
Recentemente falei que o Flamengo tinha perdido o direito de errar. Mas parece que os jogadores não entenderam bem o contexto atual do Campeonato Brasileiro e contra quem estão disputando.
Nessa reta final, rodada após rodada, a gente entra em campo primeiro precisando fazer nossa parte. Depois, pensa em secar o Palmeiras.
Mas o que vimos contra o São Paulo, mais uma vez, foi um time que gosta de se sabotar. Não lembro a última temporada que brigamos por um título lutando contra nossos próprios interesses como em 2025.
Um gol doado aos 3 minutos. Uma expulsão infantil quando a equipe dominava o jogo e havia virado o placar.
Se olhar os empates ou derrotas do Flamengo no Brasileirão, pode ter certeza que vai encontrar algum vacilo que impactou diretamente no resultado.
Vacilos que o time de Abel Ferreira raramente comete. É uma equipa talhada para ser irritantemente consistente. Que falha pouco. O famoso “não dar sorte pro azar”.
Enquanto isso, o que nós fizemos em diversas oportunidades no Campeonato foi convidar o azar para entrar na nossa casa, se ajeitar no sofá e tomar uma cervejinha.
Erros, erros e mais erros
Na derrota para o Bahia, o Flamengo perdeu Danilo, um zagueiro ultra experiente, com 10 minutos de jogo. Resultado? Derrota.
Contra o Fortaleza, nova derrota, dessa vez sem nenhum vacilo tão explícito. Mas perder para um time da zona de rebaixamento e que, naquele momento, tinha seis vitórias em 29 jogos, é vacilo por si só.
Contra o Grêmio no Maracanã, um pênalti com certa dose de azar no fim do jogo. Qual o problema naquele dia? As inúmeras chances perdidas que já deveriam ter matado o jogo muito antes.
Lembrando: o tricolor gaúcho não finalizou no gol de Rossi uma única vez durante toda a partida.
Quer mais? Dois empates com o Vasco, que apesar de ser um clássico, era para termos vencido pelo menos um deles. Já que em ambos fomos superiores e, novamente, perdemos muitas oportunidades de gol.
Para fechar, cito o empate com o Ceará, no Castelão. O Flamengo vencia o jogo até Rossi falhar no gol de empate adversário.
Entre falhas maiores ou menores, fica claro que nós fomos dando sorte para o azar durante todo o ano.
Final da Libertadores ganha novos contornos
Por si só, a final da Libertadores no fim de novembro já é pesada. Os dois melhores times do Brasil e do continente, rivais que vêm polarizando as disputas nos últimos anos.
Agora vamos pensar num cenário trágico, mas bastante provável. Se o Palmeiras vencer o Santos nesta quinta, abrirá três pontos e vai ter duas vitórias a mais, que é o primeiro critério de desempate.
Logo, fica praticamente impossível reverter isso em sete jogos (considerando que o Flamengo não poderia perder mais pontos, provavelmente).
O que isso significa? Que chegaríamos a essa final com quatro questões para aumentar a pressão.
A derrota na final de 2021. A possibilidade do Palmeiras ser campeão Brasileiro e da Libertadores no mesmo ano (algo que fizemos primeiro e temos muito orgulho).
O Flamengo seria derrotado nos dois títulos deles e ainda terminaria o ano sem ganhar nada relevante (quando poderia ser o contrário se nós vencessemos as duas competições).
A lição que fica é muito simples: não adianta vencer os confrontos diretos ou fazer uma campanha quase irretocável.
Para competir contra uma equipe muito eficiente, o segredo é errar pouco. E o Flamengo vacilou demais.
