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Brasileiros perderam todos os 4 chutes que deram na decisão contra o Paraguai, 3 para fora. Por enquanto o técnico não corre risco

O primeiro torneio de Mano Menezes como técnico da seleção brasileira terminou em fracasso. Com atuação destacada do goleiro Justo Villar , o Paraguai venceu o Brasil, nos pênaltis, e está na semifinal da Copa América da Argentina. O jogo terminou 0 a 0 em 120 minutos, na cidade de La Plata, e o Brasil conseguiu perder sua quatro cobranças e perdeu por 2 a 0. Três dos pênaltis foram chutados para fora, longe do gol – Villar pegou um. O Paraguai espera agora o vencedor de Chile e Venezuela, que se enfrentam neste domingo, 19h15.

Perderam para o Brasil chutando para fora Elano , André Santos e Fred . Villar defendeu o de Thiago Silva, Barreto chutou para fora e Estigarribia e Riveros marcaram para o Paraguai.

Curiosamente, Mano Menezes havia treinado escondido cobranças de penalidade no treino de sábado, na cidade de Los Cardales, onde a delegação ainda está concentrada a 60 km de Buenos Aires. Nos treinamentos de brincadeira durante toda a Copa América, no qual jogadores de linha e goleiros apostavam flexões, por exemplo, o aproveitamento estava ruim – o volante Elias, por exemplo, perdeu seis seguidos.

Mano Menezes apostava na Copa América como consolidação do trabalho, que não aconteceu. Seu próximo torneio oficial será os Jogos Olímpicos, com time sub-23, em julho de 2012. No momento parece descartada a possibilidade de ele deixar o comando da seleção.

O Brasil termina atrás da Argentina, que será o quinto colocado depois da eliminação para o Uruguai, também nos pênaltis. A Copa América perde os seus principais protagonistas e seus principais astros.

Buraco no qual o Brasil deu vexame nas cobranças de pênalti nas quartas da Copa América
Paulo Passos/iG
Buraco no qual o Brasil deu vexame nas cobranças de pênalti nas quartas da Copa América

O jogo
Robinho, criticado na primeira partida contra a Venezuela, e sacado no jogo seguinte contra os paraguaios, esteve bem como nunca nesta Copa América. Jogando mais recuado, próximo de Ganso, mas pela direita, foram dele os melhores passes que deixaram companheiros em boas condições para atacar.

Na principal oportunidade do Brasil, o camisa 7 rolou, já dentro da área, para Neymar, que bateu cruzado, à direita, para fora. A melhor chance em um primeiro tempo que o Paraguai só se preocupou em destruir, com Ganso bem marcado por Vera e pelos atacantes muito mal. Neymar, por exemplo, apanhou bastante, mas não tinha objetividade. No banco de reservas, com seu tradicional terno e gravata, Mano Menezes pedia para André Santos avançar, já que não tinha a quem marcar. Mas desta vez não teve cruzamento certeiro como contra o Equador.

Ataque contra defesa
No segundo tempo a seleção brasileira voltou cochilando, mas depois dos 15 minutos, quando Robinho quase marcou chutando cruzado, o time ganhou velocidade, principalmente pela direita, com Maicon, que esteve sumido na etapa inicial.

Até o zagueiro Lúcio se arriscou jogando pelo setor e conseguiu dar um bom passe para Ganso, que pela primeira vez nesta Copa América conseguiu finalizar a gol corretamente, mas o goleiro Villar fez sua primeira grande defesa. A segunda, logo depois, em um chute de Alexandre Pato, dentro da pequena área, que Villar saltou para cima do atacante para evitar, com os pés, que entrasse.

Robinho tentava chamar a responsabilidade, e se posicionou como verdadeiro armador, enquanto Ganso se aproximou dos atacantes. Mas o Paraguai marcava bem e a seleção começou a tocar bolas laterais, entre os volantes, porque não consegui espaço para furar o bloqueio.

Aos 33 minutos, Mano tirou Neymar, que fez uma partida muito ruim. Ao deixar o campo, saiu vaiado pelos não brasileiros – algumas vaias eram dirigidas a Mano Menezes, por ter tirado o queridinho Neymar de campo. O Brasil passou então a ter um homem referência dentro da área e passou a perder gols. Primeiro Pato, que cabeceou para fora um rebote quando não havia mais goleiro, depois Fred, que acertou seu cabeceio, mas o zagueiro paraguaio tirou a bola em cima da linha. No final, o Paraguai ainda teve duas boas jogadas, quando finalmente Julio Cesar apareceu no vídeo, e tinha um contra-ataque perigoso quando o árbitro Sérgio Pezzotta encerrou a partida e foi vaiado.

Buraco no qual o Brasil deu vexame nas cobranças de pênalti nas quartas da Copa América
Paulo Passos/iG
Buraco no qual o Brasil deu vexame nas cobranças de pênalti nas quartas da Copa América

O armador... Robinho
A prorrogação seguia sonolenta e o Paraguai marcava bem, apesar de ao final do tempo normal parecer mais cansado do que o time do Brasil. Mano então tirou Ganso e colocou Lucas, quando Robinho passou de vez a jogar como armador.

Aos sete minutos, confusão que gerou as expulsões de Lucas Leiva e Alcaraz, que se estranharam em uma das laterais. Dez para cada lado a partir de então. Lucas dava velocidade ao Brasil, mas o goleiro Villar seguia inspirado e evitando as jogadas de gol, principalmente em bolas lançadas na área. O Paraguai ainda teve uma boa chance, talvez sua melhor do jogo, mas chutou de primeira e para fora – empate que levou a decisão para os pênaltis – com o detalhe de o árbitro ter terminado, de novo, em um contra-ataque paraguaio.

FICHA TÉCNICA - BRASIL 0 (0) X (2) 0 PARAGUAI

Local: Estádio Ciudad de la Plata, em La Plata (Argentina)
Data: 17 de julho de 2011 (domingo)
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Sergio Pezzotta (Argentina)
Assistentes : Ricardo Casas (Argentina) e Efraín Castro (Bolívia)
Cartões amarelos: André Santos, Maicon (Brasil); Vera, Barreto, Estigarribia, Alcaraz (Paraguai)
Cartões vermelhos: Lucas (Brasil); Alcaraz (Paraguai)
Gols:
PÊNALTIS: Erraram Elano, Thiago Silva, André Santos e Fred (Brasil); Marcaram Estigarribia e Riveros. Errou Barreto (Paraguai)

BRASIL: Júlio César; Maicon, Lúcio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva, Ramires e Paulo Henrique Ganso (Lucas); Robinho, Alexandre Pato (Elano) e Neymar (Fred)
Técnico: Mano Menezes

PARAGUAI: Villar, Verón, Paulo da Silva, Alcaraz e Torres (Marecos); Vera (Barreto), Riveros, Cáceres e Estigarribia; Valdéz e Lucas Barrios (Perez)
Técnico: Gerardo Martino

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