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Nas vésperas da Copa, autoridades aceleram o que chamam de "limpeza" e entram em confronto com ativistas dos direitos dos animais

Cachorros de rua são preocupação de autoridades russas para Copa do Mundo
Reprodução/Reuters
Cachorros de rua são preocupação de autoridades russas para Copa do Mundo

Com a Copa do Mundo se aproximando, as autoridades da Rússia estão preocupadas em deixar as cidades mais agradáveis para os turistas e causaram muita polêmica com a atitude contra os cachorros de rua, entrando em confronto com ativistas de direitos animais.

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O problema dos  cachorros de rua no país já existe há muito tempo, mas ganhou uma nova dimensão com a chegada do Mundial. Com o intuito de causar boa impressão, os russos querem retirar os cães sem dono de circulação nas ruas, matando os animais.

Acredita-se que existam até 2 milhões de animais vagando pelo país.

As autoridades do país recolhem, transportam e eliminam os cachorros, fato que vem causando muita polêmica. Sociedades de proteção aos animais alertam para que os cães sejam recolhidos, esterelizados e abrigados, diferente do extermínio que o governo faz.

Em entrevista à imprensa local, a ativista Helena Ivanova-Werchovskaya disse que as autoridades prometeram construir abrigos temporários nas cidades da Copa. "Os cachorros seriam recolhidos, esterilizados, abrigados e, depois da Copa do Mundo, de novos soltos. Isso era o que se dizia há dois, três meses", comentou.

Mas apenas as cidades de Moscou , São Petersburgo e Níjni Novgorod têm abrigos para animais de rua. Kaliningrado está construindo um, mas nenhuma delas as condições são ideais. "Onze cidades russas estão sendo inundadas com o sangue de animais sem dono", afirma o grupo de ativistas "BloodyFifa2018".

Abrigos superlotados

Cachorros de rua são preocupação de autoridades russas para Copa do Mundo
Twitter/Reprodução
Cachorros de rua são preocupação de autoridades russas para Copa do Mundo

Um projeto para esterilizar e vacinar os cães de Moscou, sem retirá-los das ruas, foi encerrado em 2008. Desde então, os animais são recolhidos para os 13 abrigos da cidade e ficam por lá. "Uma vez por ano, as autoridades fazem uma licitação para o recolhimento de animais. O pagamento depende do número de cachorros recolhidos. Quanto mais animais, mais dinheiro", critica Ivanova-Werchovskaya.

"Os animais são registrados nos abrigos, mas o número de vagas é limitado. Todos os abrigos estão superlotados", afirma a ativista.

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Para este ano, que é de Copa do Mundo, a Rússia deve gastar estão previstos 900 milhões de rublos (R$ 54 milhões) para o recolhimento e abrigo de cachorros de rua na Rússia. No ano passado foram gastos 670 milhões (R$ 40 milhões). Apesar de os recursos disponíveis serem maiores, a situação nos abrigos superlotados piora a cada ano.

"Os animais recebem a água que é levada para lá. Muitas vezes não há água. As gaiolas são velhas construções de madeira e precisam ser constantemente reparadas. Só há dinheiro para pequenos consertos, mas isso não basta", reclamou Ivanova-Werchovskaya.

Matança indiscriminada dos cães

Os ativistas também alertam contra o encerramento do programa para esterilizar e vacinar cães de rua em outras cidades. O projeto já foi proibido pela Justiça russa em Rostov do Don, em 2016, com o argumento de que soltar os animais coloca em risco a segurança pública.

"Ou seja, pode-se recolher e abrigar os animais, só que não há mais lugar nos abrigos. Soltá-los de novo é proibido. Assim, com o uso dos mais variados pretextos, os animais acabam sendo mortos", disse Ivanova-Werchovskaya. 

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Além dos editais públicos, as cidades também fecham contratos diretos com empresas para a captura de um determinado número de cachorros de rua . Mas apenas uma quantidade muito pequena deles vai parar num abrigo – estima-se que apenas um a cada dez animais. Nos demais casos são constatadas doenças e eles são mortos.

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