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História do Atlético-MG

Veja as principais passagens da história do clube de Minas Gerais

iG São Paulo

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Há que se respeitar uma história quando ela começa com uma turma de gazeteiros trocando uma manhã de aulas de quarta-feira por um bate-papo animado no coreto do Parque Municipal. Estamos falando de peladeiros bucólicos e empreendedores, que fizeram nascer daquela reunião em Belo Horizonte um dos clubes mais respeitados e com maior torcida do País, o Athlético Mineiro Football Club – que quatro anos depois abriria mão dos anglicismos para ser, definitivamente, o Clube Atlético Mineiro.

O próprio grupo que se juntava toda semana para bater bola foi o primeiro elenco do clube. Em março de 1909, exatamente um ano após a fundação, veio a primeira partida oficial: vitória por 3 x 0 sobre o Sport Club Futebol. O autor do gol viria a descobrir que sua sina era realmente de ser “autor”: o primeiro tento da história do clube foi de Aníbal Machado, que se tornaria escritor e dramaturgo, responsável por um dos maiores contos da literatura brasileira, “Viagem aos Seios de Duília”. Só que o Sport não se conformou e pediu revanche: perdeu novamente por 2 x 0. Terceiro encontro, nova derrota, agora por 4 x 0. O pessoal do Sport se juntou, pensou bem e resolveu extinguir a equipe.

Em 1915, a Liga Mineira de Esportes Terrestres (que futuramente se tornaria um pouco mais específica e viraria a Federação Mineira de Futebol) organizou o primeiro torneio dentro do Estado, a Taça Bueno Brandão – que acabaria sendo a primeira edição do Campeonato Mineiro. Só que a estréia triunfal veio imediatamente pelo primeiro jejum da história: durante os dez anos seguintes, o time do técnico Chico Neto assistiu à hegemonia do América. Foi em 1926 que a história começou a mudar, pouco antes de outro marco histórico: a construção do estádio Presidente Antônio Carlos, no bairro de Lourdes. Sinal dos tempos em que Belo Horizonte tinha 40 mil habitantes, a construção para 5 mil espectadores foi apelidada “gigante” e, em sua inauguração, teve presença até do presidente da FIFA, Jules Rimet.

Aquela geração do final dos anos 20 e início da década de 30 foi capitaneada por aquele que foi o primeiro grande ídolo do clube: o atacante Mário de Castro. Ele se tornou o único jogador de fora do eixo Rio-São Paulo a ser chamado pela Confederação Brasileira de Desportos para a Seleção Brasileira, que disputaria a Copa do Mundo de 1930. Décadas depois, Mário admitiu que “só iria para ser titular” e não para ser reserva de Carvalho Leite (Botafogo-RJ), que era o plano original. Assim, o autor de 195 gols em 100 jogos passou a vida toda tendo vestido apenas uma camisa, a alvinegra do Galo. Junto de Jairo e Said, Mário formou aquele que se tornaria o “Trio Maldito”.

Foto: Reprodução

Time Campeão dos Campeões do Brasil, em 1937

O futebol custava para cruzar as fronteiras estaduais, e o Galo foi um pioneiro em conseguir sucesso nacional quando, em 1937, se sagrou Campeão dos Campeões do Brasil – torneio que a Federação Brasileira de Futebol organizou, reunindo campeões estaduais do ano anterior de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Foi naquela campanha que o time revelou para o Brasil seus reforços recém-adquiridos junto ao Villa Nova: Guará, Zezé Procópio e Alfredo Bernadinho. O torneio nacional não emplacou, mas durante a década de 40 o Atlético consolidou sua soberania dentro do Estado com três bicampeonatos (41/42, 46/47 e 49/50) que consagraram a linha de frente formada por Lucas Miranda, Carlyle, Nívio e Lêro e principalmente o lendário goleiro Kafunga – que por 19 anos defendeu o alvinegro.

E, se torneios nacionais eram raridade, o que dizer do intercâmbio com outros países? Também aí o Galo fez história ao realizar uma inédita excursão pela Europa – entre novembro e dezembro de 1950 -, em que enfrentou times da Alemanha, Áustria, Bélgica, Luxemburgo e França. Com as seis vitórias, dois empates e duas derrotas, o Atlético Mineiro voltou ao Brasil com o título do Torneio de Inverno, que rendeu à equipe o apelido de "Campeão do Gelo". A conquista abriu outra década que seria prolífica em conquistas, com o primeiro pentacampeonato mineiro da história do clube, entre 1952 e 56.

Foto: Reprodução

Equipe do Atlético-MG que recebeu apelido de "Campeão do Gelo"

Não por coincidência, uma década pobre para o Galo foi a de 60 – a do surgimento da grande geração do Cruzeiro liderada por Tostão. De notório, apenas o bicampeonato mineiro 62/63 e uma insólita vitória sobre a Seleção Brasileira: em 69, as “Feras do Saldanha” que dali a pouco tempo seriam tricampeões do mundo (e com Zagalo) caíram por 2 x 1, gols de Amaury e Dadá Maravilha para o Atlético e de Pelé para o Brasil. A partir daquela vez, a Seleção passaria a evitar peremptoriamente qualquer amistoso diante de clubes nacionais.

