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Presidente do Flamengo afirmou que ainda não acertou com novo treinador, mas foi pega de surpresa com saída do técnico do Bahia

Alexandre Vidal/Fla Imagem
Desgaste com Ronaldinho Gaúcho levou Vanderlei Luxemburgo a ser demitido por Patrícia Amorim
Um dia depois de atacar verbalmente a imprensa, acusando os jornalistas no Engenhão de quererem "derrubar" o suposto bom ambiente do Flamengo , a presidente Patrícia Amorim anunciou oficialmente a demissão de Vanderlei Luxemburgo , que já se desenhava desde a pré-temporada na Bolívia. O principal motivo da saída do técnico, além da insatisfação de dirigentes próximos da mandatária, foi o desgaste da relação do técnico com a estrela do time, Ronaldinho Gaúcho . Amorim nega oficialmente a informação, mas o empresário e irmão do camisa 10, Assis, cumpriu papel de protagonista na fritura do comandante.

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Se a presidente deixou o Engenhão na quarta-feira pensando em manter Luxemburgo pelo menos até o clássico de domingo, contra o Botafogo, a postura do diretor executivo de futebol, Luiz Augusto Veloso, em reunião na manhã desta quinta-feira, deu a convicção à dirigente que não havia mais como esperar. Ele colocou o cargo à disposição e foi afastado. Além de Luxemburgo e Veloso, o gerente de futebol Isaías Tinoco também deixa o clube. Os nomes mais cotados para substituir o técnico e o gerente são Joel Santana e Paulo Angione, que anunciaram oficialmente a sua saída do Bahia também nesta quinta . Patrícia Amorim foi pega de surpresa com a informação no fim da coletiva e admitiu que as conversas existem.

Confira os principais trechos da entrevista coletiva de Patrícia Amorim:

Desmentido público no Engenhão
"No episódio de ontem (quarta-feira), vencemos a partida e com isso o Flamengo consolidou o projeto que tínhamos de classificação da Libertadores. Antes do jogo tivemos algumas notícias, estava chegando no estádio, meu telefone começou a tocar, meus amigos dizendo que já tínhamos contratado um novo treinador. Naquela emoção, achei que seria importante esclarecer. Consegui entrar no ar e expliquei que não tínhamos como confirmar aquela notícia, porque não tínhamos contratado nem contratamos outro treinador. Até hoje era o Vanderlei. De maneira nenhuma quis desmentir, foi apenas um mal-entendido. Acho que o torcedor queria alguma satisfação, nós demos e essa é a posição até hoje. Não contratamos nenhum treinador novo. Era importante ser firme naquele momento. Acertamos em fazer aquele esclarecimento".

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Mudança em um dia
"Hoje é um outro contexto, quase não dormimos. Hoje pela manhã o diretor executivo se afastou, colocou o cargo à disposição, isso gerou um desconforto muito grande. Fomos ouvindo opiniões de sócios, torcedores, jogadores, e como estamos começando uma nova fase, seria importante fazer as mudanças agora. Como o ambiente estava bastante pesado, conturbado, as mudanças teriam de ser agora".

Sobrevida de Luxemburgo até domingo
"Essa era a intenção. Mas informações vão chegando. São informações que não são oficiais. Recebi informação que o treinador teria se despedido na preleção, mas isso não era oficial. Tudo faz parte desse ambiente confuso, complexo do futebol. Até quando o diretor executivo colocou o cargo à disposição, aí nossa ficha caiu, ninguém saiu ganhando nessa história, tínhamos de pensar no melhor para o Flamengo. É a verdade, não tenho técnico contratado, sondagens existem sempre. Eu não fiz nenhuma diretamente, mas o tempo todo, o ano inteiro, tem empresários que oferecem jogadores, por exemplo".

