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Brasileiro lutou por bolsas baixas, depois viu Madonna sentar-se na 1ª fila e hoje vibra com evento no Brasil

O Ultimate Fighting Championship, maior evento do mundo de artes marciais mistas (MMA), já era dominado pelos brasileiros quando o carioca Vitor Belfort , de apenas 19 anos, estreava na 12º edição do evento, em 1997. Royce Gracie e Marcos Ruas haviam vencido torneios numa época sem divisão de peso e sem a estrutura milionária de hoje. Passados 15 anos, Vitor, entre idas e vindas, continua funcionário do UFC. Porém, muito mais orgulhoso com a transformação do evento.

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“Sofri muito preconceito quando comecei. Uma vez, numa entrevista, me perguntaram: ‘Se esbarrarem no teu carro o que você faz?’. Eu respondi: Então se arranharem o carro do Pavarotti (Luciano, tenor lírico italiano, falecido em 2007) ele vai descer do carro cantando? Eu luto por esporte, não uso a minha profissão na rua. Não saio brigando por aí”.

Vitor Belfort assediado pela imprensa durante entrevista para o UFC Rio
Hilton Mattos
Vitor Belfort assediado pela imprensa durante entrevista para o UFC Rio
Este é um dos exemplos do faixa preta em jiu-jítsu de Carlson Gracie, que foi levado muito cedo para os EUA para desenvolver o boxe antes de estrear no Ultimate e se tornar o mais jovem campeão da história do antigo Vale-Tudo nocauteando todos os seus adversários.

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Com o passar do tempo, ele se transformou em uma espécie de embaixador do UFC no Brasil. Se antes engolia em seco a discriminação pelo esporte, hoje se considera um dos responsáveis pela mudança da imagem do MMA em seu país. Vitor é de um tempo em que as bolsas eram baixas e faltava apoio para bancar viagens com uma estrutura adequada.

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“Eu tinha um sonho. Queria ver o UFC sendo aceito no Brasil como hoje. Sofri muito lá atrás”, conta.

No entanto, enquanto o esporte tinha as portas fechadas no Brasil, a realidade nos EUA era diferente. Por aqui, houve um período em que jovens de classe média promoviam badernas pelas noites cariocas.

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Com a febre do jiu-jítsu, havia praticantes da arte suave infiltrados em algumas dessas gangues. Logo se atribuiu o feito aos ‘jiu-jiteiros’. Sem falar em eventos de luta que terminavam em pancadaria.

“Mas quem estava ali lutando pelo seu ideal, pelo leite das crianças, não tinha nada a ver com isso. Mesmo assim, era difícil. Mas eu e outros lutadores com o compromisso de transformar o MMA em um esporte do povo não desistimos”.

E assim as competições de MMA foram crescendo e ganhando apelo nos EUA. Vitor, no auge da carreira ali no fim dos anos 90, testemunhou tal transformação. Os eventos passaram a ser realizados em ginásios ou arenas e com a presença de celebridades de Hollywood, como a cantora Madonna, que trouxe visibilidade para o UFC ao assistir, na primeira fila, um combate do lutador brasileiro.

Vitor Belfort sorri ao comentar como era diferente o tratamento da mídia com o MMA
Hilton Mattos
Vitor Belfort sorri ao comentar como era diferente o tratamento da mídia com o MMA
Vieram as transmissões por pay-per-view, os reality shows e o negócio que durante anos correu o risco de fechar as portas se transformou em um mega negócio. Segundo a Revista Forbes, a marca UFC está avaliada hoje em U$ 1,8 bilhão. E mais: um atleta como o campeão Anderson Silva, por exemplo, chega a receber entre bolsa, patrocínio e participação em PPV, algo em torno U$ 3,5 milhões por luta.

Agora o UFC chega ao Brasil apoiado por uma grande emissora de TV aberta. Vitor luta neste sábado, na Arena HSBC, contra Anthony Johnson, no UFC Rio . Seu sonho, finalmente, foi realizado.

“Veja como a coisa cresceu. Olha o tamanho deste evento. Ficou muito profissional, com produtos licenciados, videogames. O MMA é entretenimento. Mesmo sendo esporte de contato, há regrase os atletas se respeitam. As mulheres hoje assistem e se divertem, porque são poucas regras, e elas acabam entendendo”.


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