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Treinador vê segunda intenção nas críticas e questiona: “Ganhamos o Gaúcho e a crise veio pra cá”

Falcão manteve a boa postura, mas mostrou irritação na entrevista
Gabriel Cardoso
Falcão manteve a boa postura, mas mostrou irritação na entrevista
Quando apresentado pelo Inter , no dia 11 de janeiro, o técnico Falcão declarou que sabia que estava saindo da “zona de conforto”. Ele deixava uma carreira consolidada como comentarista de televisão para cumprir o sonho de treinar o time do coração. Projetava que encontraria dificuldades pelo caminho, talvez não imaginasse que elas fossem tão grandes e rápidas.

O treinador do Internacional completa 52 dias de trabalho. Vive uma segunda turbulência no cargo, talvez a mais forte até então. A primeira foi quando o time foi eliminado da Libertadores e perdeu o jogo de ida da final do Gauchão ).

“Estou pensando em mudar a postura porque se transforma muito o que eu falo. Gosto de uma relação muito aberta, mas também muito honesta. Transformar o que eu disse não é legal. Estou pensando em fazer como a maioria dos meus colegas: respostas curtas. Vai ser ruim a entrevista, mas pode ser um caminho”, disse Falcão.

Mesmo antes de chegar o inverno, uma bola de neve foi se formando. Uma soma de fatores coloca o trabalho do treinador sob certo risco. Entenda o caso:

Tudo começou na semana passada. O Inter empatou com os reservas do Santos . Resultado que não foi de todo ruim, mas ficou um gostinho de algo a mais. Uma vitória na segunda rodada deixaria o time bem no Brasileirão. Aconteceu o inverso: o Ceará ganhou dentro do estádio Beira-Rio . Antes disso, o treinador expulsou D´Alessandro e Juan de um treino por discutirem. A atitude não pegou bem internamente. O clube acha que o caso foi superdimensionado.

O auge do problema veio no domingo. Era dia de folga, mas o treinador participou de um programa na Rádio Gaúcha . Na entrevista com os ex-colegas de emissora disse que não via o grupo do Inter em condições de brigar pelo título brasileiro. Falcão argumentou que precisava de reforços .

A declaração não caiu bem para os atletas. Fontes de dentro do clube relatam que eles ficaram descontentes com a avaliação do chefe. Tinga e Kléber falaram pelo grupo. Foram comedidos. Disseram que o treinador estava tentando tirar a pressão do time , mas foram unânimes na confiança de que o atual grupo poderia sim ganhar o Brasileirão .

Falcão reclama das cobranças da imprensa. Ele julga que não existe motivo para tanto. Inclusive deixou no ar uma frase para os críticos.

“Acho que tem alguma questão pessoal (nas críticas). Ganhamos um Gre-Nal que ninguém acreditava e parece que já esqueceram. Empatamos o primeiro jogo com o Santos, lá na Vila Belmiro, e a crise veio pra cá. É muito curioso isso", comentou.

Os dirigentes asseguram que não tomarão nenhuma medida drástica. Mas o futuro do Inter passa muito pela rodada de domingo, 18h30, quando o time visita o América-MG. 

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