Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa
Divulgação/Fifa
Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa

Sempre polêmico, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter fez uma rara aparição na imprensa anos após deixar o comando da maior entidade do futebol mundial. Alvo de investigações do comitê de ética da entidade por acusações envolvendo propina e má gestão financeira, o ex-dirigente abordou, em entrevista ao jornal espanhol "ABC", os escândalos, os problemas de saúde e criticou o atual presidente da entidade, o italiano Gianni Infantino.

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Aos 86 anos, Blatter chegou a ser internado em estado grave e ficar em coma entre o fim de 2020 e o começo de 2021, quando passou por uma cirurgia no coração. Nos últimos anos, ele vem tratando crises no sistema imunológico e já passou por cirurgias para tratar um câncer de pele e um problema no joelho. Mais recentemente, venceu a Covid-19.

— Tive um problema de saúde, mas já estou em condições. Vivo em Zurique (capital da Suíça), na mesma casa que ocupei desde 2005. Era da Fifa, foi vendida e continuo vivendo aqui. Instalei um escritório com outros interesses para a vida, mas naturalmente ligados ao futebol. É impossível deixá-lo quando você trabalha 45 anos na Fifa. Sigo vinculado ao esporte vendo pela televisão.

O suíço diz que encontrou duas vezes o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino. Mas relatou que os encontros foram confusos e a relação entre os dois não é boa. Ele dnão acredita que Infantino faça mal ao futebol, mas acha que sua "atitude" pode incomodar os países membros do conselho executivo.

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— Nos encontramos duas vezes depois de sua eleição, em 2016. Veio a minha casa discutir temas da Fifa e me disse que foram deixados problemas não solucionados quando fui suspenso da Fifa, que seriam consertados depois de um congresso no México. Depois desse congresso, não recebi mais informações (de Infantino). Perguntei à secretaria geral sobre a promessa de solucionar meus problemas e a resposta foi que ele não discutiria diretamente com o antigo presidente, só através de advogados. Foi a última e única informação que recebi desse senhor. Devo dizer que é um mal educado. Foi uma falta de respeito.

Banido até 2028
Em março do ano passado, Blatter recebeu seu banimento mais recente pelo comitê de ética da entidade: seis anos e oito meses, que se somaram a uma punição total que só se encerrará em junho de 2028. Ele nega que tenha cometido irregularidades. Perguntado se considerava sua gestão da Fifa uma máfia, também negou.

— A Fifa, não. Mas continuam ali pessoas que não correspondem ao "fair play" do futebol. São pessoas individuais. Não sei quantos, dez ou mais membros da época, todos da América do Sul e do Norte, foram presos na Suíça e enviados aos Estados Unidos, alguns condenados por corrupção. Mas a Fifa mesmo não será castigada por corrupção ou por ser uma máfia. A Fifa são milhões de pessoas no mundo inteiro que participam do jogo. Naturalmente, entre essas pessoas, há algumas não tão corretas, mas dizer que a Fifa é corrupção ou máfia é ruim. Não é justo.

Por fim, ele lamentou as repercussões dos episódios polêmicos em sua vida pessoal. Afirmou que o episódio em que um comediante arremessou notas de dólares falsas contra ele, em 2015, foi planejado para destruir sua reputação. Revelou também que a família sofreu com os episódios envolvendo seu nome.

— É complicado. Sofreram muito com tudo isso. Especialmente minha neta, Fellina, no colégio, no balé. Seus colegas diziam que seu avô era um homem mau. E ela, uma garota de 15 anos, ficou naturalmente muito enojada e teve que sair da escola, trocar de colégios. Seu pai e sua mãe também não entendiam por que atacar uma criança totalmente inocente, uma jovem de 15 anos, por causa de seu avô. Ainda assim, não foram contra as regras do jogo ou da vida.

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