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Time que eliminou brasileiros e venceu o Boca Juniors na final da Libertadores 2004 não vingou

Talvez você não se lembre, mas o Once Caldas, adversário do Internacional pela Copa Libertadores na noite desta quarta-feira, já ganhou a competição continental. Em 2004, o time colombiano surpreendeu, eliminou os favoritos Santos (de Robinho ) e São Paulo (de Luís Fabiano ) e venceu, nas penalidades, a final contra o poderoso Boca Juniors (de Carlitos Tevez ), que defendia o título.

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Porém, os grandes destaques da equipe (que foi vice-campeã do Mundial de clubes no final do ano), mergulharam no fracasso após o título. Também houve espaço para uma triste história de violência. Veja qual foi o destino do maluco goleiro Henao, do habilidoso meia Valentierra, do decisivo atacante Agudelo e do técnico Luis Fernando Montoya após a conquista da América:

Henao: Não foram poucos os que lembraram do lendário Higuita quando viram Henao atuando na Libertadores-2004. Com seus shorts curtos, jeito maluco e muita catimba, o baixinho fechou o gol na fase mata-mata e ainda defendeu o pênalti que deu o título sobre o Boca. As boas atuações lhe renderam convocações para a seleção de seu país e uma transferência para o Santos em 2005. Mas na Baixada o colombiano não foi nem sombra do milagreiro que conquistou a taça mais cobiçada do continente. Sempre mal posicionado, cansou de levar frangos e gols por cobertura. Saiu execrado pela torcida, e rodou por clubes da Colômbia e Venezuela sem se firmar. No ano passado, voltou ao Once Caldas, mas, aos 40 anos, deve pendurar as luvas ao final da temporada.

Henao
Gazeta Press
Henao "marca" Luizão. Após ganhar a Libertadores-2004, goleiro teve péssima passagem pelo Santos

Valentierra: Formado na base do Once Caldas e dono de um chute potente, o meio-campista fez cinco gols na Libertadores-2004 e decidiu as quartas-de-final contra o Santos. Ao final da competicão, foi especulado em diversos clubes europeus, mas acabou atraído pelo dinheiro do Al-Hilal, da Arábia Saudita. Após encher o bolsos, tentou a sorte no Cienciano-PER e depois no Peñarol-URU (com um apagado retorno ao Once Caldas no meio), mas sua carreira já estava em declínio. Ainda perambulou pelo futebol boliviano e por clubes pequenos da Colômbia antes de voltar ao time no qual foi formado, em 2011. Após nova passagem decepcionante, porém, foi dispensado. Atualmente está sem clube.

Valentierra escapa de Renato (d) e Paulo Almeida, do Santos, nas quartas. Meia prometia, mas não vingou
Reprodução
Valentierra escapa de Renato (d) e Paulo Almeida, do Santos, nas quartas. Meia prometia, mas não vingou

Agudelo: O gordinho não tinha lá muito jeito de matador, mas salvou o Once Caldas de duas enrascadas na competição. Nas oitavas, marcou no fim da partida o gol que levou o duelo contra o Barcelona-EQU para os pênaltis, vencidos pelos colombianos. Nas semis, anotou aos 45min do segundo tempo o tento que colocou seu time na final e eliminou o São Paulo da Libertadores-2004. Logo após a conquista do título, a Conmebol (Confederação Sulamericana de Futebol) anunciou que o jogador havia testado positivo para cocaína no antidoping. O Once Caldas não perdeu o título, mas demitiu o atacante. Agudelo rebateu: processou o ex-time e ganhou indenização (cerca de R$ 480 mil). Aos 39 anos, estás sem clube e praticamente aposentado.

Autor do gol que eliminou o São Paulo da Libertadores-2004, Agudelo foi pego no antidoping e demitido
Reprodução
Autor do gol que eliminou o São Paulo da Libertadores-2004, Agudelo foi pego no antidoping e demitido

Luis Fernando Montoya: Ciente da limitação de seu elenco, o treinador montou o esquema que garantiu o título ao Once Caldas: um 4-5-1 retrancado que deixou Celso Roth com inveja. Ganhou fama e o famoso prêmio de melhor técnico de 2004 do jornal uruguaio "El País", virando herói nacional. Ao final da temporada, acertava sua ida para o Porto -POR, que havia recém-liberado José Mourinho para o Chelsea -ING. Durante suas férias, porém, Montoya foi baleado em uma tentativa de assalto, ficando à beira da morte (os bandidos foram presos). Recuperou-se, mas ficou tetraplégico e foi obrigado a abandonar a vida de técnico, já que passou a respirar com a ajuda de aparelhos. Aos 50 anos e com a ajuda de amigos e de sua esposa, segue a vida como colunistas esportivo e professor nas cercanias de Medellín, Colômbia. Sua história deu origem ao livro "O campeão da vida", do jornalista e escritor colombiano Jaime Humberto Herrera.

Campeão, Montoya estava prestes a assumir o Porto-POR. Hoje, respira com ajuda de aparelhos
AFP
Campeão, Montoya estava prestes a assumir o Porto-POR. Hoje, respira com ajuda de aparelhos

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