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iG mostra como regulamento que prevê registro na CBF em setembro não evita times de aluguel. Peneiras são feitas até 45 dias depois

Lance da partida Oratório e Grêmio: time do AP inscreveu 47 jogadores na CBF em quatro dias
Gazeta Press
Lance da partida Oratório e Grêmio: time do AP inscreveu 47 jogadores na CBF em quatro dias
A tentativa da Federação Paulista de Futebol de evitar equipes montadas apenas para a disputa da Copa São Paulo de Juniores, times conhecidos como “de empresários”, não funciona. O artigo 13 no regulamento da 43ª edição, que começou nesta semana, obriga os clubes a registrarem no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF, até 16 de setembro do ano anterior (quase quatro meses antes do torneio), os jogadores que pretendem utilizar. A FPF imaginou que assim eliminaria elencos reunidos às pressas, apenas para colocar meninos na vitrine, mas os participantes arrumaram uma maneira de continuar formando os grupos após o prazo estipulado: entupindo a CBF de inscrições dias antes desta data limite, na maioria das vezes sem conhecer os atletas que estão inscrevendo.

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Não há ilegalidade, mas o “jeitinho” funciona da seguinte maneira: os clubes fazem acordos com equipes que não têm vagas na competição ou com empresários – todos interessados em expor seus garotos. Os parceiros então enviam uma lista extensa com nomes e dados de jogadores que podem ser utilizados e todos são colocados no BID, em uma enxurrada de registros em meados de setembro.

A versão da FPF : Entidade defende inchaço e regulamento

O detalhe é que só depois, às vezes bem depois, de 16 de setembro que os treinadores escolherão aqueles que serão usados – formando times com jogadores que mal se conhecem. Os que sobram seguem vinculados, às vezes sem nunca ter visitado a cidade sede do clube a qual “pertencem” e sem nunca jogar uma partida. Entre 13 e 16 de setembro de 2011, a maioria dos registros no BID foi de jogadores com status de “amadores” (garotos que não têm contrato profissional).

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O Cruzeiro do Distrito Federal (no grupo P da Copinha) registrou 25 no dia 16, o Aquidauanense, do Mato Grosso do Sul ( no grupo I, com o Flamengo ), 29 entre 15 e 16 e o Vitória de Santo Antão, de Pernambuco (no grupo Q, com o Santos), incríveis 49 atletas (quase cinco times) entre 14 e 16. A Federação Paulista exige que até 25 de novembro uma lista de 30 atletas seja enviada para a inscrição oficial no torneio – cinco são cortados na véspera da competição (todos têm que estar no BID desde 16 de setembro).

A estreia : Oratório é goleado pelo Grêmio

Na segunda-feira, ao iG , o presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, admitiu que talvez o regulamento não evitasse times de aluguéis, mas, segundo ele, acabava com equipes montadas em 15 de dezembro , às vésperas da competição. O exemplo relatado abaixo mostra que o otimismo do cartola é exagerado.

Peneira mineira

Arlindo Moreira, presidente do Oratório, defende que times do Norte possam fazer peneiras no Sul
Marcel Rizzo
Arlindo Moreira, presidente do Oratório, defende que times do Norte possam fazer peneiras no Sul
O Oratório, do Amapá, mandou para a CBF entre 13 e 16 de setembro o nome de 47 jogadores. Destes, pelo menos 32 nunca foram a Macapá, sede da equipe no Norte do País. Foram garotos testados em uma peneira realizada em São João Del Rey, cidade do interior de Minas Gerais, no começo do novembro, 45 dias depois de o clube ter registrado no BID o nome dos jovens que não conhecia pessoalmente.

O técnico do Oratório, Romeu Lima, e o presidente do clube, Arlindo Moreira, escolheram seis atletas mineiros, em uma parceria com um time amador de São João Del Rey, o Athletic Club, e outros de São Paulo, que foram até a cidade mineira enviados por empresários tentar a sorte para disputar a principal competição de base do futebol brasileiro.

“Se clubes grandes do Sul vão até o Norte fazer peneira, porque eu não posso fazer em Minas?”, questiona Moreira, que na quarta-feira assistiu sua equipe ser goleada pelo Grêmio por 5 a 0, na sede de Osasco pelo grupo S . “Quando falam dos times do Norte , acabam focando muito em sofrimento. Mas estou tentando profissionalizar, deixar algo de bom para nossos garotos. Por isso as parcerias”, disse Moreira.

Ele admitiu que o clube inscreveu no BID dezenas de jogadores antes da escolha, para cumprir a regra estipulada. E que a peneira dos meninos só ocorreu mais de um mês depois. “Fomos eu e o treinador em um final de semana para São João Del Rey. Havia 32 garotos, não só de Minas, alguns de São Paulo também. A parceria tem a questão econômica e a técnica. Não queremos fazer feio na competição e não temos condições de bancar o time inteiro para a viagem a São Paulo”, contou Moreira.

O acordo com o Athletic Club previa um mês de treinamento na cidade, com hospedagem e alimentação. Foi dessa maneira que os meninos do Amapá puderam conhecer os paulistas e os mineiros. Em troca, o Oratório se comprometeu de levar à Copinha ao menos cinco atletas do Athletic, clube que nem é filiado à CBF (vive do amadorismo). Os outros jogadores pertencem a empresas (como a Intercapital Gestão Esportiva) e outros têm passagens até pela base do Corinthians.

Do time titular contra o Grêmio, cinco garotos viajaram do Amapá, três eram mineiros e três de São Paulo. “Ainda não acertamos o que fazer caso algum dos garotos interesse a um clube. Vamos esperar acontecer”, disse Moreira. A Copinha ainda é uma boa vitrine.

Jogadores do Oratório (branco) ouvindo o Hino Nacional: só cinco titulares do Amapá
Gazeta Press
Jogadores do Oratório (branco) ouvindo o Hino Nacional: só cinco titulares do Amapá

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