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História do Corinthians

Veja as principais passagens da história do clube paulista

iG São Paulo | 16/12/2010 03:38

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O Corinthians é o “time do povo” na sua origem e sua história hoje centenária não deixa a alcunha fora de moda. Fundado numa época em que o futebol ainda era mais “football” e tinha fama de esporte da nobreza inglesa, foram cinco operários do bairro paulistano do Bom Retiro que iniciaram a trajetória de um clube que se tornou sinônimo de popularidade.

Foto: Gazeta Press

Artilheiro corintiano Neco

Em 1910, inspirados pela excursão dos ingleses do Corinthian Football Club por São Paulo, esses trabalhadores que já tinham amadurecido a intenção de criar um clube de futebol, encontraram o nome ideal para iniciar esse sonho. O clube bretão, chamado pela imprensa brasileira na época de “os corinthians” ganhava seu primeiro grupo de fãs e depois, um xará que se tornaria muito mais popular.

No dia 10 de setembro de 1910, nove dias depois de sua fundação, o Sport Club Corinthians Paulista realizou sua primeira partida – derrota de 1 x 0 contra o União da Lapa. No segundo jogo, contra o Estrela Polar, veio a vitória inaugural: 2 x 0, com gols de Luiz Fabi e Jorge Campbell. A equipe tinha um campo, um terreno aplainado na rua José Paulino, e começava a ter sucesso na várzea paulistana.

Em 1913, associou-se à Liga Paulista de Futebol e, a partir de então, passou a ser o quarto dos chamados “Três Mosqueteiros”, ao lado de Americano, Germânia e Internacional. Eram os quatro times que disputavam aquele Campeonato Paulista, já que havia uma cisão e outras equipes se juntavam ao da Associação Paulista de Esportes Amadores.

O fato é que, no segundo campeonato estadual que disputou, em 1914, o Corinthians de Aparício e do artilheiro Neco não deu chances aos rivais e se sagrou campeão. Dois anos depois, com a mesma base, veio o segundo título, em 1916, e a primeira seqüência de domínio do futebol paulista: ainda sob o comando de Neco e de Gambarrotta, o time foi tricampeão entre 1922 e 24. Quando já havia inaugurado a Fazendinha e o Parque São Jorge, mas ainda com Neco - além de Filó e Del Debbio - o time conquistou outro tricampeonato entre 28 e 30.

Após um breve período para reconstruir o time após a geração que conquistara o Estado, o alvinegro se sagrou o famoso “Tri do Tri”: entre 37 e 39, embalado pelos gols de Carlinhos, Servílio e Teleco, que foi quatro vezes artilheiro do Paulistão.

Na década de 40, após ótimas campanhas nos anos anteriores, o Corinthians amargou anos de jejum. Tanto que nesse período o clube ganhou a incômoda alcunha de “faz-me-rir” por causa das más campanhas seguidas dentro do Estado. As piadas só acabaram no início da secada seguinte. Em 1950, o Timão era campeão do Rio-São Paulo. Formava-se a grande equipe do habilidoso Luisinho, o “Pequeno Polegar”; do “Cabecinha de Ouro” Baltazar; de Carbone; de Mário e de Cláudio Christovam de Pinho, até hoje o maior artilheiro da história do clube. Foi com essa linha de frente e com Gilmar dos Santos Neves debaixo das traves que os corintianos viveram um de seus anos mais espetaculares, 1954, quando conquistaram o bi do Rio-São Paulo e o simbólico título estadual que valeu a Taça do IV Centenário da Cidade de São Paulo.

Foto: Gazeta Press

Equipe do Corinthians campeã da Taça do IV Cententário, no ano de 1954

Passados os tempos gloriosos dessa grande linha de frente, iniciou-se um dos períodos mais duros da história do Corinthians. Durante 23 anos, entre 1954 e 77, o único troféu conquistado foi o Rio-São Paulo de 1966 (cujo título, por causa da confusa preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, acabou sendo dividido com Botafogo, Santos e Vasco, os outros semifinalistas).

Naquele ano, o clube fez uma contratação que prometia ser bombástica; o complemento ideal para a linha de frente que, apesar de envelhecida, seguia intacta. O Timão trouxe Garrincha, o grande responsável pelos dois títulos mundiais que o Brasil possuía. Mas não durou quase nada: àquela altura, o joelho e os problemas pessoais já deixavam o país sem um de seus maiores ídolos. Foram tempos duros, tempos em que, durante 11 anos, o Santos de Pelé mandou no Corinthians: nem uma derrota sequer em Campeonatos Paulistas.

