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Tenente-coronel acusado de receber propina de traficantes, ex-juiz foi protagonista de jogos polêmicos

Beltrami apita jogo do Brasileirão de 2009
Gazeta Press
Beltrami apita jogo do Brasileirão de 2009
Preso no Rio de Janeiro sob suspeita de ter recebido propina do tráfico de drogas , o tenente-coronel Djalma Beltrami é velho conhecido do torcedor. Ex-juiz da CBF e da Fifa, o oficial da PM protagonizou arbitragens polêmicas ao longo da carreira. Seu nome está na história de dois dos maiores clubes do país: Corinthians e Grêmio.

Relembre os casos:

Batalha dos Aflitos

Em 2005, Djalma Beltrami foi, por assim dizer, o mentor da "Batalha dos Aflitos". É dessa maneira que a torcida do Grêmio se refere ao jogo contra o Náutico , no estádio dos Aflitos, pela última rodada da Série B do Brasileirão.

O Grêmio precisava da vitória para confirmar o título da competição. Mas não podia mesmo era perder, sob risco de não conseguir subir para a Série A. Beltrami marcou dois pênaltis para o Náutico, fato que tirou os gremistas do sério. Quatro jogadores do time gaúcho foram expulsos, mas o Náutico perdeu as duas penalidades e ainda viu o garoto Anderson (hoje no Manchester United) fazer o gol da vitória e confirmar o título e a volta para a Primeira Divisão.

Expulsão de Dodô

Na final do Campeonato Carioca de 2007, entre Botafogo e Flamengo . foi acusado de prejudicar o time alvinegro ao anular, por impedimento, gol legítimo do atacante Dodô, que ainda foi expulso de campo por ter ignorado o apito e concluído o lance.

A decisão foi para os pênaltis, e o Flamengo ficou com a taça.


Corinthians rebaixado

Também em 2007, mas agora na última rodada do Brasileirão, Djalma Beltrami voltou a entrar no olho do furacão. Com a corda no pescoço, o Corinthians jogava contra o Grêmio, no Sul, e também torcia para o Goiás não vencer o Internacional , em Goiânia.

Durante o jogo no Serra Dourada, Beltrami marcou pênalti para o Goiás. O meia Paulo Baier perdeu duas vezes, mas o juiz mandou voltar ambas, apontando que o goleiro Clemer se adiantara nos lances. Na terceira cobrança, agora sob os cuidados de Elson, o Goiás converteu e comemorou vitória por 2 a 1.

Com um empate por 1 a 1 com o Grêmio, o Corinthians foi rebaixado.

Jogo com dois finais

Pela sexta rodada do Brasileirão de 2009, Djalma Beltrami conduzia o jogo entre Santos e Atlético-MG , na Vila Belmiro. Na reta final do jogo, sinalizou que daria quatro minutos de acréscimo, mas encerrou o jogo aos 48.

Os jogadores do Santos reclamaram bastante, já que o time perdia por 3 a 2 para os mineiros. Beltrami então deu novo início à partida, e se complicou. Os santistas marcaram o gol de empate, aparentemente legal, aos 50 minutos, mas o árbitro anulou.

Grave acusação

Desligado dos quadros da Fifa no final de 2008, Djalma Beltrami se revoltou contra seu superior, Sérgio Corrêa, presidente da Conaf (Comissão Nacional de Arbitragem). Em janeiro de 2009, foram divulgadas denúncias do árbitro contra Corrêa.

De acordo com Beltrami, o presidente da Conaf chegou a lhe oferecer vantagens financeiras e arbitragens em bons jogos do Brasileirão em troca de ceder lugar no quadro da Fifa. À época, Corrêa afirmou que ofereceu a Djalma Beltrami e outros árbitros que perderiam o escudo da Fifa a mesma remuneração de árbitros internacionais, superior à de árbitros que apitam apenas jogos da CBF.

Imagem de moralizador
Apesar de ter feito carreira no Rio, Beltrami é paulistano. Aos 45 anos, pendurou de vez o apito em maio e passou a se dedicar somente à corporação. Ele chefiava o 7º Batalhão da Polícia Militar em São Gonçalo com o moral de disciplinador, capaz de limpar a imagem do batalhão.

O ex-árbitro chegou ao atual posto há quatro meses, após a saída do tenente-coronel Cláudio Oliveira, acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli , morta com 21 tiros quando chegava em casa no dia 11 de agosto deste ano.

Na última segunda-feira, foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil sob suspeita de receber propinas do comando do tráfico de drogas no Morro da Coruja.

Beltrami, no momento de sua prisão no Rio de Janeiro
Agência O Globo
Beltrami, no momento de sua prisão no Rio de Janeiro

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