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Beiranvand superou falta de apoio familiar para se tornar profissional, no Irã; brincadeira com pedras o habilitou a fazer longos lançamentos com as mãos

Goleiro do Irã pegou o pênalti de Cristiano Ronaldo no empate entre iranianos e portugueses por 1 a 1 na Copa do Mundo
FIFA/ Divulgação
Goleiro do Irã pegou o pênalti de Cristiano Ronaldo no empate entre iranianos e portugueses por 1 a 1 na Copa do Mundo

Quando o árbitro paraguaio Enrique Cáceres apontou a marca da cal, aos 7 minutos do segundo tempo do confronto entre Portugal e Irã, o placar já apontava 1 a 0 contra a seleção defendida pelo goleiro Beiranvand. A  derrota eliminava os iranianos e dava a classificação à seleção de Cristiano Ronaldo – um dos artilheiros da Copa do Mundo que estava se preparando para cobrar aquele pênalti. Foi então que o atual melhor jogador do mundo e detentor de cinco Bolas de Ouro parou nas mãos de um ex-entregador de pizzas e ex-pastor de ovelhas.

Alireza Beiranvand nasceu em Lorestão, próximo à fronteira do Irã com o Iraque, e é o filho mais velho de uma família nômade que transitava pelo país em busca de grama verde para alimentar suas ovelhas.

O hoje atleta profissional começou a trabalhar cedo ajudando seus pais na criação de ovelhas e, em seu tempo livre, costumava jogar bola ou brincar de Dal Paran, um jogo local que envolve arremessar pedras para longe – prática que, mais tarde, viria a influenciar em sua carreira como goleiro. Ele é conhecido por suas longas reposições de bola com as mãos (algumas a distâncias de 70 metros), característica que ele colocou em prática no próprio jogo contra Portugal nessa segunda-feira (25).

Conforme reportou o jornal inglês The Guardian , a família de Beiranvand se estabeleceu numa região do país quando ele tinha 12 anos de idade, e então Alireza começou a treinar em um clube local. Ele jogava no ataque de início, mas foi parar embaixo das traves quando um dos goleiros se machucou. Ali ele decidiu ficar, apesar das objeções de seu pai.

"Meu pai não gostava de futebol e queria que eu arrumasse um emprego. Ele até rasgou uniformes e luvas minhas, então tive que jogar com as mãos desprotegidas várias vezes", contou Beiranvand ao Guardian .

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Morador de rua, 'especialista em SUVs', entregador de pizza e gari no Irã

Diante da recriminação dos pais, o jovem Alireza decidiu viajar sozinho a Teerã, onde chegou a dormir na rua próximo ao clube onde passou a treinar todos os dias. "Eu dormia perto do portão do clube e uma vez eu acordei pela manhã rodeado por moedas que os pedestres deixaram para mim. Foi a primeira vez em muito tempo que tive um café da manhã gostoso", contou.

Beiranvand conseguiu trabalho na empresa do pai de um de seus colegas de time e depois passou a trabalhar em um lava-jato. Devido à sua altura (1,94m), o jovem sempre era destacado para lavar veículos altos, tornado-se 'especialista em SUVs'.

Beiranvand também trabalhou como entregador de pizzas e gari antes de ganhar seu primeiro contrato profissional. Essa oportunidade foi dada pelo Naft, logo após o clube no qual o goleiro treinava, o Homa, tê-lo dispensado.

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Dali para frente, o goleiro começou a brilhar e foi convocado para seleções de base do Irã até chegar ao grande momento de sua carreira: a defesa de pênalti de Cristiano Ronaldo. “Espero brilhar na Copa do Mundo e talvez ir para um grande clube europeu. Eu gostaria de jogar no Liverpool ou no PSG", disse Beiranvand ao Guardian antes do início do Mundial.

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