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Dirigente afirmou estar "comprometido em combater essa praga e eliminá-la do futebol" depois de dizer que o "racismo não existe"

Após ter procurado amenizar as questões envolvendo racismo no futebol, que surgiram recentemente, ser atacado por jogadores em atividade e aposentados e até discutir com o zagueiro Rio Ferdinand pela internet, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou que foi mal compreendido pelas pessoas. O dirigente divulgou uma nota oficial no site da entidade máxima do futebol, em que esclarece o seu ponto de vista e diz estar "comprometido em combater essa praga e eliminá-la do futebol."

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A polêmica começou quando Blatter deu uma entrevista ao canal de televisão CNN para comentar as recentes acusações de ofensas racistas no futebol inglês. Questionado sobre o tema, o presidente chegou a apontar que isso era uma situação normal durante uma partida e que tudo deveria ser resolvido com um aperto de mão entre os jogadores.

As declarações do suíço acabaram soando coniventes para jogadores negros e instituições que combatem a discriminação racial no esporte, que acabaram bombadeando o mandatário da Fifa com severas críticas. Em uma delas, o presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais da Inglaterra (PFA), Gordon Taylor, chegou a sugerir que o economista deixasse o cargo que ocupa na entidade.

"Ele deveria dar lugar a Michel Platini (presidente da Uefa). Se há uma pessoa que deveria entender a questão do racismo é o chefe da Fifa, que tem 200 países no mundo, que são tão diversos e têm origens, cores, culturas e credos diferentes. Se ele não está entendendo, então precisa sair", declarou Gordon Taylor, em entrevista à Sky Sports News .

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Incomodado com as críticas, Blatter chegou a publicar em sua página oficial do Twitter uma foto abraçado com outro político negro e afirmou que suas palavras não foram interpretadas da maneira correta pelos demais. A postagem em sua página pessoal veio acompanhada de uma nota oficial no site da Fifa, em que o dirigente se defende das acusações que sofreu.

"Meus comentários foram mal compreendidos. Quis expressar que, como jogador de futebol, durante uma partida, você tem 'batalhas' com seus adversários e, às vezes, são feitas coisas erradas. Mas, normalmente, no final do jogo, você pede desculpas ao seu adversário se você teve um confronto durante a partida. Você aperta as mãos e, quando o jogo acabou, acabou", disse o comunicado publicado pela entidade máxima do futebol.

A atitude do suíço irritou o zagueiro do Manchester United, Rio Ferdinand, que é irmão de Anton Ferdinand, possível vítima de ofensas racistas do capitão do Chelsea e da seleção inglesa, John Terry. Através do próprio Twitter, o defensor fez questão de manifestar seu ponto de vista e também atacou o dirigente.

O jogador ainda lembrou outros casos polêmicos envolvendo Blatter, como declarações em que ele afirmava que os homossexuais não deviam demonstrar sua opção sexual na Copa do Mundo de 2022, que será realizada no Catar, já que tal prática é proibida por lei no país.

"O que você disse sobre o racismo no futebol só revela o quanto você é ignorante neste assunto. Eu acho que agora você tem todo o suporte das mulheres, da comunidade gay e das pessoas contra o racismo no esporte. Se nós queremos encerrar o racismo na sociedade, um campo de futebol é um bom lugar para começar a ser amado por bilhões de pessoas ao redor do mundo", disparou Rio Ferdinand.

Em resposta ao jogador, Blatter disse que o 'homem negro' de sua foto tinha um nome e defendeu seu trabalho contra o racismo e o Apartheid na África. A pessoa em questão era Tokyo Sexwale, um ativista sul-africano que hoje é ministro no governo do presidente Jacob Zuma.

Enquanto dirigentes e jogadores discutem qual seria a melhor forma de acabar com o rascismo no futebol, o atacante Luis Suárez e o zagueiro John Terry continuam sendo investigados pela Federação de Futebol Inglesa sobre as possíveis condutas racistas durante as partidas de seus times. O uruguaio inclusive foi acusado formalmente pela entidade, na última quarta-feira, ao mesmo tempo em que o zagueiro do Chelsea ainda tem seu caso sendo avaliado por uma comissão que julga atitudes antidesportivas.

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