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Além da punição, o ex-campeão do UFC terá de devolver 30% da bolsa e o bônus da vitória, no valor de US$ 200 mil, e pagará os custos de investigação e os advogados envolvidos no caso

Anderson Silva durante seu julgamento por doping na Comissão Atlética de Nevada
Reprodução/Internet
Anderson Silva durante seu julgamento por doping na Comissão Atlética de Nevada

Em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira (13), na sede da Comissão Atlética de Nevada, nos Estados Unidos, o lutador brasileiro Anderson Silva, de 40 anos, foi considerado culpado após um exame antidoping, realizado em janeiro, indicar a presença de drostanolona e androsterona, dois esteróides anabolizantes.

O teste foi feito antes da luta contra o norte-americano Nick Diaz, válida pelo UFC 183. Um outro exame identificou os ansiolíticos temazepam e oxazepam, usados contra insônia e ansiedade, e o Cialis, estimulante sexual.

Spider terá de ficar um ano fora do octógono, além de devolver 30% da bolsa de US$ 600 mil (R$ 2,08 milhões) e todo o bônus da vitória, no valor de US$ 200 mil (R$ 694 mil). A pena começa a valer um dia após a luta, ou seja, a partir de 1º de fevereiro.

A defesa do ex-campeão chegou a admitir que ele teria usado os ansiolíticos um dia antes do combate, além de outra substância para melhorar o desempenho sexual, mas não foi suficiente para convencer os juízes. Michael Alonso, advogado que cuidou da defesa, pediu ainda que o lutador fosse tratado como réu-primário e lembrou da limpa carreira de Silva. 

"Um dos suplementos ele estava utilizando diariamente. O uso dos outros não é específico. Um desses suplementos estava contaminado com esteroides. Com metabolismo de drostanolona, não com drostanolona. É preciso se levar em consideração que às vezes alguém está tomando algo que pode estar contaminado com substância proibida", afirmou Alonso.

Anderson Silva, centro, durante julgamento na Comissão Atlética de Nevada
Reprodução/Internet
Anderson Silva, centro, durante julgamento na Comissão Atlética de Nevada

Já Paul Scott, diretor de relacionamento com os clientes do laboratório, chegou a dizer que o material que lhe foi apresentado para análise não tinha rótulo ou a embalagem estava identificável. Por isso, não pode atestar com exatidão o que era, apenas o que continha após a análise. Scott afirmou ainda que Anderson tomou Cialis, usado para problemas de disfunção erétil, mas sem receita médica.

Questionado sobre o uso do medicamento para a melhora sexual, Silva explicou o motivo de não ter procurado um médico antes de tomá-lo.

"Na garrafa azul tinha uma espécie de estimulante sexual que um amigo meu trouxe da Tailândia e eu não fui no médico porque esse tipo de suplemento não existe nem nos Estados Unidos e nem no Brasil", disse o lutador. "Eu tomei porque quis", completou.

"Se eu tivesse a noção que iria dar todo esse problema eu não teria tomado. Mas todo mundo está sujeito ao erro e eu não sou diferente de ninguém", argumentou. "Não tinha a menor ideia, por isso que eu falei para a mídia brasileira que eu não sabia o que estava acontecendo. Depois que eu passei tudo o que eu tinha usado para eles, depois de tudo testado eu fui ver que tinha dado positivo", acrescentou o lutador.

"Eu nunca usei nenhum tipo de anabolizante, eu nunca precisei usar de substância ilegal pra poder lutar. Isso é um fato novo pra mim. Acho que eu usei uns três meses [estimulante sexual]. Antes da luta eu usei", defendeu-se.

Durante toda a sessão, que durou mais de uma hora, o constrangimento foi claro nas respostas de Anderson Silva. A todo o momento ele tentou evitar que tinha ingerido a substância para melhora sexual. 

Outros momentos constrangedores vieram com a tradutora Cristiane Mersch, que se enrolou muitas vezes ao passar para o inglês as respostas de Anderson e até soletrar o sobrenome da pessoa que teria passado o estimulante sexual ao brasileiro.

A respeito do ansiolítico, Silva revelou que o medicamento foi prescrito por um médico brasileiro após ele sentir dor no nervo ciático.

“Eu tomei na noite depois da pesagem, fui para o quarto e senti um pouco de dor nas costas e não conseguia dormir. Quando estava no Brasil, tive uma crise no [nervo] ciático e fiquei uma noite no hospital. Esse foi um dos remédios que o médico me prescreveu para a dor", contou.

Anderson Silva explicou também o motivo de não ter contado a ninguém sobre o uso dos remédios para conter a insônia e ansiedade.

“A pesagem foi na sexta-feira, lutei no sábado, não tinha motivo para falar. Se eu tivesse tomado antes da pesagem eu teria comunicado à Comissão", disse. “Eu sempre comuniquei tudo à Comissão, levei sempre a bula dos remédios, mas esse eu não falei. Eu tenho conhecimento do remédio, porque estava com dor e não conseguia dormir. Quanto ao Cialis, eu não sabia que poderia estar contaminado. Na noite que eu fui para Las Vegas eu tomei o remédio, na semana da luta”, assumiu o lutador.

O veredito final veio do presidente da Comissão. Segundo ele, as horas durante o julgamento foram perdidas e a pena máxima deveria ser imposta.

"Pelas respostas que o Anderson deu, eu sinto que nós perdemos duas horas aqui, porque foram respostas frustrantes. Confirmamos a suspensão de um ano, além de multa de 30% da bolsa", finalizou.



Carreira:

Anderson iniciou sua carreira no MMA em 1997, com uma vitória sobre o brasileiro Raimundo Pinheiro, válida pelo Brazilian Freestyle Circuit. De lá para cá foram 39 lutas, com 33 vitórias e seis derrotas. Sua estreia no Ultimate Fighting Championship se deu em 2006. Naquela noite, sua vitória por nocaute sobre o norte-americano Chris Leben foi considerada a melhor da noite. 

No combate seguinte, contra Rich Franklin, Anderson Silva ganhou o cinturão peso-médio após nocautear o norte-americano com uma sequência de joelhadas. Ele defendeu o título com sucesso por 14 vezes e apenas em uma dela dependeu da decisão dos juízes para derrotar seu adversário.

Em 2013, Silva voltou a ser superado após sete anos no MMA. O oponente foi o norte-americano Chris Weidman (atual campeão dos médios). Após bricar durante muito tempo, o brasileiro acabou nocauteado no segundo round. Cinco meses depois, Anderson entrou no octógono para encarar novamente Weidman, mas desta vez, no segundo assalto, após a tentativa de uma canelada, ele sofreu uma lesão e acabou derrotado novamente.

Seu retorno ao Ultimate ocorreu justamente na polêmica luta contra Nick Diaz, em 31 de janeiro de 2015. Após cinco rounds duros, ele foi considerado vencedor por decisão unânime dos juízes.

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