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Experiente velejador defende ideia de que o país não deve se prender na conquista de ouros e que investimentos nos atletas demoram para dar resultados

Robert Scheidt e Bruno Prada conquistaram o bronze
Getty Images
Robert Scheidt e Bruno Prada conquistaram o bronze

A ideia do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) é que o Brasil aproveite o fato de o Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas de 2016 para ficar entre os dez primeiros no quadro de medalhas. Para isso, seria necessário atingir cerca de sete medalhas de ouro, algo que preocupa o velejador Robert Scheidt.

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"Investimento financeiro não é garantia imediata", afirmou Scheidt. "Você vê a cobrança do Ministério do Esporte, mas os atletas que começam a ser formados agora dão resultado apenas bem lá na frente", completou o atleta, dono de cinco medalhas olímpicas.

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Em Londres, a vela contabilizou apenas a medalha de bronze de Scheidt e Bruno Prada na classe Star, depois de quatro edições seguidas das Olimpíadas com, pelo menos, duas conquistas. Em 2016, a possibilidade de surgirem revelações não empolga o principal ídolo da modalidade na atualidade.

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"Quatro anos é pouco no esporte. Não é possível pegar alguém de 16 ou 17 anos e formar um medalhista (para a edição de 2016). O ideal é pegar aqueles que já estão no circuito e polir esses atletas", aconselhou Scheidt.

Por outro lado, segundo o principal nome da vela brasileira, o esporte tem a possibilidade de aproveitar a competição em casa para pensar em um salto de qualidade no prazo de quatro anos, independentemente do projeto de medalhas para o Rio de Janeiro. A ideia do COB já era, aliás, buscar know-how no exterior para melhorar o desempenho interno.

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"A vela tem que aproveitar o fato de o Rio de Janeiro se tornar o centro do esporte para formar um Centro de Treinamento e proporcionar aos velejadores um período de adaptação, além de cruzar informações e buscar investimento em técnicos", explica Scheidt, que rejeita, contudo, as críticas de que a modalidade fracassou em Londres com só uma medalha.

"Não concordo que a vela tenha sido um fracasso nos Jogos Olímpicos. Nós tínhamos duas classes com chances de medalha, a Star e a 470 feminina (ficou em sexto). Tivemos 50% de aproveitamento, é um bom retrospecto. Também tivemos o Bimba (Ricardo Winick, na classe RS:X) entre os dez", encerra o campeão olímpico em 1996 e 2004.

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