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As principais estrelas brasileiras do card de Curitiba sofrem pressão por resultados positivos. Werdum, que encabeça o card, pode calar críticos com vitória contundente sobre Miocic. Mas para outros atletas da casa, a conta não é tão simples

Há muito em jogo no card do UFC 198 que será realizado na Arena da Baixada, em Curitiba, neste sábado (14). Muitos atletas brasileiros estarão sob o microscópio dos fanáticos por MMA, bem como da direção e dos matchmakers do UFC, mas por razões essencialmente distintas.

Fabricio Werdum
Divulgação
Fabricio Werdum

Não é exagero que Fabricio Werdum encabeça o card mais ambicioso já montado pela maior pela franquia de MMA do planeta no Brasil. Carismático e jeitoso com a mídia, Werdum tem tudo para se tornar um dos xodós da organização. Para isso, no entanto, é preciso manter-se campeão. Jon Jones e Ronda Rousey , tidos como apostas seguras e que gozaram de privilégios no evento, perderam seus cinturões e hoje aparecem atrás de Werdum no quesito “atleta modelo” da franquia. Contra Stipe Miocic , o gaúcho terá a chance de galgar mais posições nesse sentido.

O americano é um lutador duro. Depois de perder para Júnior cigano em dezembro de 2014, ele conquistou duas vitórias arrasadoras sobre Mark Hunt e Andrei Arlovski . O title shot veio depois da lesão de Cain Velasquez , originalmente escalado para enfrentar Werdum.

Miocic tem mãos pesadas, mas Werdum é mais completo e, em suas últimas apresentações, esbanjou evolução tática. Werdum é competitivo em todos os fundamentos do MMA, Miocic concentra seu jogo no boxe. O muay thai, que já desestabilizara no duelo contra Velasquez, pode ser o fiel da balança em favor do brasileiro para levar a luta para o chão e buscar a finalização.

O jiu-jitsu promete ser a grande sensação do co-main event da noite. Ronaldo Jacaré , que há tempos faz por merecer uma chance de disputar o cinturão dos médios, precisa passar por Vitor Belfort para beliscar esse sonho. Certamente esta é a luta mais ansiada pelos fãs brasileiros, mas não é tão disputada quanto parece. Apesar dos dois serem faixa preta, Jacaré adaptou muito melhor seu jiu-jitsu para o MMA. Mais: o capixaba evolui a passos largos no boxe. Já Belfort continua uma incógnita sem o uso do TRT. A derrota para Chris Weidman revelou fragilidades indesejadas no jogo de Belfort, que continua dependente daquela famosa explosão no 1º round. Jacaré é favorito, mas o carioca já derrubou favoritos antes.

Capixaba Ronaldo
Reprodução/Facebook/UFC
Capixaba Ronaldo "Jacaré" Souza é favorito contra Belfort

Depois de muita espera e especulação, a curitibana Cris Cyborg estreia no UFC. A luta tem jeitão festivo e a estreia de Cyborg em Curitiba deixa transparecer esse afago tanto no público, como na lutadora, uma rara unanimidade no MMA feminino que muito agregaria à organização. A luta em peso combinado, o UFC ainda não tem a categoria em que Cyborg atua (penas), deve servir para uma bela introdução da brasileira na franquia comandada por Dana White . Uma improvável vitória de Leslie Smith causaria mais choque do que o triunfo de Holly Holm sobre Ronda Rousey. Mas como é MMA, tudo pode acontecer.

Fim de ato?

O UFC 198 abre espaço também para brasileiros que precisam se provar no evento em contextos diferentes. Shogun tem o privilégio de lutar em casa contra Corey Anderson , mas a responsabilidade de vencer para convencer que ainda tem algo a ofertar ao UFC além de seu nome. Rogério Minotouro , pressionado para se aposentar, precisa provar no octógono que ainda tem lenha para queimar. Patrick Cummins não é um oponente fácil e leva riscos reais e comprometedores a Minotouro. O veterano Demian Maia , por seu turno, encara a pedreira chamada Matt Brown ciente de que todos que passaram por ele tiveram a chance de lutar pelo cinturão dos meio-médios.  

Shogun e Minotouro já lutaram entre si e agora lutam por sobrevivência no evento
Buda Mendes/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images
Shogun e Minotouro já lutaram entre si e agora lutam por sobrevivência no evento

O que mais cativa neste UFC 198, no entanto, é que dificilmente teremos um card tão caprichado e com tantos brasileiros de pedigree em um futuro próximo no Brasil. Alguns desses nomes estão às vésperas da aposentadoria e resultados adversos neste sábado podem apressar este cenário; outros, como Serginho Moraes , Francisco Trinaldo “Massaranduba” e o empolgante Warlley Alves , só dão samba quando reunidos em um card com feras como Minotouro, Shogun, Belfort e Maia, essa geração que ensaia um último ato em Curitiba.