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11/02 - 19:48

Brasil tenta superar a si mesmo em Vancouver

Dos cinco atletas verde-amarelos nos Jogos de Inverno, dois deles estão à frente dos demais em experiência: Isabel Clark e Jaqueline Mourão

Gazeta Esportiva

Um evento esportivo com mais de cinco mil atletas, participação acima de 80 países e 15 modalidades, mas ainda assim pouco conhecido do público brasileiro. Trata-se das Olimpíadas de Inverno, que começam nesta sexta-feira, em Vancouver (Canadá).

Prioridade no calendário de alguns dos mais importantes esportistas do mundo, os Jogos gelados seguem a mesma periodicidade das Olimpíadas de verão: quatro em quatro anos. A primeira edição da disputa ocorreu em 1924, na França, após eventuais participações anteriores de modalidades no gelo em Olimpíadas "tradicionais".

Pouco a pouco, o evento foi crescendo até atingir os números recordes de Vancouver-2010. Até mesmo países como Gana e Paquistão terão representantes. O Brasil, obviamente, não poderia ficar fora: serão cinco atletas verde-amarelos, dois deles com experiência digna de países com inverno rigoroso.

É o caso de Isabel Clark e Jaqueline Mourão. Enquanto a primeira é responsável pela melhor colocação do Brasil na história da disputa (nono lugar no snowboarder cross em Turim-2006), a mineira se destaca por ter sido a primeira mulher brasileira a ter disputado as Olimpíadas de Verão e de Inverno (ciclismo MTB e esqui cross-country).

As aspirações nacionais, entretanto, são modestas e prezam o desenvolvimento das modalidades para as próximas Olimpíadas, quando se espera que o País possa almejar alguma medalha. "Temos como objetivo na Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) que cada geração supere em resultados a geração anterior. E tem sido assim nos últimos 10 anos", comenta Stefano Arnhold, presidente da entidade. "A verdade é que o atleta brasileiro é muito talentoso e dedicado e assim pode chegar muito longe", acredita, pensando a longo prazo.

Em Vancouver-2010, o Brasil será o segundo país sul-americano com mais representantes na disputa - apesar de ser um país com muita neve, a Argentina contará com apenas sete atletas no Canadá, enquanto o Chile só conseguiu classificar quatro competidores. Os brasileiros, aliás, só não têm mais representantes porque, ao contrário das duas últimas edições dos Jogos, o time de bobslead não se classificou.

"Para Vancouver, o plano era se classificar nos três esportes que conseguimos (snowboard, esqui cross-country e esqui alpino)", continua Arnhold, que destaca a evolução técnica verde-amarela nestas modalidades nos últimos anos, como médias maiores de pontuações e classificações em torneios internacionais. "O trabalho seguiu com a contratação de treinadores estrangeiros, comissões técnicas multidisciplinares e um investimento em ciência aplicada ao esporte em parceria com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro)", cita o dirigente.

Além de Isabel e Jaqueline, o Brasil contará em Vancouver com o estreante Leandro Ribela (esqui cross-country), além de Maya Harrisson e Jhonatan Longhi. Competidores do esqui alpino, tanto Maya quanto Jhonatan possuem histórias de vida parecidas: filhos de famílias pobres, ambos foram adotados muito pequenos por famílias europeias e pouco falam português.

Nada, entretanto, que incomode o presidente Arnhold. "Eles são brasileiríssimos tanto no passaporte quanto no coração e estão re-encontrando a nação onde nasceram. Só o esporte consegue fazer histórias assim", analisa o dirigente. Jaqueline Mourão concorda e promete se esforçar para que Maya e Jhonatan sintam-se cada vez mais brasileiros. "Espero ensinar mais português para eles", afirmou
a atleta. 

Histórico brasileiro
A participação brasileira nas Olimpíadas de Inverno começou em Albertville-1992, quando sete esquiadores se classificaram para a disputa graças ao "Programa Solidariedade Olímpica", criado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para ajudar jovens de todo o mundo a terem a oportunidade de competir em alto nível. A melhor classificação brasileira, à época, foi a 37ª posição de Christian Munder na modalidade super combinada. Dois anos mais tarde, em Lillehammer-1994, o Brasil contou apenas com Christian Munder nos Jogos. Em Nagano-1998, mais uma vez houve apenas um solitário brasileiro: Marcelo Apovian, que ficou com a 47ª posição na modalidade Super G do esqui alpino.

Em Salt Lake City-2002, este número aumentou consideravelmente, passando para dez atletas em quatro modalidades, participação que caiu para nove competidores em Turim-2006, quando Isabel estabeleceu o melhor resultado brasileiro da história: nono lugar no snowboard.

Na Itália, os brasileiros ainda conseguiram a 67ª posição nos 10km estilo clássico de esqui cross-country com Jaqueline Mourão e 30ª colocação na versão masculina da prova através de Hélio Freitas.

O país também obteve a 43ª colocação na prova de downhill do esqui alpino graças a Nikolai Hentsch, que dois dias mais tarde acabou desclassificado na primeira descida de slalom do combinado de esqui alpino. Depois, Henstch se recuperou e alcançou o 30º lugar da prova de slalom gigante, prova na qual Mirella Arnhold foi a 43ª e última entre as mulheres que terminaram a disputa.

Conhecida como "Bananas Congeladas", a equipe de bobslead do Brasil ficou com a 25ª colocação, após o trenó virar nas duas descidas da primeira fase - com dores no Brasil, Claudinei Quirino teve, inclusive, que ser levado ao hospital. Quatro anos antes, o time havia ficado na 27ª colocação.


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