Foto: Gazeta Press

Dadá Maravilha e Reinaldo, ídolos do ataque atleticano

Os tempos mirrados acabaram de vez a partir do momento em que um dos maiores técnicos da história do futebol brasileiro assumiu o comando do time. A partir daí – com Dadá, Lôla, Vantuir e cia. -, o Atlético passou a ser símbolo, além de de equipe vencedora, de futebol bonito. Foi assim, chamando a atenção, que o Galo se tornou o primeiro vencedor do Campeão Brasileiro, em 1971 – torneio do qual Dadá foi artilheiro, assim como em 72.

E, no final dos anos Telê Santana, o sucesso foi coroado com o despontamento do maior craque do clube em todos os tempos, Reinaldo. Com o centroavante, o Galo foi hexacampeão mineiro entre 78 e 83 e chegou a duas finais de Brasileiro: em 77 e 80. Pelo menos a primeira delas merecia ter se tornado um título: após liderar a fase de classificação com dez pontos de diferença, o Atlético disputou final em apenas um jogo contra o São Paulo, sem contar com a vantagem do empate. Nos pênaltis, o Tricolor – notadamente mais limitado em termos de técnica – saiu campeão. Mas nessa época ninguém mais teve dúvida da grandeza do Atlético, que juntou “Rei” Reinaldo com gente como Cerezo, Paulo Isidoro, João Leite, Luizinho, Palhinha, Nelinho e Éder.

Quando a renovação chegou, vieram Batista, Sérgio Araújo, Elzo... O Galo continuou sendo presença constante nas primeiras posições do Campeonato Brasileiro, mas nenhum título nacional fez companhia às oito edições do Mineiro vencidas durante a década de 80. Outros troféus mesmo só foram aparecer no começo da década de 90, quando o time entrou no rol das conquistas internacionais em 92, com o título da Copa Conmebol diante do Olímpia (PAR). A equipe comandada por Emerson Leão que tinha Taffarel, Dedê e Marques conseguiria o bicampeonato em 97, na famosa goleada por 4 x 1 contra o Lanús, na Argentina, que terminou em pancadaria. Em casa, um empate por 1 x 1 deu o título aos mineiros.

Também na década de 90 o Atlético se cansou de fazer bons papéis no Brasileirão, mas acabar eliminado. Em 91, derrota na semifinal para o campeão São Paulo e terceiro lugar; três anos depois, foi a vez de ser derrotado pelo Corinthians. Na edição de 96, o centroavante Renaldo foi o maior artilheiro do País, mas novamente o time caiu na semifinal, assim como em 97 contra o campeão Palmeiras. Foi apenas em 1999, 18 anos depois, que o Galo retornou a uma final nacional. Liderado pela dupla Marques e Guilherme – que foi o artilheiro daquela edição -, o Atlético deu trabalho, mas acabou esbarrando no Corinthians.

Foto: Gazeta Press

Gilberto Silva marcou seu nome no Atlético

A próxima conquista da lista confirmou de vez a condição do Galo de maior equipe do Estado no século 20. Com o bicampeonato mineiro em 2000, o clube chegou a 38 títulos em 85 edições. Tudo isso graças a uma safra que se ainda brilharia muito no futebol da Europa, com nomes como Gilberto Silva, Cláudio Caçapa e Lincoln. Para infelicidade da torcida, a passagem do século 20 significou também a despedida dos bons tempos. Depois daquele título, começou o período mais duro da história alvinegra. Se fosse só pelo jejum de conquistas estaduais, já seria duro. O problema é que, além disso, uma das equipes historicamente mais regulares do Brasileirão fez tão feio que foi parar na segunda divisão em 2005. O jeito foi investir mais nas categorias de base para formar um time capaz de retornar à elite em 2006: com o goleiro Diego, o volante Rafael Miranda, Éder Luís e a eficiente dupla de ataque formada por Roni e Marinho, o Galo voltou e, em 2007, acabou com a seca de títulos mineiros. Tudo ficou em ordem de novo para receber o centenário em 2008.

O ano em que chegou à marca de 100 anos de existência, porém, não foi lá muito positivo para a equipe alvinegra. O Atlético não conseguiu conquistar títulos, ficando com o vice-campeonato no Mineiro. Nos cinco confrontos diante do rival Cruzeiro, quatro derrotas – uma de 5 a 0, sendo a maior já sofrida em clássicos entre os times – e um empate.

Depois de dois vices seguidos no campeonato regional, em 2008 e 2009, o Galo voltou a conquistar o torneio em 2010. A temporada, no entanto, não foi muito boa para o time, apesar das contratações de estrelas, como Diego Souza, Obina, Réver e Fábio Costa. A equipe suou para se livrar do rebaixamento no Brasileirão e só conseguiu quando Vanderlei Luxemburgo foi substituído por Dorival Júnior no comando técnico.

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