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Como empresários, técnicos e deputados, ex-jogadores continuam a ter vida ligada ao esporte

Romário, Bebeto, Zinho, Paulo Sérgio e Aldair continuam ligados ao futebol. Só Márcio Santos (à direita) está fora
Raphael Gomide
Romário, Bebeto, Zinho, Paulo Sérgio e Aldair continuam ligados ao futebol. Só Márcio Santos (à direita) está fora
A maioria dos ex-atletas que se sagraram campeões do mundo em 1994 se reinventou para continuar de alguma maneira ligada ao futebol, mundo que conhecem e dominam. Além dos jogos por seleções master, muitos dos que estiveram em Manaus são empresários ou administradores de jogadores, agentes Fifa ou treinadores, caso de Dunga, que comandou a seleção brasileira na Copa da África do Sul.

"Não tem como estar fora. É a vida inteira dedicada ao esporte", diz Zetti, reserva de Taffarel na seleção de 94 e hoje comentarista esportivo e dono de uma escola de goleiros.

As duas maiores estrelas da conquista, Romário e Bebeto, seguiram caminho distinto, tornaram-se políticos – deputados federal e estadual –, mas tem plataforma voltada para o esporte.

Romário foi eleito deputado federal pelo PSB-RJ, com 140 mil votos, sendo o sexto mais votado do Estado e passou a dividir o tempo entre Rio e Brasília, principalmente. Aos 45 anos, tem sido atuante na fiscalização dos gastos do País na Copa do Mundo, convidou o ex-chefe Ricardo Teixeira (presidente da Confederação Brasileira de Futebol) a depor sobre o tema e chegou a dizer que “só Jesus Cristo” fará de 2014 a melhor Copa de todos os tempos.

Após ganhar peso nas eleições e chegar aos 86 kg, dez a mais que no fim da carreira, Romário entrou de dieta, auxiliado por remédios homeopáticos. Ao encontrar o ex-zagueiro Ricardo Rocha no aeroporto, Romário levantou a camisa e mostrou o abdome definido: “Tô com 74 (quilos)! Perdi desde a eleição. Só com remédio homeopático e alimentação”, disse, orgulhoso. Como exercício, conta que faz musculação, corre, joga futevôlei e joga futebol uma vez por semana, em um clube no Rio.

Aos 47 anos, o baiano Bebeto mantém o físico parecido com o da época de jogador. “Eu me cuido, estou sempre correndo.” O único problema é uma prótese que precisou pôr no quadril, por conta de desgaste ósseo, e que, por vezes, provoca dor.

Romário e Bebeto reeditam a parceria 17 anos depois
Divulgação
Romário e Bebeto reeditam a parceria 17 anos depois
Na Assembleia Legislativa do Rio, já propôs diversos projetos de lei, entre os quais desconto de IPVA a condutores sem infrações, exames toxicológicos em jovens em escolas públicas e implantação de detectores de metais em casas lotéricas. Seu filho Mateus, a quem embalou simbolicamente após gol em 94, é hoje jogador sub-17 do Flamengo e foi convocado para seleções brasileiras. O pai é coruja. “Não entendo como Ney Franco não o chamou para a seleção! Não tem ninguém melhor que Mateus na equipe”, reclamava o deputado aos colegas, ex-jogadores, no aeroporto.

Técnico da Seleção de 2010, Dunga mora em Porto Alegre e analisa novas propostas como treinador. “Tive vários convites, vários. Mas o momento não era o ideal, não tenho de ter pressa”, afirmou o ex-jogador, hoje com 47 anos.

O meia Zinho, 44, que começou carreira no Flamengo e jogou no Palmeiras, entre outros clubes, hoje é o diretor-técnico do Nova Iguaçu, após passagem como treinador do Miami F.C. “ Voltei e, como sou sócio-fundador, estou como diretor-técnico.” Ele foi a Manaus direto de Miami, onde foi passear com a família.

O zagueiro Aldair, 45, voltou da Itália definitivamente há cerca de um ano e mora em Vila Velha (ES), após encerrar carreira em 2003. Ele iniciou carreira no Flamengo, onde ficou de 1982 a 89, mas passou a maior parte do tempo fora do país, sendo 13 anos jogando pela Roma, da Itália. Hoje é agente Fifa e cuida da transferência de jogadores para o exterior.

Aldair (D) é agente Fifa, Ronaldão (C) é empresário e Zetti tem escola de goleiros
Raphael Gomide
Aldair (D) é agente Fifa, Ronaldão (C) é empresário e Zetti tem escola de goleiros
Seu companheiro de zaga Márcio Santos foi talvez o único do grupo que não mantém vínculos diretos com futebol. Dono de um shopping em Calneário Camboriú (SC), ele já recusou, a contragosto, propostas para ser técnico e integrar comissões técnicas de times no Brasil.

Ricardo Rocha , um dos elos de união e principal "animador" do grupo, não tem atuado nos amistosos, mas ajuda como organizador e captador de partidas no Brasil e no exterior. Há cinco anos, uma lesão em um dos joelhos o impede de voltar a exibir o estilo clássico nos gramados. "Perdi toda a cartilagem e tive de operar o menisco", conta. Em alguns momentos, o ex-jogador manca levemente. Os colegas cobram que ele se opere novamente para completar o time, mas ele posterga a cirurgia. Ele é empresário e dono do Showbol, que reúne ex-jogadores em torneios de futebol soçaite.

O ex-defensor Ronaldão, 46, vive em Campinas, onde é empresário de jogadores como o goleiro Júlio César, do Corinthians, Jucilei, William José e Marcelo Oliveira. Também é agente imobiliário de jogadores, representando uma empresa do setor, com sede nos Estados Unidos. “Invisto o dinheiro deles em imóveis para gerar renda e terem recursos quando pararem de jogar.”

O goleiro Zetti é comentarista de uma rádio em Santos e tem a academia de goleiros “Fechando o gol”, em Santo Amaro. Nove profissionais treinam 180 alunos, que vão de 9 a 66 anos de idade. “É o mesmo treino do Rogério Ceni e do Marcos, adaptado à idade do aluno amador”, disse Zetti.

Viola, recebendo abraço de Zinho, ainda pensa em voltar aos campos profissionalmente
(Divulgação)
Viola, recebendo abraço de Zinho, ainda pensa em voltar aos campos profissionalmente
Paulo Sérgio, 42 anos e parado há oito, tem uma empresa de gestão de negócios e infraestrutura de esportes, que atuou no Juventus e representa uma empresa austríaca. Recentemente jogou, pela equipe masters do Bayer de Munique um amistoso contra o time equivalente do Real Madrid – com Zidane, Figo e Morientes –, para 73 mil pessoas.

Um dos campeões, Viola, 39, não se rende e se considera apenas provisoriamente parado. Entusiasmado com o gol e o fôlego que mostrou contra a equipe de Manaus, disse que está pronto para jogar profissionalmente. Recentemente participou do reality show e recebeu convites para ser comentarista de TV.

“Estou correndo muito, estou em forma. Não jogo como profissional porque as propostas são ruins demais, dá mais dor de cabeça. Então este tipo de evento vale a pena. Recebi uma proposta de comentar jogos em uma emissora pequena. Mas vou esperar para chegar mais perto da Copa.” Viola, que jogou com uma bandana na cabeça, fiel ao estilo irreverente.

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