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Treinador do São Paulo relembrou seus tempos como goleiro para comparar as duas competições

Há quem considere os Campeonatos Estaduais como uma espécie de extensão da pré-temporada. Mas Emerson Leão contesta. O técnico do São Paulo vai até além: ser campeão paulista é uma tarefa mais complicada do que conquistar o título brasileiro, frequentemente considerado o torneio nacional mais importante.

"O regional é mais difícil de se vencer do que o Brasileiro. Se juntarmos os times do interior com os da capital, teremos uma igualdade muito grande da capital e um dificuldade muito grande no interior", apontou o treinador, até como um recado ao seu elenco.

Leão não dispensa título do Paulista. Treinador acredita que o Estadual é mais difícil que o Brasileirão
AE
Leão não dispensa título do Paulista. Treinador acredita que o Estadual é mais difícil que o Brasileirão

A torcida e a diretoria são-paulina não escondem sua preferência por disputar a Libertadores. Mas, no segundo ano consecutivo fora da competição continental, até o vice-presidente João Paulo de Jesus Lopes fez questão de ressaltar a importância do Paulista, que, segundo o dirigente, tem cotas superiores às do torneio da Conmebol.

Em campo, Leão tenta recuperar o valor que o Paulista tinha quando foi jogador, entre 1967 e 1987. "Não sei se por soberba ou tradição, nos acostumamos a dizer que o futebol paulista é o mais competitivo e desejado do País. Se vou disputar o Paulista, então, por que não desejar vencê-lo?", comentou.

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Em 1972, o então goleiro do Palmeiras conquistou o Paulista e o Brasileiro. E relembra a diferença das festas para comprovar sua tese. "Ganhei o Regional e me senti felicíssimo, comemorei com amigos, família, companheiros. No mesmo ano, ganhamos o Brasileiro. Sabe o que fiz? Peguei o carro e fui para o interior, nem tomei conhecimento", contou, admitindo, porém, que os valores foram alterados atualmente.

"Nós, brasileiros, também ganhávamos poucas Libertadores porque não dava lucro. Preferíamos excursionar porque dava mais rendimento. Mas as coisas mudaram. Agora se prefere o Brasileiro, a Libertadores, o Mundial, o regional, tudo. Tem que ganhar até jogo-treino, senão dá problema", sorriu.

De qualquer forma, o comandante lembra que qualquer eliminação gera pressão. E o regulamento do Estadual, com a primeira fase envolvendo a disputa dos 20 times entre si em turno único, duelos eliminatórios em só uma partida nas quartas de final e semifinal e apenas a decisão em dois jogos, favorece resultados surpreendentes.

"As equipes entram na primeira fase e vão para três mata-matas nos quais qualquer descuido pode ser fatal. Se um time pequeno jogar dez vezes contra um grande, pode perder sete. Mas, se jogar só uma vez, pode ter chance", argumentou Leão.

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Em 2002, houve uma tentativa de diminuir o valor dos Estaduais, trocados no calendário do futebol brasileiro por regionais como o Torneio Rio-São Paulo. A medida durou só uma temporada, para alegria de Leão. "Sou um defensor ferrenho do regional, adoro o regional. Espero que o Paulista não termine nunca."

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