O fardo só saiu dos ombros depois de 22 partidas, quando, em 68, com gols de Flávio e Paulo Borges, os corintianos conseguiram o alívio. Um título, porém, ainda era coisa distante, embora às vezes não parecesse. Em 74, por exemplo, com o craque Rivellino vivendo seu auge e uma equipe que tinha Zé Maria e o goleiro Ado, perdeu uma final frustrante por 1 a 0 contra o Palmeiras. Foi um golpe tão duro que a culpa recaiu sobre Rivellino, que se transferiu para o Fluminense. E, por coincidência, foi com ele jogando no tricolor carioca que aconteceu uma das maiores peregrinações de que se tem notícia, coisa bíblica mesmo: em 76, no segundo jogo da semifinal do Campeonato Brasileiro, milhares de corintianos (há quem diga 70 mil) foram ao Maracanã assistir a Tobias, Ruço, Wladimir, Vaguinho e Geraldão imporem a eliminação ao Flu, nos pênaltis. Era a “Invasão Corintiana”, gota d’água que faltava para ninguém mais duvidar do apelido que a torcida corintiana ganhou durante esse período de seca, durante o qual nunca deixou de apoiar o time: a Fiel.

Foto: Gazeta Press Ampliar

Histórico gol de Basílio em 1977

O presente depois de tanta espera foi merecido e veio numa das partidas mais famosas da história do futebol paulista. Quase 150 mil pessoas no Morumbi para a terceira partida da final do estadual de 1977, entre o brigador Corinthians e a talentosa Ponte Preta de Carlos, Oscar e Dicá. Outra vez sob o comando de Oswaldo Brandão – o técnico do último título, o do IV Centenário -, precisando da vitória, o Timão chegou ao que queria num gol feio, sofrido e chorado de Basílio, o “Pé de Anjo”. Do jeito que a Fiel queria e sonhava.

Com 23 anos de história a menos sobre os ombros, era mais fácil se concentrar para qualquer coisa, inclusive para contratar e ousar. Além de grandes jogadores, o Corinthians calhou de trazer para o parque São Jorge jogadores esclarecidos e politizados, como Zenon, Sócrates e Casagrande. O Brasil vivia os últimos estertores da ditadura militar que e um grupo de gente (e gente famosa e com milhares de seguidores) era tudo o que não interessava aos poderes. É por isso que um time que a princípio não fez nada gigantesco – conquistou o bicampeonato paulista de 1982 e 83 – tornou-se uma das formações mais famosas de todo o futebol do País.

A Democracia Corintiana aboliu a concentração, flexibilizou as regras arcaicas que regiam um grupo de futebol desde os tempos do Corinthian Football Club. Entrar no campo para uma final carregando uma faixa que diz “ganhar ou perder, mas sempre com democracia” não é exatamente algo que se vê acontecendo todo fim de semana por aí. Gente como o cult Biro-Biro ainda sobreviveu até a conquista seguinte, em 1988, com gol de carrinho daquele que seria um ídolo durante um bom tempo, Viola. Chegavam o goleiro Ronaldo – outro que virou ícone do corintianismo -, os volantes Márcio e Wilson Mano. Era o coração da equipe que não era genial, mas era valente, e que traria ao Timão sua primeira conquista realmente nacional.

Foto: Gazeta Press Ampliar

Neto, ex-meia do Corinthians

Além de Giba, Fabinho, Marcelo e o “xodó” Tupãzinho, estava o elemento central daquilo tudo, um dos ídolos mais apaixonantes para o corintiano e provavelmente o maior batedor de faltas que o Brasil já viu: Neto colocou o Corinthians nas costas na reta final do Campeonato Brasileiro de 1990 e transformou o azarão em campeão, com uma vitória por 1 a 0 em cima do São Paulo; gol de Tupãzinho – outro gol aparentemente sem-graça, mas com o componente emocional que parece só entrar em cena quando o Corinthians está envolvido. Estava coroada a administração de um dos mais folclóricos presidentes da história do clube, Vicente Matheus, que também era o mandatário no fim do jejum em 1977.

A grande conquista de 1990 iniciou uma década inesquecível para o corintiano. O clube tinha enfim um título nacional, que se multiplicaram nos anos seguintes. Os novos ídolos foram, aos poucos, chegando, e em 1995 deixaram uma marca inesquecível: Marques, Zé Elias, Silvinho e o novo ídolo da torcida, Marcelinho Carioca, conquistaram o Paulista e a primeira Copa do Brasil da história corintiana. Dois anos depois, uma parceria com o Banco Excel garantiu reforços para o título paulista de 97 e, finalmente, a montagem de um esquadrão que, num período de três anos, ganharia tudo o que era possível ganhar: dois brasileiros, um Paulista e um Mundial.

Rincón, Vampeta, Ricardinho, Edílson, Gamarra... personagens da segunda conquista do Brasileirão. O Corinthians contou com o pé-quente do centroavante Dinei para derrotar o Cruzeiro e se sagrar campeão brasileiro de 1998. No ano seguinte veio mais um título paulista. No segundo semestre, com outra campanha inigualável no Brasileirão, mais uma taça. A trajetória e incluiu a famosa eliminação do São Paulo na semifinal – quando Dida agarrou dois pênaltis de Raí na mesma partida – e a vitória na decisão contra o Atlético-MG, graças aos gols de Luizão.

Foto: AE Ampliar

Corinthians campeão mundial em 2000

Faltava apenas um título internacional para acabar com a gozação dos rivais. Ele veio de uma maneira controversa, mas com a chancela da Fifa. O primeiro Mundial de Clubes patenteado pela entidade máxima do futebol aconteceu no Brasil, em 2000, e teve critérios de classificação inéditos com clubes de todos os continentes e só foi ter continuidade cinco anos depois.

