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Confederação Brasileira de Futebol foi único membro da Conmebol a quebrar acordo por voto na campanha vencedora, dos EUA, México e Canadá

Congresso da Fifa escolheu EUA, México e Canadá como sede da Copa de 2026; CBF votou no Marrocos
Divulgação/Fifa
Congresso da Fifa escolheu EUA, México e Canadá como sede da Copa de 2026; CBF votou no Marrocos

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) traiu a promessa pública de defender a candidatura tripla de Canadá, Estados Unidos e México como países-sede da Copa do Mundo de 2026 , e registrou voto pela campanha derrotada do Marrocos no congresso da Fifa realizado nesta quarta-feira (13), em Moscou.

Todas as entidades que integram a Conmebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol, haviam se comprometido a apoiar os norte-americanos, incluindo a própria CBF . Na hora de votar, no entanto, o presidente da confederação brasileira, coronel Nunes, depositou sua confiança na campanha africana. Acabou não fazendo diferença: o Marrocos foi derrotado, com 65 votos (em sua maioria, de países africanos), enquanto a candidatura vencedora obteve 134. A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã votou em branco.

Quebra de acordo pegou mal

Na saída do congresso, o coronel Nunes explicou à reportagem do jornal O Estado de São Paulo que considera "injusto" o Mundial retornar a países que já sediaram a Copa, enquanto o Marrocos nunca teve essa oportunidade. "Era bom que fosse o Marrocos. Nunca teve Copa lá", afirmou o cartola.

As declarações e, obviamente, o voto do coronel Nunes, surpreenderam os representantes da candidatura tripla de Canadá, Estados Unidos e México. Os americanos, conforme reportou o Estadão , entendem que o gesto do cartola brasileiro foi uma espécie de represália à investigação e julgamento realizados nos Estados Unidos que culminou na prisão de José Maria Marin, ex-presidente da CBF , e na queda de Marco Polo Del Nero, o antecessor do coronel Nunes no cargo.

De acordo com o jornalista Rodrigo Mattos, o coronel Nunes imaginou que o voto para o país-sede da Copa de 2026 (que será a primeira a contar com 48 seleções) seria secreto, mas foi surpreendido e tentou num primeiro momento se eximir da culpa pela traição ao acordo com a Conmebol. Os representantes da confederação sul-americana e das delegações da candidatura vencedora, no entanto, não acreditam que se tratou de um engano.

Leia também: Fifa vai aumentar prêmio da Copa do Mundo de 2022 em R$ 148 milhões

Trecho do documento da Fifa que expôs voto da CBF a favor da candidatura do Marrocos
Reprodução/Fifa.com
Trecho do documento da Fifa que expôs voto da CBF a favor da candidatura do Marrocos


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