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Entrevistamos seis brasileiros que não torcem para a seleção brasileira e criaram amor por seleções como Alemanha, Argentina, Portugal e Uruguai

No país do futebol, nem todo mundo está contando os dias para ver a seleção entrar em campo na Copa do Mundo , pelo menos não a seleção brasileira. Contrariando a fama que o Brasil leva, algumas pessoas por aqui não são tão patriotas assim e escolheram outros países para vibrarem no Mundial e, mesmo que isso pareça um tanto quanto estranho, elas têm lá seus motivos.

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Rodrigo Gomes, torcedor da Argentina
Arquivo pessoal
Rodrigo Gomes, torcedor da Argentina


O mais intrigante disso tudo é que quando vamos buscar pessoas que torçam por outras seleções, encontramos um grande número de torcedores de nossos Hermanos. Quem também aparece forte nessa lista é a Alemanha, que tem a torcida de muitos brasileiros . Isso mesmo, aqueles que fizeram o histórico placar de 7 a 1 nas semifinais da Copa do Mundo no Brasil .

Rodrigo Gomes e Odair Silva fazem parte da grande lista de brasileiros que torcem para a Argentina – dentro e fora da Copa. Os dois contam que se apaixonaram pela seleção ainda na infância por se identificarem com a paixão que os argentinos também têm pelo futebol. “Comecei torcer para a Argentina em 93 na Copa América, mas falei para meu pai apenas em 98 e ele ficou transtornado”, comenta Rodrigo. “Quando pedi uma camisa da Argentina, não deu de forma alguma, fui trabalhar entregando panfletos e comprei essa camisa que tenho até hoje”, completa ele.

Odair Silva torce para a Argentina
Arquivo pessoal
Odair Silva torce para a Argentina


Assim como Rodrigo, Odair também se apaixonou pela seleção argentina, aliás, o motivo pelos quais eles torcem pela seleção são bem parecidos: a raça e paixão que os jogadores têm pela camisa. “Desde o primeiro momento que passei a entender de futebol, me identifiquei pelo estilo de jogo, luta e paixão que os argentinos têm pelo futebol”, explica. “Eles têm uma maneira apaixonante de acompanhar não só a seleção, mas também seus clubes. Se tornou uma paixão que às vezes se torna difícil de explica, é um sentimento diferente”, pontua ele, que além de torcer para a Argentina, tem o Boca Juniors como seu time do coração.

Brenda Matos torce para a Alemanha
Arquivo pessoal
Brenda Matos torce para a Alemanha


Se os brasileiros gostam bastante da seleção da Argentina, aqueles que gostam da Alemanha não ficam muito atrás. Brenda Matos tem 23 anos e é completamente apaixonada pelo país, tanto que gosta de acompanhar o campeonato local e esse amor todo começou durante a Copa do Mundo de 2006, mas nunca teve nenhum vínculo com o país. "O futebol foi a porta de entrada para a Alemanha na minha vida, depois de me apaixonar pela seleção eu comecei a procurar livros, filmes, músicas. Já fui pra Alemanha, estudo alemão e o meu sonho, sem a menor dúvida, é um dia morar lá", conta a estudante.

Marco no dia do 7x1
Arquivo pessoal
Marco no dia do 7x1

Marco Aurélio é de Curitiba, torce para o Internacional  de Porto Alegre e é outro torcedor da Alemanha quando o assunto é seleção. O rapaz gosta dos alemães desde 1990, quando ainda era criança e tem suas melhores lembranças, mas o título de 2014 não fica muito atrás não.

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"Eu trabalhava em uma  multinacional do varejo, e naquela ocasião, a empresa liberou todos os funcionários que quisessem a trabalhar com a camisa da seleção da CBF e eu trabalhei todos os jogos com a camisa da Alemanha, inclusive nos jogos da própria Alemanha", explicou. "No dia do 7 a 1 estava sozinho com a camisa e a bandeira da Alemanha no meio de 200 pessoas que estavam torcendo para o Brasil então 2014 foi épico".

De geração pra geração

Felipe Pita e Silvio não torcem para a Argentina, nem para a Alemanha e muito menos para o Brasil: enquanto Felipe torce assiduamente para o Uruguai, Silvio tem paixão por Portugal, mas o que eles têm em comum é que o amor dos dois por suas respectivas seleções vem de família.

"Desde quando comecei a realmente buscar informações do passado do meu  avô e toda sua trajetória e luta até chegar aqui, torço para Portugal", explica Silvio. Isso aconteceu no final de 2015 e, antes disso, ele tinha outra seleção do coração: a Alemanha. "Aliás, c aso Portugal seja eliminado, a Alemanha terá minha torcida", completa ele.

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Apesar de ser Corinthiano, lá em Portugal Silvio também tem seu clube: FC Arouca. "É onde meu avô nasceu. Cheguei a acompanhar bem mais, mas agora não acompanha mais", comenta.

Felipe Pita viu Uruguai x Colômbia no Maracanã
Arquivo pessoal
Felipe Pita viu Uruguai x Colômbia no Maracanã

O pai de Felipe nasceu no Uruguai e é por isso que ele tem um carinho pelo país. "Como gosto muito de futebol e acompanho inclusive o campeonato uruguaio, me identifico muito com a forma que eles são patriotas, a adoração à sua pátria, o modo de torcer até o fim, isso tudo me motivou a sair do acompanhamento e virar um torcedor da Celeste", explica o rapaz, que tambpem acompanha o campeonato uruguaio, rugby, futebol de areia e tudo que envolva o país.

Sua pior e sua melhor lembrança em relação a seleção uruguaia estão ligadas: foi na Copa de 2014, quando o Mundial aconteceu no Brasil e e ele foi assistir Uruguai x Colômbia, no Maracanã, nas oitavas de final. "Foi a melhor experiência da minha vida em relação ao Uruguai porque pude assistir a um jogo da Copa do Mundo da seleção que eu torço", comenta. "Poder cantar o junto com outros uruguaios foi mágico, mas a mesmo tempo, pela eliminação, também acabou sendo um final bem triste. Um misto de sensações", pontuou.

Seleção brasileira

O que Odair, Rodrigo, Brenda, Marco, Silvio e Felipe têm em comum além de cada um torcer para sua seleção? Nenhum deles cogita a hipótese de torcer para o Brasil caso suas seleções sejam eliminadas da Copa do Mundo. "Eu não consigo torcer pro Brasil", conta Brenda.

Silvio torce para Portugal
Arquivo pessoal
Silvio torce para Portugal


Felipe, que é palmeirense, diz que não consegue torcer para a seleção brasileira pelo excesso de "gambás" (apelido pejorativo em alusão ao Corinthians). Já Silvio, corintiano, vai além: "Eu só torceria para o Brasil se Cássio e Fagner fossem titulares ou se o Brasil fizesse a final com algum país que gosto menos ainda", diz. "Não tenho nada contra a amarelinha, o que eu tenho contra o Brasil é o jeito que se vive aqui, os 'ídolos' dos brasileiros, a extrema futilidade que cerca os programas de televisão, as músicas porcas e o modo do brasileiro de pensar e agir", finalizou.

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