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Apesar de não ser a favorita, brasileira deve apostar na luta em pé para fazer história no card deste sábado no Rio de Janeiro

Ronda Rousey e Bethe Correia fizeram uma tensa encarada
Carlos Moraes/Ag. O Dia
Ronda Rousey e Bethe Correia fizeram uma tensa encarada

A expectativa pela luta entre a norte­-americana Ronda “Rowdy” Rousey e a brasileira Bethe “Pitbull”  Correia atingiu um nível incomum para lutas envolvendo a única mulher a possuir o cinturão dos galos no UFC. Pelo menos no Brasil. Bethe Correia não detém exatamente o mesmo status de um Vitor Belfort ou um Anderson Silva, mas a chance de se tornar a primeira mulher brasileira no topo do UFC e, assim, destronar a “mulher mais perigosa do planeta”, como Ronda é conhecida, mexeu com os fãs de MMA em todo o Brasil.

Mesmo com esse cenário, Bethe se pegou ao longo da semana tendo que responder se acreditava que a torcida presente na Arena HSBC neste sábado (1º), no Rio de Janeiro, estaria lhe apoiando ou torcendo por Ronda, uma das figuras mais carismáticas do circo do UFC. Se é verbalmente agressiva com sua adversária, a brasileira acena para o patriotismo da torcida. “Eu confio no Brasil e sei que eles vão torcer por mim. O Brasil merece uma representante daqui, uma campeã que leve a imagem do povo para fora”, disse na entrevista coletiva realizada na última quinta­feira enquanto empunhava uma bandeira do Brasil.

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Nos números, porém, Ronda dá uma surra em Bethe. Se ambas estão invictas, a invencibilidade de Ronda é muito mais proeminente. Com um cartel de 11 lutas e 11 vitórias, cinco delas já no UFC, Ronda possui o segundo melhor índice de submissões do evento, atrás apenas do americano T.J Waldburger. Na trocação, principal arma da brasileira, a americana tem evoluído ao ponto de sentir­-se confortável ao manter a luta em pé – algo que ela evitava nos tempos de Strikeforce (o evento em que ela lutava antes). Nocauteou Sara McMann no UFC 170 e Alexis Davis no UFC 175.

Bethe Correia tenta pegar o cinturão de Ronda
Buda Mendes/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images
Bethe Correia tenta pegar o cinturão de Ronda

Segundo o provedor de estatísticas oficiais do UFC, o Fightmetrics, a efetividade dos golpes de Ronda gira em torno de 63%. Bethe ostenta o índice de 70%. Os principais recursos de Ronda, no entanto, ainda residem no jiu­jitsu e no judô, que norte-americana adaptou para o MMA exemplarmente. De cada dez vezes que Ronda tenta quedar a oponente, consegue em oito. É uma das melhores médias do UFC. Bethe não está nem mesmo ranqueada neste quesito. Ronda conquistou bônus nas cinco lutas em que fez no evento (três performances da noite, uma por luta da noite e uma por finalização), enquanto Bethe não obteve nenhum bônus.

Das três lutas que fez, Bethe venceu duas na decisão dos jurados – uma por decisão dividida – enquanto que Ronda habituou­-se a encerrar suas lutas de forma muito rápida. É a atleta ranqueada do evento que menos recebeu golpes e que menos tempo ficou em ação no octógono. Só uma de suas 11 lutas, contra Miesha Tate no UFC 168, passou do 1º round – foi ao 3º.

Plano de jogo

Para vencer, Bethe Correia não poderá usar do mesmo expediente do irlandês Conor McGregor que falou, falou e entrou no octógono provocativo, com guarda baixa e esperando ser golpeado por Chad Mendes – que substituiu o brasileiro José Aldo, lesionado. Bethe vai precisar praticar um boxe conservador. Bater e sair, e evitar o clinche com Ronda, já que a capacidade de improvisação da americana é monstruosa.

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Determinar o ritmo da luta será importante para Bethe, que costuma explodir, mas Ronda defende­-se muito bem nessas circunstâncias. A má estratégia utilizada por Cat Zingano, a melhor lutadora que já enfrentou Ronda, fez com que ela fosse finalizada em 14 segundos. Ronda é mortífera e um momento de desatenção pode custar o sonho de Bethe.

Manter a luta em pé é a melhor receita para a brasileira que, caso vá para o chão, terá de praticar seu jiu­jitsu, mas aí a inferioridade da brasileira e relação a Ronda é descomunal. Por outro lado, Ronda jamais enfrentou uma lutadora com um boxe tão afiado e seu queixo permanece pouco testado.

As mãos pesadas de Beth podem fazer a diferença. Se conectar algum golpe, a brasileira não deve hesitar em finalizar a luta no ground and pound.

Card completo do UFC 190

Rio de Janeiro, sábado (1º/08/2015).

Card principal ­ a partir de 23h (horário de Brasília)

Peso ­galo feminino: Ronda Rousey x Bethe Correia;

Peso­ meio­ pesado: Mauricio Shogun x Rogério Minotouro;

Final do TUF Brasil 4 peso ­leve: Fernando Açougueiro x Glaico França;

Final do TUF Brasil 4 peso­ galo: Dileno Lopes x Reginaldo Vieira;

Peso ­pesado: Stefan Struve x Rodrigo Minotauro;

Peso ­pesado: Antônio Pezão x Soa Palelei;

Peso ­palha: Cláudia Gadelha x Jessica Aguilar;

Card preliminar ­ a partir de 20h (horário de Brasília)

Peso­ meio­ médio: Demian Maia x Neil Magny;

Peso ­meio­ pesado: Rafael Feijão x Patrick Cummins;

Peso ­meio ­médio: Warlley Alves x Nordine Taleb;

Peso­ galo: Iuri Marajó x Leandro Issa;

Peso ­médio: Vitor Miranda x Clint Hester;

Peso ­galo: Hugo Wolverine x Guido Cannetti.

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