
O autor de um gol e uma assistência na vitória do Bangu sobre o Flamengo por 2 a 1, nesta quarta-feira (14), Garrinsha roubou todas as atenções em Moça Bonita. E não foi apenas pela sua participação direta no resultado. Batizado com o nome de Garrincha, um dos maiores nomes do futebol brasileiro e maior craque da história de um dos rivais do rubro-negro, o Botafogo, ele tem uma trajetória incomum no futebol brasileiro.
“Não tinha como ter estreia (no Bangu) melhor do que isso. Graças a Deus o mais importante foi conseguir a vitória. A estreia com um gol e uma assistência foi muito gratificante”, disse Garrinsha, ainda em campo, à Rede Globo.
Nome é homenagem
O nome Garrinsha Estiphile não é apenas uma coincidência. Ex-jogador de futebol, o pai, Joseph Garry, batizou há 24 anos, em Cabaret, no Haiti, seu filho em homenagem ao bicampeão mundial com o Brasil em 1958 e 1962.
O nome é escrito com um “s” e não com “c”, mas a fonética do nome é a mesma. Já nas comparações com a bola no pé, o atacante do Bangu prefere ser mais cauteloso, mas, depois da vitória sobre o Flamengo, brincou sobre o assunto.
“Não gosto muito de comparar (com o Garrincha). A gente sabe como foi a história dele. O cara foi um gênio, mas graças a Deus eu tive a sorte dele”, brincou o haitiano, que, assim como Garrincha fazia, veste a camisa 7.
Sobrevivente de terremoto
Garrinsha está no Brasil desde 2019, quando participou do projeto Pérolas Negras, com refugiados, clube em que esteve por diversas passagens. Ele também passagens por Sampaio Corrêa e Petrópolis, no Rio, São Bernardo e Comercial, em São Paulo, e Aymorés, no Rio Grande do Sul.
Antes de chegar ao país, ele passou ainda criança de um momento traumático para o país: o terremoto de escala 7,0 que abalou Porto Príncipe, a capital do Haiti, provocando mais de 300 mil mortes, deixando 300 mil pessoas feridas e 1,5 milhão de desabrigados. O terremoto é considerado um dos mais graves da história e aconteceu em um país já afetado por crises políticas e de saúde pública.
"Foi muito terrível! Eu perdi amigos, perdi família. Não fui atingido, mas vi várias outras pessoas morrendo, família, amigos. Perdemos muita gente", disse o jogador em entrevista ao portal GE.
