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Sindicato mundial de atletas considerou decisão que tirou o atacante da Copa do Mundo "injusta, desproporcional e altamente danosa à sua carreira"

Paolo Guerrero alega que substância flagrada em seu organismo é proveniente de chá de coca
Divulgação/Flamengo
Paolo Guerrero alega que substância flagrada em seu organismo é proveniente de chá de coca

A Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro), entidade que representa um sindicato mundial dos atletas, classificou a  punição que tirou o atacante peruano Paolo Guerrero da Copa do Mundo como "injusta" e "desproporcional", e pediu uma reunião "urgente" com a Fifa.

Em nota divulgada nesta terça-feira (15), a federação diz que a decisão que ampliou a punição ao atacante da seleção do Peru é "altamente danosa" à carreira de Paolo Guerrero e "desafia o senso comum", uma vez que a Fifa e o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) reconhecem que o atleta não sabia que estava ingerindo uma substância proibida e que não houve efeitos sobre a performance do jogador e .   

"A FIFPro considera que a punição é injusta e desproporcional e representa o máximo exemplo de como o código mundial antidoping leva a sanções inapropriadas com frequência, especialmente quando é sabido que o atleta não teve a intenção de trapacear", diz o texto.

O sindicato de jogadores reclama ainda que o referido código antidoping foi imposto pela Fifa e recebeu atualizações "sem a devida consulta" aos jogadores e seus representantes. "À luz desse caso e de decisões recentes, a FIFPro está convocando a Fifa e outras partes interessadas a imediatamente revisarem as regras antidoping no futebol, para que possamos melhor servir aos interesses do jogo e proteger os direitos fundamentais dos jogadores", finaliza a nota.

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O caso Paolo Guerrero

O atacante do Flamengo e da seleção peruana foi flagrado com a substância benzoilecgonina, metabólico da cocaína, em seu organismo durante exame antidoping realizado após partida entre Peru e Argentina, realizada no dia 5 de outubro do ano passado, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O atleta e seus advogados alegam que a substância é proveniente de uma folha de coca utilizada para chá tomado em vários países da América do Sul.

O centroavante foi suspenso do futebol por um ano e começou a cumprir a sanção no dia 3 de novembro. Em dezembro, no entanto, o Tribunal de Apelação da Fifa decidiu reduzir a pena para seis meses e Guerrero pôde retornar aos gramados neste mês de maio – ele até mesmo marcou um gol no último fim de semana pelo Campeonato Brasileiro.

O caminho para Paolo Guerrero  representar seu país no mundial da Rússia parecia livre, até que, nessa segunda-feira (14), o Tribunal Arbitral do Esporte decidiu ampliar a punição ao atacante para 14 meses. Por se tratar da última instância da Justiça desportiva, não cabe mais recursos para o jogador.

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