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Enquanto os palestinos comemoram a decisão de cancelar a partida, os israelenses consideram que os argentinos cederam ao "ódio contra Israel"

Lionel Messi, maior craque da Argentina e um dos melhores jogadores do mundo, ainda não ganhou títulos com a seleção
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Lionel Messi, maior craque da Argentina e um dos melhores jogadores do mundo, ainda não ganhou títulos com a seleção

A partida amistosa entre Israel e Argentina, que estava marcada para o próximo sábado (9) e foi cancelada devido a protestos da Palestina, segue causando polêmicas. Enquanto os palestinos comemoram a decisão, os israelenses consideram que os argentinos cederam ao "ódio contra Israel".

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Para Jibril Rajoub, presidente da Federação Palestina de Futebol, o cancelamento do amistoso entre Israel e Argentina de grande representatividade contra Israel. "O que aconteceu é um cartão vermelho do resto do mundo aos israelenses para que compreendam que têm o direito apenas de organizar, ou jogar futebol, dentro de suas fronteiras reconhecidas internacionalmente", disse.

Além disso, o presidente da federação ainda afirmou que os israelenses tentaram usar os principais jogadores argentinos para fazer política. "Quem tentou misturar esporte com política foram os israelenses. Espero que a Argentina ganhe a Copa do Mundo", afirmou Rajoub.

Já segundo Avgdor Lieberman, ministro da defesa de Israel, o cancelamento do amistoso é apenas uma tentativa de destruir o país: "É uma pena que a elite do futebol argentino não tenha resistido às pressões dos que pregam o ódio contra Israel e que têm como único objetivo violar o direito fundamental de nos defendermos para destruir Israel".

Apoio dos jogadores

A decisão de cancelar o jogo foi sacramentada após uma reunião entre os jogadores da seleção e Claudio Tapia, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA). Na conversa, os atletas disseram não querer entrar em campo no amistoso. A justificativa seria o receio de confusões na partida e no entorno do estádio.

O atacante Gonzalo Higuaín, uma das estrelas do time, foi um dos que se posicionaram de forma favorável ao cancelamento. "No fim das contas, acho que a decisão final foi correta, e agora este jogo é passado. Acredito que em primeiro lugar está a saúde dos jogadores e o sentido comum, por isso achamos que decisão certa era não ir", disse o jogador em entrevista à "ESPN". 

Antes da reunião entre jogadores e entidade máxima do futebol argentino, o pedido de cancelamento da partida já havia sido feito pela Associação de Futebol da Palestina. A entidade considerou o jogo uma afronta ao país.

"O jogo é uma celebração ao 70ª aniversário da criação do Estado de Israel . Para nós, é inaceitável realizar esta partida em Jerusalém, que é um território ocupado e é triste ver que uma equipe, que conta com o carinho e apoio de tantos cidadãos palestinos e árabes, participar de uma violação ao direito internacional", afirmou Husni Abdel Wahed, embaixador da Palestina na Argentina, a uma rádio local.

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Pedido das crianças

O maior craque da seleção, Lionel Messi, recebeu até mesmo um apelo especial para que não jogasse a partida. Um grupo formado por 70 crianças palestinas enviou uma carta para o jogador com o pedido.

"Não sabemos se já ouviu falar dela (a cidade), mas temos certeza que vai ouvir, porque segundo nos disseram, você vai jogar com seus companheiros em Malha, em um estádio construído sobre a nossa aldeia destruída", afirma a carta das crianças sobre o Estádio Teddy, na parte ocidental de Jerusalém, onde seria realizado o amistoso.

Preparação para a Copa

Devido ao cancelamento da partida, a seleção precisará se virar para não ser prejudicada na preparação para a Copa do Mundo. O técnico Jorge Sampaoli vai pedir para que haja um novo confronto amistoso. A ideia é que o jogo ocorra em Barcelona, cidade em que a seleção se prepara a Copa. 

No Mundial, os argentinos estão no Grupo D, ao lado de Croácia, Islândia e Nigéria. O primeiro jogo acontece no dia 16 de junho, contra Islândia. A segunda partida, no dia 21, será contra a Croácia. A seleção de Messi encerra sua participação na primeira fase contra a Nigéria, no dia 26.

A Argentina chega à Copa do Mundo com a intenção de quebrar um jejum que já dura 25 anos, contando com um vice-campeonato em 2014, no Brasil: a Copa América de 1993 foi o último título conquistado pela equipe.

Depois de uma campanha irregular, com diversos empates, a seleção encarou o México no final da competição. Com dois gols de Batistuta, os argentinos derrotaram os mexicanos por 2 a 1 e conquistaram o que é até hoje sua última taça levantada.

Os argentinos voltaram a disputar uma final de Copa do Mundo somente em 2014. Liderados por Messi, acabaram derrotados por 1 a 0 pela Alemanha e não conseguiram por fim ao jejum. A saga do país em busca de títulos prosseguiu nos anos seguintes, com os argentinos chegando nas finais das Copas Américas de 2015 e de 2016, perdendo ambas para o Chile. 

No entanto, a campanha irregular nas Eliminatórias, somada ao desempenho pouco convincente do time nos últimos meses, deixa os argentinos com uma pulga atrás da orelha. Com um time cheio de estrelas, os argentinos garantiram sua participação na Copa apenas na última rodada das Eliminatórias, após vencerem o Equador, em Quito, por 3 a 1.

O herói da classificação foi Lionel Messi, que marcou os três gols do time na partida. Para se ter uma ideia, ao final da penúltima rodada do torneio, os argentinos estavam na sexta colocação, posição que deixava o país fora do Mundial . Nas Eliminatórias, foram sete vitórias, sete empates e quatro derrotas, com 19 gols marcados e 16 sofridos. No final das contas, o país ficou com a terceira colocação e evitou o vexame de não ir à Copa.

Repleta de estrelas no ataque, a Argentina sofre com a inconsistência defensiva. Messi deve ser decisivo para a seleção albiceleste, já que a equipe mostrou-se dependente do craque para impor seu ritmo de jogo.

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O camisa dez do Barcelona terá ao seu lado craques como Dí Maria, Sergio Agüero, Gonzalo Higuaín e Paulo Dybala. Favorita para ficar com uma das vagas de seu grupo, a Argentina terão que tomar cuidado com seus adversários. Todos possuem condições de surpreender e a disputa pela segunda vaga do grupo promete ser bastante equilibrada.

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