Raí é embaixador e dirigente no Paris FC
Reprodução / Paris FC
Raí é embaixador e dirigente no Paris FC

12 de janeiro de 2026 ficará marcado na história do Paris FC, que surpreendeu o Paris Saint‑Germain ao vencer por 1 a 0 em pleno Parc des Princes pela Segunda Fase da Copa da França. A equipe comandada por Stéphane Gilli, que havia perdido por 2 a 1 na Ligue 1 oito dias antes, fez história ao vencer o rival milionário pela primeira vez.

Mesmo com 25 finalizações do PSG contra apenas quatro do Paris FC, o goleiro Obed Nkambadio fez defesas decisivas e assegurou a classificação. A equipe de Luis Enrique caiu apenas pela segunda vez em vinte anos antes das oitavas. O feito foi tratado como uma virada histórica porque ocorreu no mesmo estádio em que o Paris FC havia sido fundado e de onde acabou relegado a coadjuvante por décadas. Mas afinal, quem é o Paris FC?

A história do Paris FC, evidentemente, está ligada diretamente ao Paris Saint-Germain e tem até um brasileiro no meio. Raí, ex-jogador e ídolo do PSG, “virou a casaca” ao se tornar embaixador e dirigente do “primo pobre” acreditando no projeto a longo prazo do clube.

Nantes x Partis FC (18/1)
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PSG x Lille (16/1)
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Fundação, fusão e separação

A história do Paris FC começou em 1969, quando a Federação Francesa de Futebol lançou uma campanha para criar um grande clube na capital e o nome “Paris Football Club” foi escolhido por voto popular. Para acelerar o projeto, o novo clube se fundiu em 1970 com o Stade Saint‑Germain, de Saint‑Germain‑en‑Laye, formando o Paris Saint‑Germain. O Paris FC aportou recursos financeiros, enquanto o parceiro forneceu elenco, técnico e a vaga na segunda divisão.

A união, no entanto, foi breve: em 1972, sob pressão do município de Paris, que queria um clube verdadeiramente parisiense, as partes se separaram. O Paris FC manteve o status na primeira divisão e o direito de usar o Parc des Princes, e o PSG foi relegado administrativamente à terceira divisão. Dois anos depois, contudo, o PSG subiu de novo e tomou posse definitiva do estádio, enquanto o Paris FC foi rebaixado e teve sua estrutura absorvida pelo Racing Club de Paris, despencando até a quarta divisão.

Caminho tortuoso, renascimento e novos aliados

Após a separação, o Paris FC viveu uma trajetória repleta de altos e baixos. Em 1980, o clube chegou à semifinal da Copa da França, mas dois anos depois o empresário Jean‑Luc Lagardère tentou transformá‑lo em “Racing Paris 1” numa fusão com o Racing Club de France, tentativa que fracassou.

A partir de 1983, já distante da elite, o Paris FC recomeçou na quarta divisão e passou décadas entre divisões inferiores, estabelecendo‑se no leste de Paris e investindo na formação de jogadores. No início dos anos 2000, sob a gestão de Pierre Ferracci, lançou um programa de reconstrução: mudou‑se para o estádio Charléty, criou uma seção feminina e instalou um centro de treinamento, consolidando‑se como referência regional.

Futebol profissional e Raí embaixador

O retorno ao profissionalismo ocorreu em 2015 com a promoção à Ligue 2. Em 2024/25, já com investimento da família Arnault e do grupo Red Bull, o Paris FC conquistou o acesso à Ligue 1 após 46 anos, instalando‑se ao lado do PSG no coração de Paris.

Além de novos investidores, em 2022 o clube ganhou um aliado simbólico: Raí, ídolo do PSG e campeão mundial em 1994, aceitou tornar‑se embaixador e conselheiro do Paris FC.

O brasileiro anunciou que investiria no projeto e utilizaria sua credibilidade para abrir portas, afirmando que o desenvolvimento de um segundo clube na capital era uma forma de retribuir à cidade. Ele ressaltou que seu amor pelo PSG permanecia, mas a escolha mostra que o projeto do Paris FC tende a colher frutos no futuro.

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