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Ex-ministro das Cidades e coordenador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro afirma que 47% dos equipamentos já existem e muitas obras de infraestrutura fazem parte do PAC e do projeto da Copa de 2014

Projeto do parque olímpico para as Olimpíadas do Rio 2016
Divulgação
Projeto do parque olímpico para as Olimpíadas do Rio 2016

Responsável pela coordenação das obras que vão garantir a Olimpíada de 2016 no Rio, o presidente da Autoridade Pública Olímpica, Márcio Fortes, viajou para a Inglaterra em julho com a missão de acompanhar os mínimos detalhes dos Jogos promovidos pelos súditos de Sua Majestade. Como membro da comitiva da presidente Dilma Rousseff, ele assistiu à cerimônia de abertura, depois cumpriu rápida agenda no Brasil e voltou a Londres onde ficou até o encerramento no domingo 12. Diante de tudo que viu e ouviu, Fortes chegou a uma conclusão: as Olimpíadas do Rio serão mais baratas do que as de Londres, que custaram 11 bilhões de libras (R$ 33 bilhões) ao Tesouro britânico. “Em Londres, as autoridades saíram do zero. O complexo olímpico foi construído numa área degradada da cidade. No nosso caso, tratamos do saneamento como obra do PAC, que não entra na conta das Olimpíadas. As políticas públicas já vinham sendo executadas antes. Aqui temos que separar o que é Olimpíada e o que não é. É impossível estimar quanto o país vai gastar com as Olimpíadas, mas seguramente será bem menos do que Londres”, afirmou o ex-ministro das Cidades, em entrevista exclusiva ao BRASIL ECONÔMICO.

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Mas qual será exatamente o orçamento? Pode sair por R$ 15 bilhões, a metade do custo de Londres? Cauteloso, Márcio Fortes evita fazer qualquer previsão mais precisa. “Muitas das obras serão feitas no regime diferencial de compras, sem licitação. Se eu divulgasse números, poderia influenciar no preço dos futuros candidatos às obras”, justifica-se. Mas insiste que no Rio já há grande parte dos aparelhos necessários para a realização dos Jogos. "Em relação às obras de infraestrutura desportiva, nós tivemos recentemente o Pan-Americano de 2007 e os Jogos Mundiais Militares de 2011, logo, já temos cerca de 47% das instalações esportivas existentes. Não que estejam a ponto de utilização, mas existem", explica. Mas ressalta que há algumas surpresas fora do roteiro. Entre elas a necessidade de construir uma nova piscina olímpica, um novo velódromo e uma corredeira para as provas do slalom da canoagem. “Em Londres, a corredeira custou 30 milhões de libras. Aqui podemos construí-la em Deodoro e temos de pensar no legado para o público”.

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Pode parecer implicância, mas Fortes não trouxe boas lembranças de Londres. "Pela primeira vez na minha vida fui assaltado, ao sair do hotel em Marble Arch, perto do Hyde Park. O ladrão me deu uma gravata por trás e levou US$ 250. Por sorte, não perdi o passaporte", conta o presidente da APO. Outro ponto fraco foi a chegada no Aeroporto de Heathrow: "Meu avião, da Tap, levou 45 minutos parado na pista até receber a autorização para ocupar um finger". Ele também ficou espantado com o preço das passagens aéreas e dos hotéis. "Houve gente que pagou R$ 14 mil na classe executiva. Mesmo respeitando a lei da oferta e da procura, isso não poderá se repetir no Rio", diz. Hoje, a APO tem 60 funcionários e poderá chegar a 180 até 2016. Em breve, o órgão trocará uma ala do 37º da sede do Banco do Brasil no Rio por dois andares no prédio da Caixa Econômica. Otimista, Márcio Fortes garante que o cronograma de obras está em dia. E aposta firme no sucesso dos Jogos Olímpicos do Rio. "Obras a gente faz, só não posso garantir as medalhas de ouro", brinca ele, torcedor apaixonado do Fluminense.

Diante do balanço da Olimpíada de Londres, já é possível prever qual será o orçamento dos Jogos Olímpicos do Rio?

