleson nega que havia irregularidades na CBDG. “A confederação sempre esteve regular com suas certidões negativas em dia. E todas as prestações de contas foram aprovadas”, disse Maleson ao iG.

Bindilatti foi quem liderou na Justiça uma ação para tirar Maleson do comando. De acordo com o atleta, por conta de irregularidades, a CBDG ficou sem receber a verba da Lei Piva. Mais uma vez, Maleson se defende.

“Ficou acertado com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) que as despesas seriam pagas por eles. Isso foi feito até 2010 para que nenhum atleta fosse prejudicado. O problema com o COB começou quando nós reivindicamos que o saldo de 2010, que era de aproximadamente R$ 840 mil. Eles disseram que não iriam repassar o saldo e que esses recursos não estavam mais disponíveis”, explica Maleson.

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O presidente afastado diz ainda que não aceitou a resposta do COB porque tinha um contrato assinado pelo vice-presidente da entidade que garantia o pagamento. “Ficou claro para todos que a redução no saldo da CBDG para R$ 500 mil não foi baseada em nenhum critério técnico. A CBDG foi a única entidade a ter o seu orçamento diminuído”, afirma Maleson. “Isso foi uma retaliação por parte do COB, com o objetivo de mandar uma mensagem clara a todos os presidentes que tivessem a ousadia de ir contra a sua gestão”, completa. Maleson foi um dos presidentes de confederação a votar contra Carlos Arthur Nuzman no último pleito do comitê olímpico. O outro foi José Maria Marin, da CBF, que não compareceu à eleição.

Procurado pelo iG, o COB diz que Maleson foi afastado do cargo por uma determinação da Justiça do Rio de Janeiro e comenta o repasse de verbas. “Não houve qualquer intervenção do Comitê Olímpico Brasileiro na Confederação Brasileira de Desportos no Gelo. O Sr. Eric Maleson foi afastado da presidência da CBDG por determinação da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que julgou procedente o processo movido pelo atleta olímpico de bobsled Edson Bindilatti. Após investigação realizada na CBDG, o juiz entendeu que houve uma série irregularidades na gestão da entidade, inclusive desvio de dinheiro, o que impossibilitou a continuidade dos repasses dos recursos da Lei Agnelo/Piva”, responde o comitê.

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Eric Maleson foi afastado da presidência da CBDG no final do ano passado e Emilio Strapasson assumiu o cargo como interventor. “O juiz nomeou um novo presidente por seis meses, a fim de que este regularize a situação da CBDG e convoque novas eleições”, fala o comitê. Já Maleson segue no ataque e diz que o TJ-RJ o suspendeu do cargo para colocar em seu lugar um membro do COB.

Verba aos atletas

Eric Maleson diz ainda que os atletas não deixaram de competir em nenhum momento, como também havia falado Edson Bindilatti. “Nenhum atleta deixou de competir e vale mencionar que naquela temporada conquistamos duas medalhas: um ouro e um bronze”, fala Maleson. “Foi gasto R$ 500 mil entre 2008 e 2009 com a equipe, portanto, Edson e os demais receberam o maior apoio financeiro da história da modalidade no Brasil”, conclui.

Futuro da presidência da CBDG

Maleson contesta o seu afastamento e já enviou um pedido ao COI (Comitê Olímpico Internacional) para que a entidade interfira. “O COI, nessa primeira fase, me informou que analisa se o assunto pode ser resolvido de maneira interna, ou seja, entre o COB e a CBDG. Depende agora do COB agir de maneira responsável e mudar a sua maneira de tratar a CBDG”, conta.

Ele cita também uma invasão à sede da confederação em busca de documentos orquestrada pelo COB durante toda essa polêmica. Mais uma vez, o comitê responde: “Sobre o acesso à sala, que estava sem uso pela CBDG, este se deu exclusivamente pela necessidade de realizar a verificação de documentos para o processo de auditoria na entidade, auditoria esta determinada pela Justiça e com prazos a serem cumpridos”.

Maleson não desanima. “Tenho confiança de que retornarei a CBDG, pois colocamos uma farta quantidade de provas documentais no processo que provam a minha inocência”.