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Ex-presidente diz que jogadores sentem reflexos das brigas nos bastidores e defende profissionalização

O Palmeiras sofre com uma série de problemas dentro e fora de campo. O mais conhecido diz respeito à política interna, aquecida pela eterna disputa por poder entre os cardeais do clube. O técnico Luiz Felipe Scolari e os jogadores insistem que a política não reflete no elenco, mas o ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo discorda. Em entrevista exclusiva ao iG , ele cita atletas que sofreram com a guerra pelo poder, aponta soluções para o problema e lembra que recentemente o clube só foi vencedor quando teve uma gestão profissional.

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O exemplo que o economista usou foi o de Diego Souza , meia que hoje é destaque do Vasco . Na sala de sua casa, cheia de referências ao Palmeiras, entre ligações para importantes jornalistas e economistas, Belluzzo disse que o jogador pediu para deixar o clube por não suportar a pressão cada vez maior.

“Os jogadores comentavam muito comigo esse tipo de tensão. O Diego Souza , quando saiu, disse que não aguentava mais a situação desconfortável. Assim como outros jogadores, que manifestaram a angústia por causa do ambiente em que tudo vaza”, disse o conselheiro, que também defende uma punição a  Kleber pelo atrito que ele teve recentemente com o vice-presidente, Roberto Frizzo.

Arnaldo Tirone (dir.) e Roberto Frizzo venceram eleição em janeiro
AE
Arnaldo Tirone (dir.) e Roberto Frizzo venceram eleição em janeiro


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Por causa da insistente guerra, sempre em evidência na mídia, Belluzzo afirmou que é muito difícil contratar um jogador que tenha outras propostas. O atleta se assusta com a turbulência no Palmeiras e prefere ir para outro time que iguale a proposta.

Leia nesta quarta-feira (12/10) a entrevista completa com Luiz Gonzaga Belluzzo

“Esse problema existe. Diante de propostas iguais, os jogadores trepidam de ir ao Palmeiras. Por isso, precisamos trabalhar muito para terminar com isso. A trairagem, a falsidade, tudo isso pega muito mal, não ajuda. O Tirone e o Frizzo precisam evitar que esse mal se alastre”, afirmou. “Eles têm que sufocar esse clima ruim dentro do elenco e reencaminhar tudo isso aí”.

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Ainda sobre a influência da política no futebol, Belluzzo afirma que não pode ser coincidência que o Palmeiras teve seus últimos grandes títulos quando o futebol saiu do comando dos conselheiros e ficou nas mãos de profissionais da Parmalat, blindando completamente o time das turbulências que aconteciam nas reuniões no clube social.

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Por isso, ele afirma que uma das poucas salvações para que o torcedor volte a ser feliz é a profissionalização do futebol e a cobrança de resultados de uma pessoa que receba um salário à altura para cumprir a função de gerente num clube com mais de 16 milhões de torcedores.

Luiz Gonzaga Belluzzo (dir.) com Gilberto Cipullo, aliado afastado pelo vice Salvador Hugo Palaia
Gazeta Press
Luiz Gonzaga Belluzzo (dir.) com Gilberto Cipullo, aliado afastado pelo vice Salvador Hugo Palaia

“É muito desejável separar o clube do futebol. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ainda mais quando a Arena estiver pronta, porque vai ser de difícil implementação a mudança das tradições. O futebol é muito disputado, é onde acontecem as tensões. Sempre que o clube vai mal, tem uma tentativa de derrubar o diretor. Tem que profissionalizar e colocar conselheiros apenas na fiscalização”, disse o ex-presidente. “No Palmeiras, torcer contra o próprio time é muito comum”.

Sem nenhuma vontade de atuar novamente em cargos do clube e defendendo a criação de um "Senado" formado pelos ex-presidentes palmeirenses, Belluzzo afirma que a única solução para o Palmeiras voltar às vitórias é a profissionalização e a eleição direta. Isso, porém, precisa ser atualizado no Estatuto, para que os conchavos políticos deixem de ser essenciais para vencer uma eleição e governar o clube em paz. Ele promete trabalhar para isso, mesmo fora da diretoria. "Desde o começo estou envolvido nesta mudança, e precisa incluir também o sócio-torcedor", prega o ex-presidente.

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Quando estava no comando do clube, Belluzzo foi consultado sobre a possibilidade de alterar o estatuto por conta própria. Ele recusou. "Quando eu saí do hospital, queriam que eu fizesse uma canetada. Não vou fazer e não farei. Eu estava prestes a sair da presidência e não posso fazer isso. Precisamos ter respeito com as normas estatutárias. Não faria jamais, porque seria um péssimo exemplo. Não podemos pensar que, se os outros fazem ditadura; se nós fazemos, é virtude. Isso é um recado que eu quero dar a todos. Não é da minha tradição familiar, cultural e jurídica”, disse o ex-dirigente.

Atualmente, Belluzzo tenta ocupar o tempo com projetos pessoais, como a faculdade que comanda e a revista “Carta Capital”, onde tem uma coluna. Com a agenda lotada e com pouco tempo para se dedicar ao Palmeiras, ele tem evitado falar de futebol. Criticado por ter dado carta branca ao então vice-presidente de futebol, Gilberto Cipullo, ele também critica o "golpe" aplicado no clube enquanto ele estava internado por causa de um problema cardíaco, quando Salvador Hugo Palaia assumiu a presidência e destituiu todo o departamento de futebol, deixando Savério Orlandi, Genaro Marino e Cipullo sem cargos.

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Ele afirma que não sabia de absolutamente nada, mesmo porque estava proibido pelos médicos de se ocupar com assuntos que pudessem estressá-lo.

“Foi um incidente muito desagradável, porque algumas pessoas insistiram que eu sabia ou então que eu deveria saber. Não sou dado a esse tipo de deslealdade. No caso do vice-presidente que estava na função, foi uma falta de compreensão do papel dele. Foi um sinal negativo de como as coisas podem ocorrer no futebol” relembrou Belluzzo.

Leia nesta quarta-feira (12/10) a entrevista com todas as declarações de Luiz Gonzaga Belluzzo

Era Parmalat é lembrada por Luiz Gonzaga Belluzzo
Gazeta Press
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