Tamanho do texto

Medalhista de prata nas Olimpíadas de Londres deixa o amadorismo e critica a demora por definição do Bolsa Pódio para boxeadores

Esquiva Falcão foi medalha de prata em Londres
Getty Images
Esquiva Falcão foi medalha de prata em Londres

Medalhista de prata nas Olimpíadas de Londres, Esquiva Falcão quer ser campeão do mundo de boxe e deixou o amadorismo. O atleta de 23 anos assinou contrato com a promotora americana Top Rank e agora é lutador profissional de boxe. Dessa forma, não poderá defender o Brasil nos Jogos do Rio, em 2016.

Em coletiva realizada em São Paulo nesta terça-feira, Esquiva Falcão, que nunca escondeu as dificuldades financeiras de sua família, demonstrou que a mudança do amadorismo para o profissionalismo passa pelo sonho de ser campeão do mundo e pela demora na definição do Bolsa Pódio para os boxeadores.

Você concorda com a opinião de Esquiva Falcão? Deixe seu comentário

Para o atleta nascido em Vitória, no Espírito Santo, sua modalidade foi preterida pelo Ministério do Esporte em relação à outros esportes.“Não sei porque demorou tanto, gostaria de saber essa resposta”, disse Esquiva, que ainda chamou outras modalidades de “queridinhas do ministério”. “Primeiro saiu para o atletismo, vôlei, basquete, judô, os esportes queridinhos do ministério e agora falaram do boxe. Li umas matérias sobre outros esportes que saíram o bolsa pódio e o boxe nada”, criticou o medalhista olímpico.

O Bolsa Pódio é um benefício concedido a atletas que se destacam em suas modalidades e com chances de conquistarem medalhas nos Jogos Olimpícos de 2016. Os valores variam e podem chegar a R$15 mil.

Recentemente, Esquiva foi medalha de bronze no Mundial do Cazaquistão e estava incluído na relação dos três atletas do boxe que receberiam o auxílio em 2014, porém a demora e a proposta de carreira profissional com a promotora americana convenceram o atleta de 23 anos, que não quis revelar os valores do contrato com a Top Rank.

Esquiva vibra após assegurar medalha em Londres
AP
Esquiva vibra após assegurar medalha em Londres

No entanto, a quantia foi superior às expectativas de Esquiva e o lutador já pôde comprar uma casa no Espírito Santo. “Com o dinheiro que recebi do contrato, vou investir na carreira e na minha família. Já consegui investir, foi a primeira coisa que fiz, comprei minha casa no Espírito Santo. Agora tenho um lar para morar, quero investir dinheiro em uma academia e em um projeto social na comunidade”.

Vale lembrar que Esquiva segue os passos do irmão, Yamaguchi Falcão, medalha de bronze em Londres, em se tornar profissional no boxe. Porém, o mais velho dos irmãos Falcão assinou contrato com a Golden Boy Promotions, rival da Top Rank no mercado.

O contrato de Esquiva Falcão com a empresa americana, que também cuida da carreira do filipino Manny Pacquiao, prevê de seis a oito lutas para 2014. A estreia do brasileiro como profissional deve acontecer nos primeiros dois meses do ano que vem, nos Estados Unidos ou na China.

Com a expectativa de ser campeão do mundo, Esquiva não descarta uma revanche contra o japonês Ryota Murata, algoz do brasileiro na decisão da medalha de ouro em Londres.

“É um sonho grande. Eu defendendo meu título em cima dele. Todo o brasileiro queria isso, uma revanche das olimpiadas valendo o título e gostaria que fosse no Brasil”, disse Esquiva Falcão. Já o presidente da Top Rank, Todd DuBoef, elogiou o potencial do brasileiro, porém disse que não tem “pressa” para ver seu novo pupilo como campeão mundial dos médios.