Tamanho do texto

Cada um na sua época, trio de heróis transformou o Santos e o projetou o clube para além dos títulos regionais

Três personagens da centenária história santista foram os principais responsáveis em construir o status que o Santos tem hoje. São vários os heróis e craques que vestiram a camisa santista, mas Pelé , Robinho e Neymar , cada um no seu tempo, transformaram o Santos: um clube gigante e conhecido pelos quatro cantos do mundo por seu futebol arte, algo que está no DNA santista.

Pelé estreou no Santos com um time campeão, mas o fez ainda mais vencedor
AE
Pelé estreou no Santos com um time campeão, mas o fez ainda mais vencedor
Infográfico: A linha do tempo do centenário santista: 1912 - 2012

A “Era Pelé”, liderada pelo melhor jogador da história, deu ao Santos seis títulos nacionais, duas Libertadores, dois Mundiais e numa época de ouro do futebol brasileiro, tricampeão da Copa do Mundo (1958, 1962 e 1970), ajudou a criar a fama que o futebol brasileiro carrega até hoje mundo afora. “O único lugar para onde o Santos não levou o nome do Brasil foi a lua”, disse Pelé em recente evento do centenário santista.

Quiz: Você sabe tudo sobre o Santos?

Na época, o Santos era convidado para amistosos em todos os continentes e chegou a parar um sangrento conflito no antigo Congo Belga, na África, em 1969. A guerra civil no país foi cessada quando o Santos chegou por lá. “Só aquele time poderia fazer isso naquela época”, relembra Pelé. “No exterior, o Santos apareceu depois de Pelé. Mas antes o Santos já tinha sido campeão, e agradeço por me acolher”, disse o “Rei”, deixando a modéstia de lado.

Veja também: Almanaque dos 100 anos do Santos: números, recordes, protagonistas

Robinho, segundo personagem que mudou definitivamente a história santista, relembra com humor das histórias contados por seu pai sobre o Santos dos anos 60 e 70. “Quem não via o jogo perguntava de quanto que o Santos ganhou, não quanto foi o jogo”, recorda o atacante do Milan em depoimento ao filme “Santos: 100 de futebol arte” .

Pelé deixou o Santos em 1974. A partir daquele ano, alguns torcedores santistas da velha guarda lembram que tiveram de se readaptar e viram que Pelé com a camisa santista não seria eterno. “A ficha demorou a cair. Para nós vencer era comum. Quando o Pelé parou e os títulos escassearam por alguns anos foi duro golpe. Tivemos de nos redescobrir santistas”, disse o jornalista Luiz Zanin, santista, que também falou no filme em homenagem ao clube.

Robinho e as famosas pedaladas em Rogério no título do Brasileirão de 2002. Este campeonato renovou as esperanças santistas e recolocou o clube o caminho das glórias
AE
Robinho e as famosas pedaladas em Rogério no título do Brasileirão de 2002. Este campeonato renovou as esperanças santistas e recolocou o clube o caminho das glórias

O Santos teve bons times em 1978, com a primeira geração dos “Meninos da Vila”, liderada por Juari e Pita. Foi campeão paulista. Depois, em 1984, com Serginho Chulapa como grande artilheiro, repetiu o feito e levou o Estadual. Havia sido vice-campeão no ano anterior contra o Flamengo.

Leia ainda: Em comemoração ao centenário, Santos fará amistoso contra crianças

Dali para frente, o Santos viveu anos de angústia. Longos 18 anos sem títulos. “Não era fácil. A gente tomava quatro do São Paulo no domingo, cinco do Palmeiras na quarta e seis do Corinthians no domingo”, recorda o rapper Mano Brown, que também é entrevistado no filme.

O vice-campeonato brasileiro de 1995, com os erros de arbitragem da final contra o Botafogo e a épica remontada contra o Fluminense nas semifinais, ocupam um lugar especial na memória santista, mas a angústia só teve fim quando surgiu a segunda geração dos “Meninos da Vila”, liderada por Robinho e Diego.

Moicano de Neymar virou moda entre os jovens. Atacante é referência.
AE
Moicano de Neymar virou moda entre os jovens. Atacante é referência.
O título brasileiro de 2002 conquistado contra o Corinthians, o maior rival santista, encerrou uma longa fila. “Os torcedores do Santos já estavam cansados de serem chamados de ‘viúvas do Pelé’. O título de 2002 devolveu o orgulho ao santista”, diz Robinho. O “pretinho da canela fina”, como o técnico Emerson Leão o definiu, ainda conduziu o Santos ao título brasileiro de 2004, já sem Diego ao seu lado. Os títulos recolocaram o Santos no caminho das glórias.

Depois de 2004, o Santos já levou quatro Campeonatos Paulistas (2006, 2007, 2010 e 2011), uma Copa do Brasil (2010) e a Libertadores de 2011. Nos seus últimos títulos, o santista viu surgir uma nova joia que mais uma vez fez reescrever a história santista.

Neymar e Robinho foram campeões juntos em 2010
Gazeta Press
Neymar e Robinho foram campeões juntos em 2010
E o futuro?: Conheça a nova joia santista: de bola cheia a aluno preferido de Figo

Neymar, 20 anos, nascido na era digital e da instantaneidade, virou logo ícone. Garotos o imitam no corte de cabelo, no jeito de se vestir. Neymar virou moda entre os jovens jogadores. Mas isso não conquistado sem talento. Com mais de 100 gols na carreira e personagem principal nas recentes conquistas do Santos, o atacante renovou as esperanças do futebol brasileiro antes da Copa de 2014. Maior artilheiro do Santos depois de Pelé pendurar as chuteiras, o garoto diz que tem muito mais a conquistar. “Eu não me sinto ídolo. Só quero ajudar o Santos a conquistar mais títulos”, disse Neymar nas suas recentes entrevistas.

O presidente Luiz Álvaro Oliveira Ribeiro diz que o garoto que elevou sua gestão com as taças conquistadas é o maior nome do clube desde Pelé. Supera Robinho e pode ir muito além. “Ele é mito. Tem o futebol arte no sangue, que é o DNA do Santos na história do esporte. Foi protagonista na conquista da Libertadores depois de 48 anos. E vai ficar muito mais tempo aqui para conquistar ainda mais”, disse o presidente santista.

Com uma categoria de base forte, o Santos forma novas joias para continuar celebrando novos ídolos forjados na Vila Belmiro hoje e daqui 100 anos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.