
A chance de abrir cinco pontos na liderança e encaminhar o título no próximo sábado. Consequentemente, a oportunidade de poupar o time contra o Atlético Mineiro na próxima terça e chegar com as pernas frescas para a final da Libertadores no dia 29.
Nesta quarta-feira (19), no Fla-Flu, o Brasileirão escancarou uma porta para o Flamengo que, mesmo sabendo o que tinha do outro lado, não teve coragem para atravessar.
Uma rara oportunidade, um daqueles momentos em que a sorte sorri e você precisa sorrir de volta. Para usar um ditado popular, cavalo selado não passa duas vezes.
Ao entrar em campo sabendo do improvável empate entre Palmeiras e Vitória, o que se imaginava era um time agressivo, querendo resolver o jogo rapidamente.
Apesar dos desfalques e de ser um clássico, o Flamengo tinha as armas necessárias para fazer isso. Mas o que se viu foi justamente o contrário.
Um time lento, mais uma vez sem senso de urgência, desconcentrado e com falta de interesse e seriedade, elementos que ficaram latentes nos lances dos dois gols do adversário.
O primeiro saiu após cobrança de lateral, com a defesa desatenta na marcação. O segundo, após um recuo do jovem João Victor para Rossi, que ao invés de se desfazer da bola, resolveu que era um bom momento para desfilar suas habilidades e brincar de embaixadinha colado na linha de fundo.
Lembram do tal Médico e Monstro que falei por aqui recentemente? Pois é, lá estava ele novamente.
Teimosia e falta de mobilização
Um tempo atrás fiz uma crítica a Filipe Luís sobre as tais convicções que ele tanto gosta de dizer que têm, mas que também são perigosas ao virarem teimosia.
Lino já virou teimosia. Apesar dos desfalques, insistir com o cru João Victor na defesa também.
Chama atenção a recente falta de mobilização do Flamengo nesta reta final do Brasileirão. São inúmeros jogos em sequência com ritmo abaixo, desconcentração, gols bobos sofridos um após o outro.
E aqui acho que entra um aspecto do trabalho do treinador. Não acredito que gritar à beira do campo resolva algo. É uma questão anterior, na preparação do jogo.
É conseguir transmitir a cada um a importância daquele jogo, não somente pelos pontos mas também pelo impacto no planejamento do que vem a seguir. É um trabalho mental que parece estar faltando.
Uma vitória ontem transformaria os próximos 10 dias. Agora, é pressão para ganhar sábado e, em caso de bom resultado do Palmeiras, uma difícil decisão precisará ser tomada para encarar o Atlético em Minas: poupar ou não às vésperas da (talvez) maior final da história do clube?
Erros de planejamento cobram caro na reta final
Pedro praticamente fora da temporada. E não há um centroavante reserva minimamente confiável para o lugar dele. Na zaga, a insistência durante todo o ano na utilização de apenas três zagueiros: Ortiz, Léo Pereira e Danilo.
Na ausência por lesão do melhor deles e com outro convocado, precisamos recorrer ao jovem e inexperiente João Vitor, que praticamente não jogou em 2025 por escolha do treinador. Foi mal contra o Sport. Pior ainda contra o Fluminense.
Dois erros da diretoria na montagem de um elenco que conta com três laterais esquerdos e 3 pontas esquerdos, por exemplo, mas que foi incapaz de suprir necessidades que gritavam desde o começo do ano.
O Flamengo ainda depende apenas de si, embora a irregularidade gere mais dúvidas do que certezas nessa reta final.
A porta abriu e não entramos. O cavalo selado passou e não subimos. Resta saber se as oportunidades vão surgir mais uma vez.