No momento da candidatura foi feito um dossiê em que eram relacionadas as instalações desportivas e não desportivas, infraestrutura em geral e serviços necessários. Havia a apresentação de tudo que seria feito para o Rio ter uma Olimpíada. Mas isso não quer dizer que todos os custos assinalados na candidatura sejam essenciais. Tudo foi colocado em um pacote só, mas hoje temos que separar o que é custo de Olimpíada e o que hoje é custo de outras competições, como a Copa do Mundo de 2014, e o que são políticas públicas. Os projetos existem. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, vem de 2007, anterior à escolha da cidade, e só o Ministério das Cidades tinha definido recursos de cerca de R$ 8 bilhões, na época. Aí entram projetos de urbanização, de habitação, de saneamento e transporte urbano, ou seja, coisas que precedem as Olimpíadas. Há também contas que são da Copa. O Maracanã é local de abertura e encerramento das Olimpíadas, mas também será palco de jogos e da final da Copa. Estamos mexendo nos aeroportos por causa das Olimpíadas e da Copa ou por que precisam mesmo? Há custos e projetos essenciais, sem os quais os Jogos não se realizariam, como os aparelhos olímpicos, a Vila Olímpica, o Centro de Imprensa, o IBC (International Broadcasting Center), entre outros. O IBC é um dos prédios que mais geram discussão a respeito do legado. O prédio tem um pé direito altíssimo e estruturas pesadas. Há empresas de televisão que poderiam aproveitar. Talvez universidades.

Mas não se trabalha com uma estimativa de custo final?

Não temos ainda. Essa pergunta já foi feita várias vezes. Nas Olimpíadas de Londres foram gastos cerca de 11 bilhões de libras, ou seja, quase R$ 33 bilhões. Quando houve o dossiê de candidatura, houve valores alocados para as instalações, mas são custos estimados. Na época, o ministério dos Esportes contratou uma consultoria para fazer uma média de custos para instalações no mundo inteiro. Isso não significa que aquilo esteja adaptado às condições locais e as características de custo de obras. Então, aquilo foi feito para o dossiê, pois eram necessários valores de referência, mas não correspondem à realidade.

Bandeira dos Jogos Olímpicos está no Brasil e já passou pelo Palácio do Planalto
Agência Brasil
Bandeira dos Jogos Olímpicos está no Brasil e já passou pelo Palácio do Planalto

Os 11 bilhões de libras gastos na Olimpíada de Londres podem servir como parâmetro?

Não, porque lá foi diferente. A APO é um consórcio que não lida com dinheiro, a não ser que haja um caso crítico. Lá a Olympic Delivery Authority foi a entidade pública criada para fazer as Olimpíadas, ou seja, eles tiveram recursos para licitar os projetos e a execução. Eles tiveram ascendência até para discutir questões ambientais. Não podemos confundir os dois órgãos. A diferença grande é que Londres pegou uma área degradada e fez recuperação total do local, inclusive ambiental, o que gerou um custo muito grande. Diferente do nosso caso, que tratamos, por exemplo, do saneamento como obra do PAC, então não entra na conta das Olimpíadas. As políticas públicas já vinham sendo executadas antes das Olimpíadas e vão ser até ampliadas. A conta de Londres engloba tudo. Aqui temos que separar o que é Olimpíada e o que não é.

Então, já que os 11 bilhões de libras foram demais, porque os ingleses saíram do zero, podemos considerar que gastaremos a metade no Rio?

Não temos o valor, porque não temos os projetos. Por exemplo, se incorporarmos alguns requisitos que as Federações pedem nos aparelhos que aparecem no dossiê de candidatura, os números disparam. Eu estaria impedido de divulgar números, se tivéssemos, porque existe o Regime Diferencial de Compras, sem licitação, e não posso influenciar no preço dos futuros interessados.

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Qual é exatamente o papel da Autoridade Pública Olímpica (APO)?

A APO trata da coordenação das iniciativas dos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) e trabalha também, juntamente com a Rio 2016, para que toda a infraestrutura desportiva e não desportiva seja entregue a tempo para os Jogos. Também, o que é muito importante, buscamos garantir a realização de todos os serviços de apoio, como imigração na aduana do aeroporto, regras sanitárias para entrada de cavalos, disponibilizar energia para as áreas de competição, segurança, entre outros. Aqui nós tratamos ainda das isenções tributárias. Já a Rio 2016 reúne o Comitê Olímpico Brasileiro, as Federações e Confederações das modalidades que têm competições. Ela é responsável por organizar os Jogos e a venda de ingressos, colocar os placares e os equipamentos nas infraestruturas esportivas, além de treinar os voluntários.

