
A chegada de Paquetá ao Flamengo é muito mais do que uma simples contratação. Primeiro porque ele realmente não é um reforço qualquer. Estamos falando de um jogador de 28 anos, no auge físico, que é frequentemente convocado para a seleção brasileira e que jogava na principal liga nacional do mundo.
Além disso, ele tem a versatilidade como um dos principais atributos. Pode jogar em quase todas as posições do meio-campo e ataque. Lembram em 2017 quando, ainda no Flamengo, o técnico Reinaldo Rueda o escalava como falso nove?
Pois é. Se o Mengão ainda não encontrou um centroavante para revezar com Pedro, Paquetá, às vezes, poderá ser esse jogador. Sendo capaz de fazer a parte tática (movimentação e pressão na saída de bola adversária que Filipe tanto cobra) com melhor qualidade do que o atual camisa nove.
Se no campo é um reforço que faz o time subir de patamar, fora dele não é muito diferente.
Ao pagar quase 42 milhões de euros pelo jogador, o Flamengo subiu um degrau na brincadeira.
Recado ao futebol brasileiro
Apesar das polêmicas geradas, as recentes falas do presidente BAP em apresentação aos conselheiros do clube não parecem ter sido somente palavras ao vento. Na ocasião, para quem não sabe, ele disse que não permitiria que outros clubes gastassem mais que o Flamengo em nenhuma janela de transferências.
Embora o Flamengo tenha um elenco recheado, sempre há ajustes a serem feitos. Paquetá é um desses. Se o Cruzeiro falou alto com os 30 milhões de euros investidos em Gerson, BAP subiu ainda mais o tom, deixando claro que quem quiser competir com o Flamengo - nos gramados e no mercado - vai ter que abrir o bolso.
Para um time que vem conquistando inúmeros títulos nos últimos anos e gerando debates sobre a distância para o restante dos concorrentes nacionais, a chegada do cria do Ninho reforça ainda mais a ambição do clube.
Dinheiro europeu, reforço brasileiro
Mas, não se animem. Ainda é cedo para cravar que o Flamengo vai começar a trazer jogadores no auge ou jovens promessas do futebol europeu. Por duas razões: primeiro porque o clube precisa se estabelecer ou crescer ainda mais as receitas atuais, que estão na casa dos dois bilhões de reais.
E segundo porque o Brasil ainda é visto como um mercado periférico e uma liga não tão competitiva. Mudar esse cenário não é nem um pouco fácil e depende de inúmeros fatores que o Fla não pode controlar ou solucionar.
Mas, pode ser, sim, o começo de uma nova fase. Ao invés de trazer jogadores rodados na Europa que estão em fim de carreira como Jorginho, Danilo, Alex Sandro e, lá em 2019, Rafinha e o próprio Filipe Luis, é possível imaginar repatriar outros brasileiros ainda com muita lenha para queimar.
No caso de Paquetá, a postura, a vontade e o coração rubro-negro ajudaram a concretizar o negócio. Mas nada disso seria possível se o Flamengo não estivesse cada vez mais forte financeiramente.
A régua subiu. O Flamengo mudou de mesa. Quem também quiser puxar uma cadeira, vai ter que se esforçar cada vez mais. E abrir a carteira.