Mas o fato é que depois de eliminar o Real Madrid, o Corinthians enfrentou o Vasco e, sim, foi campeão do mundo, ao vencer a decisão de pênaltis contra os cariocas no Maracanã. Rincón recebeu a taça das mãos de Joseph Blatter, presidente da Fifa, em cena que acaba com discussão a respeito da legitimidade da competição.

Depois daquela conquista, o clube conquistou o Paulista de 2001 em final contra o Botafogo de Ribeirão Preto e levou mais uma Copa do Brasil, em 2002, com personagens importantes como Deivid e Gil.

Após campanhas irregulares nos anos seguintes – o time ainda conquistou o Paulista de 2003 – tempos sombrios se aproximaram do Parque São Jorge. Em 2004, o clube firmou uma parceria com a obscura empresa MSI (Media Sports Investment), que passou a gestar o departamento de futebol do clube por meio de seu representante no Brasil, o iraniano Kia Joorabchian.

A princípio, foi tudo excelente: o dinheiro estrangeiro trouxe Nilmar, Roger e os argentinos Mascherano e Carlitos Tevez – que foi o maior ídolo da torcida em 2005, ano em que o acordo com a MSI parecia ter sido coroado, com o tetracampeonato brasileiro. Mas bastou a eliminação na Libertadores de 2006, para o River Plate, no Pacaembu, para a parceria começar a ruir. As cobranças aumentaram; a investigação sobre a origem de tanto dinheiro e as possíveis ligações com o ainda mais obscuro magnata Boris Berezovsky esquentaram.

Foto: AE Ampliar

Carlitos Tevez no Corinthians

O acordo com a MSI foi cancelado, e começaram então as investigações sobre a gestão, que parecia vitalícia, de Alberto Dualib na presidência. Todos os jogadores se foram; com quem sobrou, formou-se um dos piores times da história do Corinthians. Assim, em 2007, dois anos de celebrar seu título nacional, o Corinthians amargou o pior momento da sua história: o rebaixamento para a Série B. O clube colheu os frutos podres de uma parceria que foi embora sem deixar saudades aos corintianos.

No fundo do poço, entrou em cena um personagem que longe de ser unânime, ajudou a resgatar o orgulho corintiano: Andrés Sanchez. Eleito presidente no final de 2007, Sanchez contratou um dos mais promissores técnicos do país, Mano Menezes, e reescreveu a história do clube. Apostando no apoio irrestrito dos milhões de torcedores corintianos e em um departamento de marketing profissional, o clube passou a criar receita suficiente para se montar times competitivos sem a necessidade de se ter parcerias como a que acabou mal com o Corinthians.

Após uma bela campanha no ano de 2008, com o vice-campeonato da Copa do Brasil e a conquista da Série B com larga vantagem sobre seus adversários, o Corinthians voltou à Série A do Brasileirão pela porta da frente.Com um time competitivo o retorno à elite acontece em grande estilo, com a presença de Ronaldo "Fenômeno", que voltou ao Brasil para vestir a camisa do alvinegro do Parque São Jorge.

E no primeiro ano da parceria entre Corinthians e Ronaldo, os títulos vieram a galope. O primeiro gol de Ronaldo pelo clube veio num inesquecível clássico contra o Palmeiras, em Presidente Prudente, no seu segundo jogo pelo clube. Saindo do banco no segundo tempo com o placar favorável ao Palmeiras em 1 a 0, Ronaldo foi decisivo. Nos acréscimos do segundo, após cobrança de escanteio, o “Fenômeno” marcou de cabeça o gol que só evitou a derrota, mas que teve gosto de título para o torcedor. Na comemoração já célebre, o atacante provocou a queda do alambrado na comemoração com os torcedores.

Foto: Getty Images

Ronaldo, atacante do Corinthians

 O episódio marcou o início de um grande ano para o Corinthians. Com Ronaldo, o clube conseguiu cumprir seu objetivo para a temporada de 2009. Depois de levar o Campeonato Paulista de forma invicta – venceu o Santos na final com dois golaços do Fenômeno na Vila Belmiro – o clube venceu também a Copa do Brasil e ganhou o direito de disputar a Libertadores no ano de seu centenário.

O ano de 2010 chegou e com ele muita esperança de se viver um centenário inesquecível. Não foi da forma como o clube esperava. Os títulos não vieram, a Libertadores mais uma vez escapou, mas nem por isso o ano mais emblemático da história do clube foi em vão. Com força fora dos gramados, o clube inaugurou um centro de treinamento moderno e deu um passo maior rumo ao profissionalismo total do futebol.

Além do CT, o clube conseguiu anunciar a construção do seu estádio e com ele pretende sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. Assim que ele sair do papel – Andrés Sanchez garante que desta vez, apesar das dificuldades, o estádio não será apenas uma maquete – o clube entrará definitivamente no hall dos grandes clubes do mundo. E continuará ainda mais popular, como já sugeria o início desta história, iniciada numa esquina do bairro do Bom Retiro há 100 anos.

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