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20/12 - 22:35

Bernardinho: "Só a minha mãe me considera o melhor"

Premiado como melhor técnico de esporte coletivo, treinador da seleção de vôlei brinca e abusa da modéstia. Premiação do COB teve brincadeiras de Lula e segurança minuciosa

Vicente Seda, iG Rio

O tapete vermelho na entrada da casa de shows onde foi realizado o Prêmio Brasil Olímpico 2010 não fazia distinção. Entre convidados, atletas, imprensa, ninguém escapava do forte aparato de segurança em função da presença de Lula na maior premiação do esporte olímpico no país. A revista era minuciosa e muitas vezes passava do ponto. Havia até homens checando as bolsas das mulheres, antes dos detectores de metal, obrigatório para todos. Tudo isso para entrar em um saguão no qual o ar-condicionado não acompanhava a quantidade de pessoas, muito menos o calor carioca. Nada suficiente para tirar o sorriso do rosto de quem o ano inteiro tenta concorrer com a paixão nacional, o futebol.

Por volta das 17h45, a primeira coisa a se notar no saguão de convidados eram os vestidos das campeãs do vôlei de praia, Larissa e Juliana. De verde e dourado, respectivamente, abusando do brilho e decotes, as duas distribuíam simpatia e arrancavam comentários dos mais diversos. “Estou muito feliz porque é a primeira vez que podemos concorrer como uma dupla, antes era eu ou ela”, disse Larrisa, endossada por Juliana: “É um presente para nós estar aqui”.

Bernardinho: “Só a minha mãe me considera o melhor”
Até o “eterno furioso” Bernardinho não se furtou a atender todos os que o abordavam. Modesto, após as conquistas do Campeonato Mundial e da Liga Mundial em 2010, já premiado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) como melhor técnico de esporte coletivo, ele afirmou que “é coletivo, portanto isso apenas representa um grupo”. “Só a minha mãe me considera o melhor, eu não me considero, isso não existe, nem meu filho me considera o melhor, é questão de momento. Sou apenas um portador e o representante do time (Murilo) veio receber o reconhecimento pela equipe”.

Ao comentar o próximo ano da seleção de vôlei, ressaltou a importância de vencer o sul-americano, no meio do ano, para classificar a equipe para a Copa do Mundo, em novembro, na qual estarão em jogo três vagas para a Olimpíada de Londres, em 2012. “Temos de nos preparar bem para brigarmos pelo ouro em 2012. As pessoas são muito críticas e, em função dessa geração que vem vencendo tudo há 10 anos, a expectativa é sempre muito grande. Os resultados do vôlei são fruto dos investimentos que são feitos desde os anos 80. A grande vitória do esporte é a consistência”, disse.

Sobre Murilo, Bernardinho foi só elogios. Afirmou que o jogador viveu anos à sombra de outros talentos da seleção e hoje é um representante fiel da filosofia do grupo. “Ele não é um expoente em nenhum dos fundamentos, mas é excelente em todos, não é o mais talentoso, mas é fundamental. É um cara que viveu anos à sombra de Nalbert, Giba, Giovanni e hoje tem um reconhecimento mais do que merecido”.

Scheidt na torcida pela Star nos Jogos de 2016
Quem não mostrava toda essa tranqüilidade era Robert Scheidt. Para ele, a Olimpíada de 2016 começará mais cedo, em 2011. A Federação Internacional de Iatismo vetou, no segundo semestre de 2010, a participação da Classe Star nos Jogos do Rio. Se a decisão for mantida, em nova votação no próximo mês de maio, Scheidt, que faz dupla com Bruno Prada, admite mudar de categoria. Ele é bicampeão olímpico na Laser (Atlanta-1996 e Atenas-2004) e medalha de prata  em Sidney (2000).

“Torço para essa decisão ser revertida. Seria chato ficar fora dos Jogos no Rio. Os custos não são mais altos do que as demais categorias”, disse Scheidt, alertando para uma falta de força política da categoria junto à Federação Internacional de Iatismo. “Infelizmente nossa categoria não se preocupa muito com o jogo político que precisa ser feito. Isso atrapalha. Foi uma votação dura, então tenho confiança que em maio vamos vencer. Mas agora quero me preocupar e me concentrar nos Jogos de 2012”, disse.

Dando o tom da festa, em ambiente muito mais ameno do que a premiação equivalente para os jogadores de futebol, realizada pela CBF, onde não faltaram ofensas e provocações, Daniel Dias mostrou em uma frase a diferença dos mundos. Apelidado de “menino de ouro” após as nove medalhas nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008, sendo quatro de ouro, ele continua com a mesma simplicidade e com uma atitude incomum. Enquanto entre os boleiros a praxe é reclamar da imprensa, Dias se mostrava feliz com o reconhecimento.

“Muitas pessoas já me conhecem, me param na rua, dão parabéns. E isso não por ser deficiente, mas por ser um atleta. É muito gratificante. Vocês (jornalistas) também são responsáveis por isso, por estarem abrindo espaço para o esporte olímpico e paraolímpico. Adorei o apelido de Pequim e quero mantê-lo. O meu auge será em 2012 e espero conseguir mais ouros”.

Lula comemora fim do “complexo de vira-lata”
Na cerimônia, entre shows musicais e homenagens, o presidente Lula foi o protagonista ao receber um troféu e fazer um discurso curto, mas bem-humorado. Ele brincou com o pugilista Éder Jofre, que também recebeu uma homenagem, e disse que o boxeador tem “sorte por ser seis anos mais velho”. “Do contrário, eu o chamaria para um combate. Queria ver o que um peso mosca faz com um peso galo”, brincou Lula. Em seguida, o presidente que se despede do cargo comemorou o fim do “complexo de vira-lata” dos brasileiros com a conquista da Olimpíada de 2016 e deu o seu recado. “Não podemos mais falar gastar com esporte, é investimento”.


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