Como o sr. avalia a preparação do Brasil para os Jogos de 2016? Estamos num ritmo bom ou há atrasos como no caso da Copa do Mundo?

Estádio do Maracanã segue em obras para a Copa do Mundo de 2014
Monitoramento/ME/Portal da Copa
Estádio do Maracanã segue em obras para a Copa do Mundo de 2014

Em relação às obras de infraestrutura desportiva, nós tivemos recentemente o Pan-Americano de 2007 e os Jogos Mundiais Militares de 2011, logo, já temos cerca de 47% das instalações esportivas existentes. Não que estejam a ponto de utilização, mas existem. Há casos que necessitam ampliação, para aumentar o número de espectadores, ou reformar, por conta de qualquer exigência técnica. E também vamos ter que construir novas instalações, então, estamos falando dos outros 53%.

Mas como está o andamento das obras das novas instalações?

Em maio deste ano, foram assinados dois acordos de cooperação entre o governo federal, o município e a APO com vistas à elaboração dos projetos básicos e executivos para as instalações do Parque Olímpico da Barra. Em seguida, teremos as licitações. Então, estamos tratando, em um primeiro momento, de requisitos técnicos das Confederações, Federações Internacionais, do Rio2016, do Comitê Olímpico Internacional (COI), para que a gente possa, para cada instalação, ter os termos de referência para uma licitação de um projeto básico e, em seguida, haverá a licitação para a execução. No meio do caminho, este pacote de cooperação é para nós trabalharmos juntos, o governo federal que vai disponibilizar o recurso, a prefeitura do Rio que vai executar mais adiante, e a APO que vai coordenar esta parte toda de requisitos. Isto tudo para que tenhamos instalações funcionais, bonitas e espartanas em custos. Todos os equipamentos têm que ficar prontos um ano antes dos jogos, para que sejam testados.

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Quais instalações terão que sair do zero?

Instalações complexas e de maior custo, que vamos ter que sair do zero, geram até um problema de legado. Por exemplo, no slalom, não são mais usadas corredeiras naturais, tem que haver uma instalação com projeto hidráulico. A modalidade custou em Londres 30 milhões de libras, aproximadamente, R$ 90 milhões, e se tem no mundo apenas 82 atletas. Então, temos que pensar no legado, em como será a utilização. Em Londres, as pessoas pagam £ 50 para utilizar a instalação, então, eles já recuperaram cerca de R$ 6 milhões. Teremos que fazer a pista do BMX também. Deodoro tem um componente adicional que é ser uma área militar, então temos que pensar no legado. Algumas instalações até poderão ser desmontadas ou levadas para outro lugar. O legado passa por alguém que promova o esporte, governo federal, estadual ou municipal, e convênios com Comitês e Confederações para que o esporte seja desenvolvido. Mas isso tem um custo, que é bastante alto.

Por que algumas instalações existentes não poderão ser utilizadas? Temos um bom campo de golfe no Itanhangá, por exemplo, mas vamos construir outro.

O golfe há 102 anos estava fora das Olimpíadas e retorna na próxima. Então, ficou a cargo do prefeito Eduardo Paes encontrar uma área disponível para o novo campo. Ele, juntamente com o Rio 2016, tem a proposta de fazer lá na Barra, num terreno próximo ao mar próximo à Reserva. O golfe, desde que você tenha um belo campo, atrai participantes do Circuito Mundial, o que resolverá seu legado. No Parque Olímpico também há a necessidade de se construir uma piscina nova. Temos o Parque Aquático Maria Lenk, mas as federações internacionais, em função dos Jogos, começam a pedir mais assentos para os espectadores. Então, foi acertado que lá ficarão os saltos ornamentais e o pólo aquático, e a natação vai para a nova piscina. Ainda estamos fazendo reuniões para resolver o caso do velódromo. A questão básica é se a pista atende aos requisitos internacionais ou não.

O sr. falou da construção do Parque Olímpico da Barra. Foi feita uma PPP para tocar o projeto?

