
A forte ligação entre futebol e samba no Rio de Janeiro estará representada mais uma vez no Carnaval carioca. Neste ano, Flamengo e Vasco farão parte do desfile “Pra Cima, Ciça”, que homenageia o mestre de bateria da Viradouro, enquanto a Botafogo Samba Clube atravessará a Sapucaí pela segunda vez.
E, além delas, outras agremiações ligadas a clubes tomarão a Intendente Magalhães, nas divisões inferiores. Neste ano, no entanto, o Fluminense ficou de fora da folia.
Rivalidade saudável
Uma declaração de amor. Foi assim que o carnavalesco Tarcísio Zanon resumiu o desfile da Viradouro, que homenageia o mestre de bateria Ciça. Celebrado em viva, a figura histórica do carnaval carioca torce para o Vasco, mas, na maior passarela do samba, o Flamengo também será homenageado.
O enredo da escola de Niterói passeia pela vida do mestre de bateria: nos 55 anos dedicados ao samba, Ciça eternizou a história dos dois clubes ao ritmo da percussão. Em 1995, a Estácio de Sá desfilou com o enredo “Uma Vez Flamengo”, em uma música que ganhou o coração da torcida rubro-negra e é cantada até hoje nos estádios.
Três anos depois, já na Unidos da Tijuca, a homenagem foi para o cruz-maltino, com o enredo “De Gama a Vasco, a Epopéia da Tijuca”. Em um evento da escola, o mestre-sala e a porta-bandeira desfilaram vestindo o uniforme do cruz-maltino, mas não há confirmação de que esse será o traje oficial do desfile.
Aos 70 anos, Mestre Ciça relembrou, em entrevista ao Lance, como convenceu os integrantes da bateria a vestirem a camisa dos rivais, nos anos 1990.
“Com os torcedores mais radicais, não consegui fazer eles desfilarem, mas, alguns, consegui convencer. Está na minha história e foi muito prazeroso”, contou.
Botafogo segue na Sapucaí
Após escapar do rebaixamento em 2025, a Botafogo Samba Clube retornará à Sapucaí em busca da redenção. No ano passado, na estreia na Série Ouro, a equipe ficou na última colocação acima da degola, com problemas com o abre-alas e notas baixas em diversos quesitos.
Neste ano, o enredo “O Brasil que Floresce em Arte” se afasta do futebol para celebrar a diversidade do país. A ideia é levar cor para a Sapucaí, já que a paleta dominada por preto e branco desagradou os jurados no ano passado. CEO da SAF do alvinegro, John Textor, esteve na avenida, mas o contexto atual é bem diferente: com as glórias dos títulos mais distantes, os imbróglios financeiros e administrativos preocupam o torcedor.

Mais desfiles na Intendente
Enquanto as escolas das duas primeiras divisões têm a Sapucaí como palco, as Séries Prata, Bronze e Grupo de Avaliação se apresentam para os jurados na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte. A “Passarela Popular do Samba”, como é conhecida, receberá 54 desfiles entre o domingo (15) até o sábado seguinte (26), e quatro são de agremiações ligadas a clubes cariocas.

O Flamengo é o único dos times com mais de uma escola desfilando no Carnaval carioca. Na segunda-feira, a Flamanguaça se apresenta pela Série Prata, a terceira divisão, e, na Série Bronze, a representante é a Imperadores Rubro-Negros, que só irá para a avenida no dia 21. Na véspera, a União Cruzmaltina, formada por torcedores do Vasco, é quem levará o futebol para a Intendente Magalhães.
No Grupo de Avaliação, que dá acesso à Série Bronze, a Raça Rubro-Negra sairá na terça-feira, buscando impressionar os jurados para participar oficialmente festa e fugir do esquecimento. Foi o que aconteceu com a Guerreiros Tricolores, que representou o Fluminense na Intendente pela última vez em 2024, e não retornou ao evento desde o rebaixamento.
