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"No estádio, você vê o campo. Aqui, você vê o que o cara da televisão quer que você veja", disse cineasta

O cineasta Ugo Giorgetti foi um dos convidados para acompanhar a final da Copa do Rei na tela do cinema de um shopping da capital paulista nesta quarta-feira. Após assistir à vitória do Real Madrid sobre o Barcelona por 1 a 0 em alta definição, o diretor do filme Boleiros não demonstrou empolgação.

"O futebol, você só vê no estádio, não tem outro jeito. No estádio, você vê o campo. Aqui, você vê o que o cara da televisão quer que você veja. A sensibilidade do jogo transmitido é do diretor de TV, e não sua", afirmou Giorgetti, que assina uma coluna sobre futebol no jornal O Estado de S. Paulo.

Questionado se sairia de cara para acompanhar a transmissão de um jogo no cinema novamente, ele foi claro e objetivo. "De jeito nenhum. No estádio, é uma coisa completamente diferente. Às vezes, você quer ver como está a cobertura de um zagueiro lá atrás e o quadro não permite", argumentou.

A transmissão, promovida pelo canal Esporte Interativo apenas para alguns convidados, foi uma experiência inusitada. Sentados em suas poltronas, os espectadores acompanharam a final devidamente munidos de pipocas e refrigerantes. Os mais empolgados trajavam camisas dos dois times e vibravam com as jogadas de perigo.

Apesar de reiterar sua preferência pelos estádios, Giorgetti achou a iniciativa válida. "Foi uma experiência interessante, mas virou um espetáculo que às vezes não é o que você vê no campo. Eu acho que futebol é para ver no campo, mas inegavelmente é uma experiência muito interessante", afirmou.

A sessão sofreu alguns problemas técnicos durante a prorrogação. Logo depois do gol de Cristiano Ronaldo, comemorado com uma corrida pela sala de cinema por um torcedor vestido com a camisa do Real Madrid, a transmissão chegou a sair do ar. Segundo o narrador do Esporte Interativo, a chuva em São Paulo provocou o defeito.

Se a exibição de jogos de futebol em cinemas passar a ser explorada comercialmente, Giorgetti, em tom de brincadeira, exige uma compensação. "Então, espero que abram para a gente passar filmes nos estádios (risos). Se abrirem isso, eu topo, porque só falta a gente perder espaço para futebol no cinema", afirmou.

Em um encontro do porte do clássico da final da Copa do Rei, o cineasta aprova a iniciativa. "Eu acho que pode ser uma saída para determinados jogos. Um jogo como esse sai do âmbito do futebol e se transforma num espetáculo como outro qualquer, como um filme, como uma ópera. De repente, passar esses jogos no cinema pode dar certo, sim", opinou.

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