Em sua primeira entrevista coletiva no ano, Abel Ferreira demonstrou neste sábado (11) que pouco ou nada mudou sobre seu estilo de comunicação. Após a vitória por 1 a 0 sobre a Portuguesa no Canindé, na estreia do Paulistão 2026, ele aproveitou logo a primeira pergunta para fazer um longo discurso em que citou o calendário apertado, com pouco tempo de preparação para o jogo, o balanço — ao seu ver desfavorável — entre compras e vendas no clube — e até da arbitragem da temporada anterior.
Quando perguntado sobre como chega ao ano de 2026, o sexto no comando do Palmeiras, o treinador português não titubeou:
“Desafio. Orgulho, um orgulho ferido. E um bocadinho de raiva também por muitas das coisas que aconteceram o ano passado. Umas foram do meu controle ou do nosso controle, outras não. Espero que não se repitam”, disse.
Abel compara lances contra Portuguesa e Flamengo
A vitória do Palmeiras veio aos 7 minutos do segundo tempo, com gol de Luighi . Três minutos do gol, a Portuguesa teve um jogador expulso, Igor Torres, por um pisão na perna de Larson, do Palmeiras.
Logo em sua primeira resposta, Abel Ferreira fez uma relação entre a falta do atleta da Lusa e a não expulsão de Erick Pulgar, do Flamengo, após entrada em Bruno Fuchs na final da Libertadores, em novembro.
Leia abaixo a íntegra do discurso de Abel Ferreira na primeira pergunta em coletiva na temporada:
“Basicamente este ano bati mais um recorde: uma pré-temporada de quatro dias . Os jogadores apresentaram-se domingo à noite. E na segunda-feira foram só exames. Eles não precisavam de treinador nem domingo à noite, nem na segunda-feira. Portanto, terça, quarta, quinta, sexta. Quatro dias e o jogo do sábado. Tivemos que internamente ter muitas reuniões.
Perceber os jogadores que estavam com bateria acima dos 15, 20%. Porque quando tens um período de férias, de descanso merecido pela intensidade que é o futebol brasileiro, tens que descansar mentalmente . A única forma é dar folgas. E se tenham dúvidas disso, vejam o que é que faz o Guardiola. Vejam o que é que faz o treinador do Paris Saint-Germain.
Muitas vezes, ao meio do ano, contando jogos, dois ou três jogadores saem uma semana para recuperar. Porque o desgaste, mais do que o desgaste físico, hoje em dia é o desgaste mental. Como disse, estivemos bem. Em quatro dias, apresentar esta dinâmica de jogo. É verdade que, no último terço, nem sempre pôs melhores decisões. Mas gostei muito.
Estou muito feliz com aquilo que eu vi. Com a dinâmica que vi. Os jogadores novos, só temos um, praticamente, que é o Marlon (Freitas). Que vai nos trazer maturidade, experiência. Vai nos trazer pausa no jogo .
Vocês têm que entender uma coisa: nós vendemos R$ 2 bilhões de jogadores. Comprámos R$ 700 milhões em jogadores. Mas ficámos mais fracos R$ 1,3 bilhão . E este ano vamos ter que fazer os ajustes que devem ser feitos para continuar com a equipa competitiva como tem sido.
Foi uma grande contratação do Anderson (Barros) e da Leila (Pereira). Muito contente por trazer um jogador com esta qualidade que nos vai acrescentar não só a liderança no grupo, vocês sabem, saíram (Marcos) Rocha, Mayke, Zé (Rafael), Rony e Luan. E uma equipa não é feita só de bons jogadores. Uma equipa é feita de experiência, de malandragem, de cobrança. E é isso que nós queremos este ano.
Acho que aprendemos no ano passado. Até o VAR aprendeu, vocês não viram? Não sei se o VAR da Libertadores era diferente deste. Mas é muito triste, não é? Quando já vejo um lance (expulsão de Igor Torres, da Portuguesa) muito pior do que aconteceu numa final de Libertadores (lance de Pulgar com Fuchs na Libertadores) com supostamente VAR top e árbitro top.
Está aí a prova. Como treinador, às vezes o Palmeiras é chato, mas a gente muitas vezes diz que o Palmeiras não arrematou no gol, que o Palmeiras foi incompetente na final. Mas esse asterisco ninguém vai tirar e hoje tiveram a prova disso.”