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Presente ao último ato de Sanchez, Paulo Garcia reconhece avanços, mas diz que faltou transparência

Andrés recebe homenagem de diretores da sua gestão
Bruno Winckler
Andrés recebe homenagem de diretores da sua gestão
O último evento comandado por Andrés Sanchez como presidente do Corinthians nesta quinta-feira teve a presença não só de aliados, mas também de alguns de seus opositores dentro do clube. O principal deles é Paulo Garcia, candidato escolhido pelo grupo que tentará impedir a eleição de Mário Gobbi, candidato defendido por Sanchez.

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Satisfeito com o CT profissional que foi entregue por Sanchez no seu último dia de mandato, Garcia elogiou o desempenho do presidente do clube desde 2007, quando assumiu. Para Garcia, o saldo da gestão tem mais prós do que contras e é aí que ele pretende conduzir sua campanha. "Está muito bonito o CT. É um grande avanço, sem dúvida. A gestão do Andrés como um todo tem mais prós que contras, mas tem algumas coisas que não ficaram claras", disse Garcia, ao iG, na porta do hotel recém-inaugurado e próximo aos aliados de Andrés que tentarão eleger Gobbi.

Um deles, André Luiz Oliveira, diretor administrativo do clube, passou por Garcia e de com um sorriso no rosto lhe fez uma pergunta. "E aí? Gostou do CT?". Garcia lhe respondeu. "Claro, está muito bonito". "Senti uma ironia na pergunta, mas é normal. Não vou me rebaixar numa discussão sobre isso", disse Garcia, que se orgulha de ter feito uma oposição sadia ao longo da gestão de Andrés.

"Nesses quatro anos a gente sempre deixou claro que nós seríamos oposição, mas não uma oposição que quisesse criticar por criticar. Acho que é assim é que se constroi um grande clube e acho que no Corinthians se aprendeu a respeitar todas alas políticas do clube. O Andrés sempre me recebeu na sala dele com muita cortesia", disse, já lançando os principais pontos que abordará na campanha para vencer Gobbi, o candidato da situação.

Paulo Garcia, candidato da oposição à presidência do Corinthians
AE
Paulo Garcia, candidato da oposição à presidência do Corinthians
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"Ainda não está clara a questão do estádio, em quanto tempo o Corinthians vai conseguir pagar por ele. No início falaram que ia sair de graça só com a venda dos naming rights e com a isença fiscal. Parece que não é bem assim. O Andrés falou para eu ver o contrato com a Odebrecht, mas eu não quis ver porque antes ele tinha de apresentar no conselho", disse. Sanchez se defende e diz que todos os conselheiros e sócios do clube podem procurá-lo para esclarecimentos . "É um financiamento e conforme o Corinthians for pagando vai se apoderando das cotas. No máximo em 10 anos o Corinthians vai ser 100% dono do estádio", disse Sanchez.

Outro ponto que Garcia tentará abordar na campanha é dívida do clube, que estima-se estar em R$ 190 milhões ao final de 2011. "Aumentou muito e isso não pode continuar assim", disse. Raul Corrêa, diretor financeiro do clube, explicou no mesmo evento que a dívida está sob controle. Quando Andrés assumiu, a dívida corintiana era de R$ 100 milhões. "A gente arrecadava R$ 60 milhões por ano e agora, sem venda de jogador, acho que vamos fechar 2011 com R$ 240 milhões de receita", disse Corrêa.