Sim. Foi feita uma parceria público-privada, responsável por toda a infraestrutura da área do Parque. O consórcio responsável inclui Odebrecht, Carvalho Hosken e Andrade Gutierrez. Fará toda terraplanagem, toda infraestrutura, como tubulações, parte elétrica, saneamento etc. Mas também vai construir três grandes ginásios, o Centro de Mídia e um pequeno hotel de 400 lugares. As outras instalações que faltam, ou seja, a piscina, quadra de tênis, o velódromo e a arena do handball, vão ficar por conta dos recursos do governo federal que chegam à Prefeitura via Caixa.

A construção do Parque Olímpico ainda está esbarrando na transferência do autódromo da Barra para Deodoro?

Essa questão vem desde o Pan-Americano de 2007, pois lá foram construídos a HSBC Arena, o velódromo e o Parque Aquático. O compromisso era construir um novo autódromo em outra área. Foi acertada com o governo federal a utilização da área de Deodoro. Está em elaboração um projeto por parte do Ministério dos Esportes para o novo autódromo. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) já emitiu parecer e o Ministério Público também já se manifestou. Estamos olhando todos os lados para saber se haverá necessidade de adaptação do projeto, pois o MP pede que seja feito reestudo da fauna e da flora. Para nós, a discussão já está no final.

Antes da Olimpíada, muitos disseram que os meios de transporte londrinos entrariam em colapso durante os Jogos. O setor é apontado como um dos principais gargalos da Olimpíada no Rio. O que o sr. viu em Londres?

A regra do Comitê Olímpico Internacional é fazer as Olimpíadas sem prejudicar a cidade. Então, em Londres se dizia que os trens estariam abarrotados, o que não aconteceu. Muito porque, como as Olimpíadas foram no verão, houve a saída de pessoas da cidade. Em Londres, foi ainda criada uma linha específica que levava para o local dos eventos e já há redução do tráfego no centro da cidade. Houve reclamações dos moradores quanto à Games Lane, pista exclusiva para a família olímpica, pois diminuía uma pista para os moradores. Foram também disponibilizados carros para a família olímpica, e algumas pessoas reclamaram que os motoristas, que eram voluntários, não conheciam bem a cidade.

Vamos ter problemas ou não com os transportes aqui no Rio?

Alguns itens de transporte são compromisso olímpico, como a ligação da Barra da Tijuca com a Zona Sul da cidade. Temos BRTs (Transoeste, que chega à Santa Cruz; TransCarioca, do aeroporto até a Barra; TransOlímpica, que liga o Parque Olímpico à Deodoro; e TransBrasil, que liga o Centro à Deodoro) e o metrô ligando a Zona Sul à Barra da Tijuca. O governo do Estado também garante que o metrô ficará pronto até lá. Só temos um ponto delicado, que é a ligação, para a família Olímpica, do trecho Gávea-São Conrado. O grande investimento vai ficar nos pontos de integração onde se tem os cruzamentos dos BRTs com o metrô ou com o trem. O PAC da Mobilidade aprovou também o VLT (Veículo Leve Sob Trilhos) no Rio, que liga a Zona Portuária ao Aeroporto Santos Dumont.

Haverá instalações para a Olimpíada na área do Porto do Rio?

No Porto vão ficar algumas instalações não esportivas, como a Vila de Treinadores, um centro de distribuição de uniformes e o Centro de Controle, além da construção de um píer no Porto pelo governo federal. Em formato de “Y”, terá espaço para seis ou sete navios atracarem. Possivelmente para Copa do Mundo já se tenha uma perna do "Y". Lá teremos dez mil quartos para 24 mil pessoas nos navios.

Quais são as outras regiões da cidade com instalações?

São quatro. A do Maracanã, que engloba o estádio, o Engenhão e o Sambódromo. Outra é a da Marina da Glória, que pega também Copacabana e a Lagoa Rodrigo de Freitas. E mais dois são Deodoro e Parque Olímpico da Barra, que ainda inclui o campo de golfe. O Porto será ponto de apoio, e não área de competição.

E a questão dos aeroportos? Ainda há tempo para se modernizar e ampliar o Tom Jobim-Galeão?

