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Ex-campeão dos médios no UFC foi flagrado em exame antidoping realizado antes e depois da luta contra Nick Diaz

O brasileiro Anderson Silva, 40 anos, ex-dono do cinturão dos pesos-médios no UFC, será julgado pela Comissão Atlética de Nevada, nesta quinta-feira, nos Estados Unidos após ser flagrado em exame antidoping realizado em janeiro, dias antes da luta contra o norte-americano Nick Diaz, válida pelo UFC 183, que marcou o seu retorno ao octógono, no dia 31 do mesmo mês, em Las Vegas (EUA).

Anderson Silva tenta acertar o rosto de Nick Diaz no UFC 183
Steve Marcus/Getty Images
Anderson Silva tenta acertar o rosto de Nick Diaz no UFC 183













Entenda:

No primeiro teste, feito no dia 9 de janeiro, Silva foi flagrado por uso de drostanolona e androsterona, dois esteróides anabolizantes. Em um segundo exame, porém, colhido em 19 de janeiro, o resultado foi negativo para substâncias proibidas. 

Entretanto, exames feitos no dia 31, antes de o ex-campeão subir ao octógono e após a vitória sobre Nick Diaz, confirmaram a presença da drostanolona, mesmo anabolizante encontrado no primeiro teste. Além dos ansiolíticos temazepam e oxazepam, usados contra insônia e ansiedade, que posteriormente foram confirmados pela defesa do atleta.

Anderson Silva tentará se livrar de punição por uso de anabolizantes nesta quinta-feira
Steve Marcus/Getty Images
Anderson Silva tentará se livrar de punição por uso de anabolizantes nesta quinta-feira

O lutador, mesmo antes do julgamento, já cumpre suspensão temporária desde a audiência disciplinar, realizada em 18 de fevereiro, tal qual Diaz, flagrado no antidoping por uso de maconha. 

A punição sugerida pelo procurador geral de Nevada, Christopher Eccles, é que Silva seja multado em um valor máximo de 250 mil dólares (aproximadamente R$ 875 mil) e que também seja responsável pelos custos de investigação e de gastos laboratoriais. Além disso, o procurador pede que a luta contra Nick Diaz seja considerada sem resultado, o que diminuiria para 33 o número de triunfos do brasileiro no MMA.

Outro lado

A defesa de Anderson nega o uso de drostanolona e androsterona, porém reconhece que ele fez o uso de ansiolíticos um dia antes do combate, para conter a ansiedade e a insônia. A defesa diz ainda que as outras substâncias proibidas foram resultado de alguns suplementos usados pelo lutador para ‘melhorar a performance sexual’, conforme publicou o site Combate, na última terça-feira, após obter documento com a resposta do atleta.

Outra estratégia da equipe do ex-campeão é desqualificar os resultados positivos dos exames do dia da luta, feitos com amostras de urina e sangue em dois laboratórios diferentes. Apesar de ter assumido o uso de dois tipos de droga, a defesa alega que o lutador não falhou em informar o uso dessas substâncias em seu questionário médico enviado antes da luta.

O julgamento já foi adiado três vezes a pedido da defesa, com a alegação de que Anderson precisava de mais tempo para formular seu argumento. 


Carreira:

Anderson iniciou sua carreira no MMA em 1997, com uma vitória sobre o brasileiro Raimundo Pinheiro, válida pelo Brazilian Freestyle Circuit. De lá para cá foram 39 lutas, com 33 vitórias e seis derrotas. Sua estreia no Ultimate Fighting Championship se deu em 2006. Naquela noite, sua vitória por nocaute sobre o norte-americano Chris Leben foi considerada a melhor da noite. 

No combate seguinte, contra Rich Franklin, Anderson Silva ganhou o cinturão peso-médio após nocautear o norte-americano com uma sequência de joelhadas. Ele defendeu o título com sucesso por 14 vezes e apenas em uma dela dependeu da decisão dos juízes para derrotar seu adversário.

Em 2013, Silva voltou a ser superado após sete anos no MMA. O oponente foi o norte-americano Chris Weidman (atual campeão dos médios). Após bricar durante muito tempo, o brasileiro acabou nocauteado no segundo round. Cinco meses depois, Anderson entrou no octógono para encarar novamente Weidman, mas desta vez, no segundo assalto, após a tentativa de uma canelada, ele sofreu uma lesão e acabou derrotado novamente.

Seu retorno ao Ultimate ocorreu justamente na polêmica luta contra Nick Diaz, em 31 de janeiro de 2015. Após cinco rounds duros, ele foi considerado vencedor por decisão unânime dos juízes.

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