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Capitão expôs divisão de grupo na seleção, entre os mais velhos da era Dunga e os mais novos convocados. Ganso ficou constrangido

Mowa Press
Lúcio participou de coletiva nesta segunda-feira na Copa América
Capitão, mais experiente da seleção brasileira aos 33 anos, Lúcio deixou de lado o discurso politicamente correto e cobrou publicamente mais seriedade de alguns jogadores da seleção brasileira. Ele não citou nomes, mas o recado foi para os mais jovens, aqueles segundo o zagueiro que estão “jogando com o nome que fica atrás na camisa”. “Não são apenas dois ou três que vão fazer a diferença aqui na seleção”, começou o jogador, titular nas últimas três Copas do Mundo.

“O símbolo que vai à frente da camisa é mais importante do que o nome que vai atrás da camisa. Além de talento e genialidade, tem que ter algo mais, não é nome que vai ganhar jogo e não é só uma vitrine. Falta dar um pouquinho mais, jogar um pouco sem a bola, o conjunto sempre foi o principal da seleção brasileira, não a individualidade“, disparou Lúcio.

O iG mostrou na segunda-feira que a seleção brasileira já está dividida em dois grupos: aqueles que eram fieis ao antigo técnico Dunga, como Lúcio, Julio Cesar, Maicon e Robinho, que estão perdendo espaço, e os atletas mais jovens . As declarações de Lúcio expõem essa diferença e sobrou para o meia Paulo Henrique Ganso explicar, já que foi o segundo jogador escolhido pela assessoria de imprensa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para entrevista coletiva desta segunda-feira à tarde. Ele chegou à sala quando Lúcio já falava e, ao começar a ouvir as críticas, deu um sorriso amarelo.

“O Lúcio é um jogador experiente, que temos que ouvir. A nossa autocrítica é que realmente nãos estamos jogando bem (sobre os atletas mais jovens”, disse Ganso. Ele contou que tudo o que Lúcio disse à imprensa foi passada aos mais jovens depois do empate contra o Paraguai. “Foi um papo bom, temos que aprender com os mais experientes”, disse Ganso.

Lúcio disse que faz as críticas, mas respeita os colegas. “Não importa se tem 18 anos ou 30 anos, sem é novato ou veterano de seleção. O que procuro fazer é mostrar a eles que eles podem dar mais um pouquinho para a seleção, que todo mundo aqui precisa ter seriedade no trabalho. Ninguém deixou as férias de lado, as famílias, para brincar por aqui”, continuou o zagueiro. Ele não acredita, porém, em corpo mole. “Isso não”, cravou.

Após o treino da tarde, Mano Menezes e o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, conversaram em particular com Lúcio. Segundo Paiva, o papo foi para parabenizá-lo pela entrevista. De longe, porém, a imagem parecia mais uma cobrança do que um elogio.

A seleção brasileira volta a campo na quarta-feira, em Córdoba, contra o Equador (jogo começa às 21h45), e precisa vencer para se classificar sem depender de nenhum outro resultado na Copa América. Um empate pode até dar à vaga, desde que o Paraguai perca para a Venezuela ou em terceiro, mas aí é preciso esperar a definição das outras chaves. A derrota elimina.

Ganso chegou depois à coletiva e teve que explicar cobranças do veterano
Mowa Press
Ganso chegou depois à coletiva e teve que explicar cobranças do veterano

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