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Oposição do clube quer saber se Tirone deixará desperdício de R$ 600 mil passar em branco

O Palmeiras segue sem achar um culpado para a perda de R$ 600 mil com atraso no pagamento da multa rescisória do atacante Ewerthon. Como o iG revelou em dezembro, três parcelas não foram pagas de maneira consecutiva e a dívida com o jogador que era de R$ 600 mil passou a R$ 1,2 milhão por causa do acordo que foi feito na época.

Ewerthon deixaria o clube com direito a receber cerca de R$ 3,2 milhões. O valor foi diminuído após acordo feito pelo ex-advogado do Palmeiras André Sica, ainda na gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo. O saldo devedor caiu para R$ 1,7 milhão. Ou seja, reduzido em quase 50%. Esse valor foi dividido em R$ 1,1 milhão de direitos trabalhistas e os R$ 600 mil de direitos de imagem. A única condição imposta pelo atacante foi uma grande multa em caso de atraso, especialmente na tumultuada época em que ele deixou o clube.

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Contrato mostra condição imposta por Ewerthon para multa passar de R$ 3,2 milhões para R$ 1,7 milhão
Reprodução/Exclusivo iG
Contrato mostra condição imposta por Ewerthon para multa passar de R$ 3,2 milhões para R$ 1,7 milhão

O assunto foi debatido na última reunião do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) ainda em dezembro e a explicação do setor financeiro foi limitada apenas a dizer que a dívida foi parcelada em 12 vezes. Gilto Avallone, um dos membros do órgão, também prefere não achar culpados pelo atraso e diz que a confusão começou já na gestão passada.

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“O pagamento fez parte do acordo o direito de imagem que estava atrasado. Acontece que o acordo foi firmado dois dias antes das eleições. Quando tomaram posse havia R$ 50 milhões em atraso mais R$ 1,5 milhão de negativo nos bancos. Não tiveram tempo de ler todos os documentos tamanho era o rombo, nem sabiam o que fazer nos primeiros dias”, explicou Gilto por email.

O acordo foi realmente feito nos últimos dias de Luiz Gonzaga Belluzzo. O detalhe, no entanto, é que o departamento financeiro, o jurídico e outros setores do clube foram avisados 73 dias antes do terceiro vencimento atrasado, como mostram as assinaturas no documento abaixo, datadas do dia 2 de fevereiro de 2011. Para evitar que a multa passasse dos R$ 600 mil para os R$ 1,2 milhão, bastava que uma parcela fosse paga.

Quadro resumo mostra que aviso foi recebido no dia 02 de fevereiro por todas as áreas do clube. Espaço em branco foi de departamento extinto na nova gestão
Reprodução/Exclusivo iG
Quadro resumo mostra que aviso foi recebido no dia 02 de fevereiro por todas as áreas do clube. Espaço em branco foi de departamento extinto na nova gestão

No mesmo período, o clube passou a ter todos os salários em dia, recebeu verbas da FPF (Federação Paulista de Futebol), da TV Globo e de outros patrocinadores. Ou seja, o dinheiro que foi aplicado em outras áreas poderia ter tido o desconto de apenas uma parcela para que a dívida dobrasse. Na época, até mesmo impressoras coloridas eram cortadas para economizar gastos.

A oposição segue cobrando explicações do presidente Arnaldo Tirone. Acusam o atual departamento financeiro de negligência e não entendem como, até agora, ninguém foi responsabilizado por prejuízo de R$ 600 mil. O vice financeiro, Walter Munhoz, também limita-se a afirmar que a dívida foi estendida. O diretor jurídico, a outros veículos, diz que o valor estabelecido no contrato foi renegociado.

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