Decisão da demissão durante a viagem para a Bolívia.
Não, não acredito nisso. Até porque já havia um combinado anterior, dito pelo próprio treinador, de que após esses dois jogos nós conversaríamos. A demissão não veio antes, foi conversando olho no olho do treinador. Demiti Andrade, Rogério, Silas da mesma forma, olhando no olho, conversando, percebendo o ambiente conturbado. Acredito que isso não diminui em nada o respeito que tenho por ele e ele por mim. A conclusão desse encontro foi o afastamento do treinador. Ninguém derrubou ninguém. Eu falo olhando no olho".

Exigência de demissão do técnico por parte de Ronaldinho
"Não, nem eu admitiria isso. Nem converso com o Ronaldo, os jogadores é o que converso menos. É mais fechado, mando mensagem, às vezes ele nem responde. Não é nem de longe o jogador com quem melhor me relaciono. Sempre converso com o Assis, mas não deixaria condicionar, o Flamengo não é refém de jogador nem de dirigente. A questão do relacionamento com o Ronaldo teve influência também, mas acho que é um conjunto de coisas. O treinador dá uma entrevista e fala, então tudo muda. Pontuava que teria uma conversa, enfim, de uma forma às vezes um pouco mais agressiva. Quando chegasse no Rio, ia colocar, e pontuou o segundo jogo. Aguardamos. Ninguém é cego, ninguém é bobo, todo mundo sabe o que acontece. A situação final foi na última entrevista, aí ele diz a outra entrevista foi lá atrás, que tudo mudou".

Vazamento do acerto com Joel e demissão de Luxemburgo para os atletas
"Não teve uma reunião da diretoria com os jogadores para dizer nada sobre isso. Passei ontem no hotel 10 minutos para entregar ingresso. A decisão foi tomada hoje, depois de conversar com ele (Luxemburgo). Fica a amizade. Esse desgaste vem acontecendo ao longo do tempo, a gente não sabe se tem um impacto no rendimento do time, mas acredito que sim. Existe um componente importante no futebol que é a paixão, a alegria e acho que esse grupo já jogou com mais alegria".

Multa rescisória
"Vamos conversar, realmente a multa rescisória é um peso para o Flamengo. Não ter de pagar e poder investir seria ótimo. Mas está no contrato, cumpra-se".

Momento em que relação de Luxemburgo e R10 se tornou ruim
"Nunca teve uma coisa explícita. Mas são dois personagens do futebol brasileiro, duas marcas com gênios diferentes. Isso em algum momento não fluiu bem. Mas eu não estou nesse dia a dia e não sou porta-voz de nenhum dos dois. No momento que o fato da mulher na concentração em Londrina aconteceu, imediatemente nosso vice jurídico foi para lá. Analisando a situação, achou que cabia uma advertência. Analisou, viu a fita, não agradou muito naquele momento. Quando tem desgaste, qualquer coisa pequena fica muito grande".

Boa relação com o elenco
"Tinha, mas não era mais como antes. Teve um desgaste natural".

Ataque à jornalistas dizendo que queriam "derrubar" o clube
"O meu sentimento como rubro-negra é que tudo isso cabe na nossa visão, não levem como pessoal. Algumas vezes também me arrependo, já reestabeleci minha normalidade. Ali naquele momento era uma notícia de muito impacto".

Ausência de dirigentes diante da crise na Bolívia
"Ano passado eu fui na pré-temporada, esse ano estavamos em negociação com o Thiago, o Vagner, o Gonzalez, estávamos buscando recursos, não tínhamos como sair daqui porque era uma engrenagem que precisava funcionar bem, cumprir os atrasados. Gastamos em torno de R$ 550 mil com a pré-temporada e principalmente com a adaptação em Sucre. A estrutura foi toda atendida. Voo fretado, não teve limite de jogadores, e isso tem um peso. Parece que é tudo muito fácil, mas não é não. Mandamos o Jorge Rodrigues como chefe de delegação, que nos representa".

Acerto com Joel Santana e Paulo Angione
"Pode ter. Mas não falei com o Joel, não falei com o Angione, que conheço desde a época que nadava. As conversas existem. Vamos resolver o mais rápido possível a partir de agora, mas a gente não tem um treinador. Resolvemos um problema e agora vamos em busca dessa nova comissão".

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