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Carlos Eduardo, formado em 2007, foi o último jogador de frente marcante no Olímpico

Carlos Eduardo foi revelado em 2007 pelo Grêmio
Gazeta Press
Carlos Eduardo foi revelado em 2007 pelo Grêmio
Qual o último atacante de sucesso revelado pelo Grêmio ? Tim, tam, tim, tam... Se este questionamento integrasse um jogo de perguntas e respostas certamente causaria desespero nos participantes. Afinal, não é fácil lembrar. São quatro anos de jejum.

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Formar, então, um velocista ou um goleador é a prioridade das categorias de base, que passa por intenso processo de reformulação: nova equipe, metodologia moderna e um centro de treinamento a ser construído pautam o setor que é o futuro do clube gaúcho. Quem comanda o trabalho é Marco Antônio Biasotto, o coordenador geral contratado, após passagens por Paulista, Atlético-PR e Palmeiras.

Quem entra na sala de Biasotto, um ex-jogador de São Paulo, Paulista de Jundiaí, Mogi Mirim e Jatco, do Japão, não entende como o Grêmio ficou para trás. A mesa é cheia de papéis com relatórios, avaliações e fichas com desempenho em treinos. O computador, sempre conectado ao site de algum clube ou de notícias esportivas, é um verdadeiro acervo futebolístico: há dezenas de arquivos com o que se pode imaginar de informações, como contatos de empresários, olheiros, jogadores...

O problema é que a realidade é recente. Começou em 22 de agosto. Antes, desde a saída de Rodrigo Caetano, em 2009, o presidente Duda Kroeff optou por ocupar os cargos importantes do setor com indicações políticas. Um ex-chefe da segurança do Grêmio, por exemplo, comandou a base nos últimos meses da gestão, que terminou no ano passado.

“Não vim fazer uma revolução até porque os trabalhos anteriores têm acertos. Agora, precisamos colocar algumas coisas nos trilhos. Identificar onde os meninos com futuro estão, contratá-los e formá-los com mentalidade vencedora. Este é o objetivo”, resumiu Biasotto, contratado pelo diretor executivo Paulo Pelaipe, no mandato de Paulo Odone.

Então, quatro avaliadores foram trazidos para viajar por todo o Brasil para observar treinos, jogos e campeonatos – um deles é o ex-zagueiro uruguaio Ancheta. O foco é achar promessas em clubes pequenos, afinal, fica mais fácil negociar. Desta forma, a lógica no Olímpico mudou: não se espera mais indicação e, sim, se vai atrás das necessidades.

É claro que há dificuldades. Uma delas é o orçamento: são R$ 800 mil por ano para tocar todo o setor. A verba de viagens, por exemplo, é três vezes menor do que a do Palmeiras. Mas é o caminho. Até porque...

Foi assim que surgiu o último atacante de sucesso: Carlos Eduardo, em 2007. Campeão gaúcho e vice da Libertadores daquele ano, o atleta veio para o Olímpico após ser observado numa escolinha do interior gaúcho. Seria vendido seis meses após subir ao profissional para o Hoffenheim, da Alemanha – atualmente está no russo Rubin Kazan. Chegou à seleção brasileira. E se transformou numa agulha num palheiro, afinal, dez atacantes chegaram ao profissional nos últimos dez anos e nenhum vingou.

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