O Galeão foi incluído na próxima rodada de concessões. Ali, há mais problemas operacionais do que de construção. É mais fácil reformar do que construir. Temos que ter cuidado é com a gestão. Há também outros aeroportos próximos que podem servir de apoio, como o de Cabo Frio, na Região dos Lagos, e de Juiz de Fora. Também está prevista a construção de um prédio de garagem e o BRT vai entrar no aeroporto. Problemas vão existir em qualquer lugar. Eu mesmo enfrentei problemas para pousar em Londres, tive que esperar 45 minutos dentro de um avião da TAP, até indicarem o finger..

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, recebeu a bandeira olímpica no encerramento dos Jogos de Londres
AP
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, recebeu a bandeira olímpica no encerramento dos Jogos de Londres

A venda de ingressos foi um outro problema de Londres. Como evitá-lo?

Temos que ter muito cuidado com a venda de ingressos. Temos que ter um esquema operacional adequado e ficar atentos a outras situações, como o preço do bilhete, o custo das passagens aéreas, o custo das estadias nos hotéis e se os países de origem não estão em crise financeira. Não é fácil. O aumento do preço das passagens para Londres foi gritante, os hotéis ficaram mais caros, mas é uma questão de oferta e procura.

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Os ingleses também enfrentaram problemas de segurança e tiveram de convocar o Exército para proteger os estádios.

É verdade. Foi um problema delicado para o governo britânico. O COI pede que a segurança seja privada, com seus comissários (stewarts). Pouco antes das Olimpíadas de Londres, a empresa percebeu que não daria conta da segurança. E o governo teve que chamar o Exército para completar o quadro.

Mas aqui já devemos incluir o Exército desde o início, pois temos tradição em convocá-los para grandes eventos.

Nós temos uma Secretaria Especial de Grandes Eventos, criada no Ministério da Justiça. Ela é que deve coordenar a segurança e atuará junto conosco. Existem vários tipos de segurança. Quando falamos do Exército temos segurança cibernética, terrorismo internacional, por exemplo. Há ainda a segurança das ruas, que pode ficar a cargo da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Mas vale lembrar que o COI pede que a segurança dos estádios seja privada.

O que mais o impressionou em Londres?

Pela primeira vez na vida, fui assaltado, inclusive, fiz uma observação de que nas áreas em que a família Olímpica circula, não pode haver policiamento apenas na entrada do hotel, o perímetro tem que ser defendido, porque as pessoas não necessariamente vão chegar de táxi.

Nenhum elogio?

A cordialidade britânica e o treinamento do pessoal. O nosso problema será maior, pois ainda temos a barreira da língua. Não basta conhecer a cidade, tem que saber o que dizer em diferentes idiomas. Temos que esquecer o “complexo de vira-lata”. Mas, na verdade, é a Rio 2016 que tratará disso.

Quais lições tiramos de Londres?

Não fui a Londres aprender. Nós fazemos competições aqui desde 1950. Já fizemos uma Copa do Mundo com 200 mil pessoas no Maracanã, já fizemos campeonatos mundiais de vôlei e basquete, tivemos os Jogos Militares e o Pan-Americano. Além disso, o Campeonato Brasileiro tem públicos de 40 mil ou 50 mil pessoas, já chegou até a 80 mil. Temos o Rock in Rio, o Carnaval... Eu fui para ver o que estão fazendo e tentar aperfeiçoar.

O Brasil ficou aquém do que se esperava em número de medalhas de ouro e houve um péssimo desempenho do atletismo em Londres. É possível formar uma “geração de ouro” em quatro anos?

Temos que garimpar, o que é amplo. Se encontramos um atleta com bom desempenho, temos que treiná-lo, mas também garantir seu sustento. Neste ponto, o governo e o setor privado têm que trabalhar juntos. Também temos que formar treinadores, porque não podemos construir estádios e eles servirem apenas para lazer. Tem que haver competições e para competir, tem que haver treinadores. O principal é ter atratividade e motivação para a garotada, inclusive com maior divulgação dos bons resultados olímpicos. O grande exemplo positivo é o vôlei, porque houve investimento e temos o retorno. As Federações também têm grande responsabilidade nisso. Em 2009, quando o Rio de Janeiro foi escolhido, eu ainda era Ministro das Cidades. Muitos jornalistas me perguntaram como eu via as obras que seriam necessárias para sediar os Jogos. Eu respondi que obras a gente faz, basta ter projetos, cronogramas e recursos, mas não posso garantir medalhas de ouro.

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